Maria Stella de Azevedo Dos Santos (Mãe Stella de Oxóssi)

Cadeira 33
Patrono: Antônio de Castro Alves (1847-1871)
Fundador: Francisco Xavier Ferreira Marques (1861-1942)
2º Titular: Heitor Praguer Fróes (1900-1987)
3º Titular: Waldemar Magalhães Mattos (1917-2003)
4º Titular: Ubiratan Castro de Araújo (1948-2013)
Titular atual: Mãe Stella

Posse em: 12.09.2013


Eleita em 23 de maio de 2013, tomou posse em 12 de setembro 2013, no salão nobre da atual sede, sendo saudada por Myriam Fraga.

Maria Stella de Azevedo dos Santos, nascida em Salvador, Bahia, em 2 de maio de 1925, é a quarta filha de Esmeraldo Antigno dos Santos e de Thomázia de Azevedo Santos. Sua avó materna foi Theodora Cruz Fernandes, filha de Maria Konigbagbe, africana de etnia egbá, um subgrupo étnico dos yorubás da Nigéria. Aos nove anos de idade, Maria Konigbagbe estava na aldeia quando mandaram que ela entregasse uma encomenda em um navio, assim que chegou foi presa e trazida para o Brasil. Mãe Stella estudou no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora dirigido pela Profª Anfrísia Santiago e se formou pela Escola de Enfermagem e Saúde Pública, exercendo a profissão de visitadora sanitária por mais de 30 anos; hoje é enfermeira aposentada. Muito conhecida pelo nome de Mãe Stella, por ter sido escolhida como a quinta Iyalorixá do Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá (Salvador-Bahia) em 19 de março de 1976, conforme consta no livro de atas do conselho religioso do referido terreiro.  Sua vida religiosa começou quando foi iniciada no Candomblé por Mãe Senhora, em 12 de setembro de 1939, no Terreiro já referido, com o nome religioso de ODÉ KAYODE – O caçador que traz alegrias.

Enfermeira e Iyalorixá, Mãe Stella é também muito conhecida como escritora. Publicou os livros: E daí aconteceu o encanto, coautora Cléo Martins, edição independente, Salvador/BA, 1988; Meu tempo é agora, editora Oduduwa/SP, 1993; Òsòsi, o caçador de alegrias, editado pela Secult/BA, 2006; Òwe-Provérbios, edição independente, Salvador/BA, 2007; Epé Laiyé, terra viva, edição independente, Salvador/BA, 2009; e Opinião, editado pela EGBA, Salvador/BA, 2012, e que reúne artigos escritos quinzenalmente para a coluna Opinião do Jornal A Tarde.

O primeiro pronunciamento público de Mãe Stella foi na II Conferência Mundial de Tradição dos Orixás e Cultura de 17 a 23 de julho de 1983, em Salvador, quando lançou ideias originais sobre o sincretismo. Em 1986, ela participou também da III Conferência Mundial de Tradição dos Orixás e Cultura, em Nova Iorque/EUA.

Em 1987, Mãe Stella integrou a comitiva organizada por Pierre Verger para a comemoração da Semana Brasileira na República do Benin, na África. Sua presença mereceu destaque e ela foi recebida com honras de líder religiosa. Em 1999, ela conseguiu o tombamento do Ilê Axé Opô Afonjá pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), órgão ligado ao Ministério da Cultura.

Também foi responsável por conferências proferidas dentro e fora do país e por muitos artigos, dentre eles: “Manifesto para que o Candomblé Sobreviva” – Revista Planeta, São Paulo, Editora Três; artigos para jornais soteropolitanos, destacando-se um manifesto contra o sincretismo nas religiões afro-brasileiras; diversos artigos sobre o culto afro-brasileiro, destacando-se manifesto sobre a participação de menores na religião afro-brasileira; artigo Fé e Cidadania (In: O Terreiro, a Quadra e a Roda) – FACED/UFBA). Atualmente, escreve quinzenalmente para o Jornal A Tarde.

Em 2001, ganhou o prêmio jornalístico Estadão na condição de fomentadora de cultura. Por seu empenho como cidadã responsável, recebeu dentre outros títulos os de: Membro Honorário Del Templo Yorubá de Porto Rico, 1993; Medalha Dois de Julho, 1997 e Medalha Maria Quitéria, 1997 – Câmara Municipal de Salvador; Medalha de Ordem ao Mérito da Cultura na Classe Comendador – Presidência da República, 1999; Outorga do título Doutor Honoris Causa/ UFBA, 2005; Medalha Zumbi dos Palmares, 2005; Outorga do título Doutor Honoris Causa/UNEB, 2009.

Em 2010, recebeu das mãos da vereadora Olívia Santana uma placa pelo centenário do terreiro Opó Afonjá ao lado do ministro da Cultura, Juca Ferreira e do secretário estadual da Cultura, Márcio Meirelles, no Plenário da Câmara de Salvador, Bahia.

Em 2013, foi eleita por unanimidade para a Academia de Letras da Bahia.

Publicações

  • E daí aconteceu o encanto, coautora Cléo Martins. Salvador: Edição independente, 1988;
  • Meu tempo é agora. São Paulo: Editora Oduduwa, 1993;
  • Òsòsi, o caçador de alegrias. Salvador: Secult – Secretaria de Cultura da Bahia, 2006;
  • Òwe-Provérbios. Salvador: Edição independente, 2007;
  • Epé Laiyé, terra viva. Salvador: Edição independente, 2009;
  • Opinião, Salvador: EGBA – Empresa Gráfica da Bahia. Reúne artigos escritos quinzenalmente para a coluna Opinião do Jornal A Tarde.

Discurso de posse.
Discurso de recepção.

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