Conto de Myriam Fraga vira espetáculo teatral

Em O Pássaro do Sol, que estreia amanhã, no Teatro Sesi, A Roda utiliza projeções de bonecos para contar a história indígena do fogo

guerreiros

Um jovem guerreiro é transformado em pássaro para ir ao céu roubar as chamas do palácio do sol. É ancorada neste enredo, adaptado de um conto inédito da escritora Myriam Fraga, que a diretora Olga Gómez, da companhia A Roda Teatro de Bonecos, dará vida às diversas sombras animadas e aos bonecos de madeira que ela própria construiu para o espetáculo O Pássaro do Sol, que estreia amanhã, às 20 horas, no Teatro Sesi (Rio Vermelho).

Ao todo, 200 imagens, numa grande variedade de formas, são projetadas durante a encenação.“ São figuras de índios, de plantas e de animais, todas pensadas na intenção das cenas“, descreve a argentina Olga Gómez, há mais de 15 anos vivendo na Bahia.

A história é uma versão do mito indígena da descoberta do fogo Para garantir maior veracidade às imagens, a diretora optou por utilizar figuras feitas de couro, que ela mesma criou, para produzir as sombras. Segundo a encenadora, além de obter melhores resultados de imagens, os recortes deste material são mais resistentes do que o papelão, que se costuma usar para obter o efeito das sombras. Para contar a história de como o fogo chegou à terra, Olga Gómez utiliza também os seus bonecos articulados de madeira, que são manipulados pelos atores Fábio Pinheiro, Ubiratã Trindade, Janaína Carvalho e Maíra Valente.

A pesquisa de A Roda Teatro de Bonecos tem origem no banraku, tradicional forma de teatro de bonecos japonês que se utiliza da manipulação direta.

Esta técnica consiste em mover o boneco diretamente, por meio de suas articulações. Nesta montagem, o grupo mistura a técnica com a animação de sombras.

“Este espetáculo é resultado de muitos anos de pesquisa. Levamos mais de um ano para montá-lo. A primeira vez que utilizamos a sombra como linguagem foi em 2009, na peça Jeremias, o Profeta da Chuva, de Adelice Souza“, conta Olga.

Reencontro com autora Este é o segundo encontro de A Roda com a autora Myriam Fraga.

Em 2007, Olga Gómez misturou alguns poemas da escritora e montou o espetáculo Amor e Loucura, que foi sucesso de público e de crítica em praticamente todos os 18 Estados por onde o espetáculo passou.

“Foi um encontro muito feliz, o nosso, com a obra de Myriam Fraga. Ela tem uma escrita primorosa e nos identificamosmuito“, conta Olga.

Myriam Fraga devolve os afagos, afirmando que, na primeira vez que a companhia trabalhou com seus textos, ficou meio insegura.

“Não sabia como seria.

Mas depois que assisti a encenação, fiquei encantada“, diz.

A escritora já assistiu a um dos ensaios de O Pássaro do Sol. “O trabalho está muito bonito, fiquei emocionada“.

Trabalho premiado A companhia de teatro A Roda, criada por Olga e Marcus Sampaio, é uma das poucas que trabalham com animação de bonecos, fabricados pela própria diretora, e coleciona prêmios.

Esta é a segunda vez que a Roda utiliza a linguagem das sombras animadas em um espetáculo – resultado de uma extensa pesquisa da companhia, que desde 1997 trabalha com teatro de bonecos.

O espetáculo, que começou a ser gestado há pouco mais de um ano, conta com um time de primeira linha. Além do diretor de cenas, Osvaldo Rosa, e do coordenador de manipulação, Fábio Pinheiro, ambos premiados, coube a Uibitu Smetak compor a trilha sonora, respondendo também pela direção musical.

O PÁSSARO DO SOL / ESTREIA AMANHÃ, 2OH. SÁB E DOM, 16H E 20H, ATÉ 1º.8 / TEATRO DO SESI, RIO VERMELHO / R$ 10 (INTEIRA) E R$ 5 (MEIA)

Fonte: Jornal A Tarde

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