Bahia, 1798

consueloConsuelo Pondé de Sena

Mais uma vez, o historiador Luís Henrique Dias Tavares edita livro sobre o tema a Sedição de 1798, também conhecida como: Conjuração Baiana, Revolução dos Alfaiates, fonte do seu maior interesse como pesquisador. Refiro-me à Sedição Baiana, também conhecida como Inconfidência Baiana, Levante de 1798 e Revolução dos Búzios.

Embora apoiado nos fatos históricos, Luís Henrique se permite caminhar sobre as veredas da ficção, entremeando a suavidade da narrativa romântica com a veracidade da história pungente. Cria personagens de ficção e as coloca no curso da narrativa para melhor comunicar a mensagem dos sediciosos.

Desce das alturas da consagração universitária para falar a todos sem restrição, com a simplicidade dos espíritos superiores e a prudência das almas nobres.

Este novo livro de Luís Henrique, Mestre de todos nós, dos que lhe reconhecem os méritos e valoriza os seus conselhos, é um presente para a juventude, cada vez mais afastada das leituras e obcecadas pelos ensinamentos, nem sempre seguros, da virtualidade.

Por meio desta leitura leve, fácil de ser captada na sua transparente mensagem, muitos aprenderão as verdades desconhecidas ou sonegadas. É que a própria apresentação do trabalho é um convite à leitura.

Patrocinado pelo Governo do Estado da Bahia e publicado na Empresa Gráfica da Bahia, a publicação foi lançada no dia 12 de agosto, na sede do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (www.ighb.org.br).

As belas ilustrações contidas no livro são de autoria do artista premiado Cau Gomez, natural de Minas Gerais, residente na capital baiana, de onde é Cidadão, por título outorgado pela Câmara da Cidade do Salvador, em 2009.

Esta é uma oportunidade de homenagear o lente baiano, que lecionou história em vários estabelecimentos de ensino de Salvador, fez Pós-doutorado em London University (1978-1986), é Professor Emérito da Universidade Federal da Bahia e Doutor Honoris Causa da Universidade do Estado da Bahia.

Apesar de o conhecido historiador ser um homem pacífico, tem gosto especial pelas rebeliões. É assim com a Sedição Baiana e com a Guerra da Independência da Bahia, temas sobre os quais sempre retorna. É como se desejasse reavivar o espírito do povo baiano e valorizar seu espírito de luta com a rememoração desses episódios.

Como mestre do ofício, sabe que o historiador não pode escapar à voz do documento. Os documentos que pesquisa para suas obras conferem autenticidade aos fatos narrados com pertinência.

O livro em questão é um depoimento de natureza didática, que informa e instrui de maneira atraente. Nele, o autor recorda os protagonistas da insurreição debelada, em número de onze escravos, seis soldados da tropa paga, cinco alfaiates, três oficiais militares, dois ourives, um pequeno negociante, um bordador, um pedreiro, um professor, um cirurgião e um carpinteiro.

Todos esses 33 homens foram processados porque aspiravam a libertação da Bahia do jugo português e a proclamação da república federativa. Como é fácil supor, as ideias da Revolução Francesa, que acabara com o absolutismo na França, haviam se propagado com celeridade. Apesar das dificuldades de comunicação naquele tempo, esses ideais foram assimilados e veiculados pelos letrados, que os repassavam para os insatisfeitos com a dominação portuguesa.

Era de descontentamento a situação dos brasileiros, às voltas com a cobrança dos altos impostos e a falta absoluta de liberdade comercial.
Ao grupo inicial da insurreição juntaram-se outros insatisfeitos, constituídos de escravos, soldados e artesãos, regra geral negros e mestiços, excluídos da sociedade em face dos preconceitos racial e social, verdadeiros párias, banidos de todas as benesses que desfrutavam os favorecidos.

Para arrematar, devo dizer, como testemunha presencial dos pronunciamentos do Prof. Luís Henrique sobre este tema, que, ao comentá-lo, o Mestre se agiganta, revelando o seu repúdio visceral aos executores das mortes dos mártires: João de Deus do Nascimento, Manuel Faustino dos Santos Lira, com 18 anos de idade, e os soldados Lucas Dantas e Luiz Gonzaga das Virgens, que foram cruelmente imolados aqui, ao lado do IGHB, na Praça da Piedade.

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