Cruz Rios, jornalista por vocação

ebEdivaldo Boaventura

A dedicação à memória de Joaquim Alves da Cruz Rios conduziu sua mulher, Regina, a reunir papéis para uma publicação póstuma, intitulada: “Cruz Rios, Jornalista por vocação.”
Para tanto, solicitou-me que a ajudasse a pôr ordem na documentação reunida. Assim procedendo, Regina deu continuidade às publicações anteriores que integraram artigos e crônicas. Cruz Rios, jornalista por vocação, não deixa de ser a continuidade de Retalhos de jornal, publicado em 1998, com apresentação de Jorge Calmon, e de Canto de página, dado à estampa em 2002, prefaciado por Josaphat Marinho.

Aceitei a solicitação e, juntos, selecionamos as matérias. A convivência diária com ele por mais de oito anos me permitiu não somente conhecê-lo, mas admirar a pena do companheiro na direção do jornal de Simões Filho. Coordenando a publicação, procedi como fizera anteriormente quando do falecimento de Pedro Calmon e de Luiz Viana Filho e, por ocasião dos cinqüenta anos da Universidade Federal da Bahia. Com essa experiência de juntar e ordenar material, fiz o mesmo com a documentação de e sobre Rios.

Como uma poliantéia, os textos de certa maneira enaltecem a personalidade do homenageado. De posse dos papéis coletados, distribuí o material em quatro partes. Em primeiro lugar, destaquei Cruz Rios e o jornal A TARDE. É um pouco da história do relacionamento de Rios com o seu periódico. Começa pela entrevista concedida ao repórter investigativo Marconi de Souza. Rios confessa: “Sou jornalista por vocação”. Declaração enfática que titula a publicação, escolhida com Sérgio Fujiwara, autor da capa. Nesse relacionamento, privilegiei o depoimento de Jorge Calmon que trabalhou junto com Rios por mais de meio século em A TARDE. As relações entre o profissional e o periódico tipificam a identificação do homem de imprensa. Dessa maneira, integrei os seus dados biográficos ao currículo. Pela convivência diuturna com Rios, pude sentir de perto a sua identidade com o periódico, no qual realizou toda uma larga trajetória nos quase 66 anos ininterruptos de trabalho na mesma corporação. A sua carreira jornalística dá o tom característico de uma vida útil, privilegiando uma existência. Rios viveu a sua vocacionada inclinação para a imprensa matizando-a com o contínuo e imperturbável humor. A dedicação de Rios ao jornal foi tão marcante que desejava morrer na sua carteira de trabalho.

A documentação revelou momentos significativos na vida do jornalista como seu ingresso na Academia de Letras da Bahia. Não faz muito tempo, foi eleito por indicação do mestre José Silveira para suceder ao poeta Ivan Americano da Costa, na cadeira número 20, patrocinada pelo enorme Teixeira de Freitas. A eleição consagrou o homem de imprensa. A sua posse, em 5 de maio de 1999, aos 80 anos, um momento solar em sua vida, foi coroada com a facúndia de Josaphat Marinho. Uma bela e luminosa posse que encheu o solar Góes Calmon de familiares, amigos e companheiros. O discurso de recipiendário acompanhado da saudação e do referencial de suas publicações constituem a segunda parte dessa coletânea.

Os papéis assinalam balizas na trajetória do jornalista e político, como os 50 anos de jornal festejados na Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) pelo seu amigo Orlando Moscoso. Um marco da sua caminhada foram os 60 anos em A TARDE, comemorados com a medalha Ranulfo Oliveira da Associação Baiana de Imprensa, bem assim muitas outras distinções recebidas. Pronunciamentos e registros dessas passagens integram a terceira parte: reconhecimento da carreira. Finalmente, recordando o jornalista é o derradeiro conjunto integrador das expressões de sentimentos de pesar da imprensa, dos poderes públicos, dos amigos, autoridades, instituições, enfim da comunidade baiana à qual ele serviu. Coube-me expressar a saudade na Academia de Letras da Bahia, em 20 de maio de 2004. Conclui esta coletânea o artigo de Cruz Rios sobre seu mestre e ídolo, Simões Filho.

Para a confecção desta obra, a colaboração de todos de A TARDE foi significativa, dos seus dirigentes Sylvio Simões, Renato Simões Filho e Ranulfo Bocayúva aos companheiros de redação como Chico Neto, Sérgio Fujiwara. O livro fluiu das reportagens e das fotos de A TARDE. É uma homenagem que assinala o primeiro ano do seu falecimento. A publicação é uma manifestação que ajuda a retratar o profissional da imprensa. Uma homenagem ao seu trabalho.

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