Onde está Cristo no Natal dos nossos dias?

consueloConsuelo Pondé de Sena

Procuro-o na esperança de reencontrá-lo, cada vez mais ausente na Festa da Natividade. Busco-o, sofregamente, nos corações dos homens, nas manifestações de fraternidade universal, no cenário afetivo das famílias bem constituídas. Encontro-o e apaziguo o meu coração.

Querem-no muitos, porém, nas visíveis e comerciais demonstrações de preponderância do estranho mundo de hoje. E, em nome dessa mensagem distante dos seus ensinamentos revertem suas lições de solidariedade e de caridade cristãs numa banca de negócios, desvirtuando o sentido do Natal.

Diante dos meus olhos contaminados pelos bombardeios midiáticos, por mais que o evite, só enxergo: consumismo, endividamento, desarmonia, violência, descontrole e falta do verdadeiro amor. Percebo, contristada, diante da lamentável realidade dos tempos atuais, que o menino Jesus não mais se encontra na manjedoura humilde de Belém.

Alijaram-no do modesto e santificado espaço onde nasceu para iluminar o mundo e pretendem conduzi-lo, principalmente, para os centros de negócios e de consumo, onde reinam o gosto pelas coisas materiais e predomina a ambição do lucro. Onde quem comanda é o vil metal que corrompe os homens.

Retiraram-lhe a exígua veste que encobria seu corpinho recém-nascido, para tentar adorná-lo com as suntuosidades e as pompas fabricadas pelos indutores do consumo, pelo apetite desenfreado dos gananciosos, dos vendedores de ilusões passageiras, dos corruptores de todas as feições.

Substituíram a luz da estrela guia, que orientou os passos dos Reis Magos até a Sagrada Família, pelas artificiosas, artificiais e feéricas luminosidades, nutridoras dos desvarios dos fabricantes e consumidores de quinquilharias.

Dessacralizaram o Natal de Jesus Cristo. Esqueceram-se da Natividade, da mensagem maior da grande da sua peregrinação pelo mundo. Desconhecem ou olvidaram suas palavras: “Eu vim para que tenham vida, e tenham-na em abundância” (João, 10: 10). Baniram da maior festa da Cristandade as lições de humanidade e compaixão, os sentimentos de piedade e comunhão com o divino.

Durante anos e anos “fabricaram” guerras assassinas, desfalcaram inúmeros lares de vidas preciosas, sob o disfarce criminoso da luta contra o terrorismo, rotulando-a de defesa da Democracia. Promoveram discórdias, espalharam medo, derrubaram torres, sacrificaram e aprisionaram inocentes, movidos, principalmente, pela disputa do poder e do domínio econômico.

Desconsideram a profundidade dessas palavras: “Amai vossos inimigos, abençoai os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos perseguem e caluniam“ (Mateus, 5:44).
Desconhecem ou se esqueceram do que está escrito em João, 14:27: “Deixo-vos a paz, a Minha Paz vos dou: não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize“.

Que é feito da Paz? Da pregação de Jesus Cristo e dos Apóstolos, seus seguidores, das lições que repassaram, para todo mundo? Que é feita, hoje, da missão Salvadora para a qual Jesus assumiu a condição humana?

Por que jamais se praticaram tantos crimes e tanta violência? Por que substituíram o presépio pela árvore de Natal, o primeiro símbolo de um instante significativo para a história da humanidade, o segundo, uma bela e, cada vez mais, sofisticada sedução comercial para enfeitar, com bolas e cores, o Natal de todo o mundo?

Trocaram o ódio pelo amor, a generosidade pelo egoísmo? O Bem pelo Mal? Não, não é isso que desejamos. Muito ao contrário. Esperamos que a festa do nascimento do Senhor reencontre a pureza e a simplicidade dos tempos que se foram.

Reajamos todos, os que têm e vivem na Fé, a toda essa “onda” consumista e desespiritualizada. Vivamos alegremente, pois, “O coração alegre é bom remédio” (Provérbios, 17: 22).
Natal é nascimento e crença na vida. É amor e compreensão. Tolerância e caridade. Que renasçam, pois, em nossos corações as mensagens de concórdia e que, neste mundo dominado pelo imediatismo e pela ambição, pela discórdia e pela malquerença, ainda possa germinar, nos abençoados pela Fé, a excelsa luz da Esperança.

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