A vã busca de efeitos sem causa

img13Joaci Góes

Em minha primeira viagem internacional, em 1962, ainda como estudante, tive a rara oportunidade de encontrar as maiores figuras do mundo político e econômico dos Estados Unidos, começando com David Rockfeller, presidente do Chase Manhattan Bank, passando por Henry Kissinger, que nos brindou com duas substanciosas conferências – foi numa delas que conheci pessoalmente o professor Roberto Santos, futuro governador da Bahia -, os irmãos Ted e Bobby Kennedy, o primeiro concorrendo pela primeira vez ao senado, e o segundo como Procurador Geral de Justiça, e, por último, o Presidente John Kennedy que se fez acompanhar do embaixador brasileiro Roberto Campos e do embaixador americano no Brasil, Lincoln Gordon.

Entre os estudantes que participaram da memorável excursão, estavam os baianos Osmar Sepúlveda, Antônio Luis Calmon Teixeira, José Mascarenhas, Geraldo José Sampaio Araújo, João de Melo Cruz, Dulce Calmon, o saudoso João Sento Sé, Hamilton Nonato Marques, José de Freitas Mascarenhas e Thomaz Cruz, todos sobejamente conhecidos e respeitados por seus relevantes desempenhos profissionais. De outros estados, vale destacar a presença de Marco Maciel, futuro governador de Pernambuco e vice-presidente da República, e de João Alves Filho, ex-governador de Sergipe.

Não é difícil compreender o deslumbramento que se apossou daquela afortunada juventude, que voltava aos seus pagos, carregada de projetos, desejos e sonhos de ajudar o Brasil a deixar de ser eternamente o país do futuro, a partir do entendimento de que sem educação não é possível progresso autosustentável.

De fato, a experiência universal consagra o princípio de que a educação é o caminho mais curto entre a pobreza e a prosperidade. Hoje, mercê da incúria que tem marcado o tratamento que temos dado à educação como instrumento de nosso desenvolvimento, em lugar dos “dois brasis”, título do livro com que o sociólogo francês Jacques Lambert diagnosticou nossa realidade dicotômica de atraso e avanço da época, deparamo-nos com pelo menos três brasis: um minoritário, com todos os requisitos do primeiro mundo; um outro, mais amplo, do segundo mundo; e o último, largamente majoritário, inteiramente à margem dos benefícios da civilização atual, no mesmo padrão das sociedades pobres da África, da Ásia e da América do Sul, do terceiro mundo, portanto. E nada aponta para uma mudança desse quadro de afrontosa heterogeneidade social, com todo seu cortejo de inquietações, a mais tangível das quais se manifesta sob a forma da brutal insegurança que impõe a adoção de guetos como imperativo de sobrevivência física, enquanto persistirmos na prática da tola crença de que é possível atingirmos o patamar das sociedades mais avançadas com a manutenção da atitude irresponsável de sistematicamente negligenciarmos a educação, entendida como a transmissão de conhecimentos adequados ao pleno exercício de uma cidadania contemporânea, mas carregados dos valores éticos e morais que se ausentaram das salas de aula.

Todos os da minha geração, no que respeita ao Brasil de nossos sonhos, estamos agora compreendendo o poeta Raimundo Corrêa ao finalizar seu famoso soneto As Pombas: “E os desenganos vão conosco à frente, E as esperanças vão ficando atrás”..

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