Um grande brasileiro

img13Joaci Góes

Se não tivesse desaparecido em janeiro último, o Almirante, engenheiro naval, escritor e pensador José Celso de Macedo Soares Guimarães teria completado 89 anos neste 21 de abril. Foi ele o derradeiro expoente de uma família de notáveis que conta com nomes da expressão de Antônio Joaquim de Macedo Soares, o grande magistrado que transferiu para a princesa Isabel o epíteto de Redentor que lhe deu o povo do Rio de Janeiro, mobilizado pelo fim da escravidão; o chanceler José Carlos de Macedo Soares; o ministro Edmundo de Macedo Soares; o jornalista Eduardo de Macedo Soares.

 

Entre as diversas funções públicas que o Almirante Macedo Soares desempenhou, com invariável brilho e honradez, o exercício da Superintendência Nacional da Marinha Mercante (Sunaman) alcançou o destaque maior, ensejando ao governo militar, então dominante, extraordinário êxito na política de transporte marítimo.

Graças à sua firmeza, reconhecida competência e apoio do saudoso e injustiçado ministro dos Transportes, Mário Andreazza, o Brasil foi capaz de reagir às pressões internacionais, resistência que ensejou aos armadores brasileiros, públicos e privados, uma participação de inéditos 40% nos transportes marítimos originados em nosso país, posição que resultou na melhoria do nosso balanço de pagamentos e no sensível aumento das encomendas aos nossos estaleiros. O vitorioso modelo começou a ruir em razão do desgoverno de custos praticados pela estatal Lloyd Brasileiro, transformada em cabide de empregos e inteiramente descomprometida com critérios de economicidade e produtividade.

A atual ausência de competitividade da inexistente marinha mercante brasileira responde hoje por um déficit nas contas de fretes da ordem de 20 bilhões de dólares. Foi ele também quem negociou na Inglaterra o empréstimo para construção da Ponte Rio-Niterói.

A notável produção bibliográfica de Macedo Soares, compendiada em dez sólidos volumes, compreende estudos sobre praticamente todos os campos da economia brasileira. A mais disso, foi através de sua militância na imprensa, como articulista do Jornal do Brasil, de O Estado de São Paulo e da Tribuna da Bahia, que respirou a alma democrática brasileira, sufocada pelos excessos da ditadura. Sua postura desassombrada resultou no seu enquadramento na famigerada Lei de Segurança Nacional. Sua ruidosa absolvição pela justiça militar muito contribuiu para minar a força do vigorante regime de exceção.

O depoimento de Luiz Viana Neto define o significado de Macedo Soares para o nosso estado: “A Bahia tem uma dívida de gratidão com o Almirante José Celso de Macedo Soares, ex-presidente da Companhia Brasileira de Marinha Mercante. Foi ele quem, atendendo solicitação do então governador Luiz Viana Filho, sugeriu a implantação do Sistema Ferry-boat, que reduziu em 70 kms o trajeto rodoviário Rio-Salvador. Sem falar nos extraordinários benefícios que trouxe para toda a região do Baixo Sul. Por isso, seria louvável se, num preito de justiça, fosse seu nome perpetuado numa das ruas de nossa capital”.

Sem sombra de dúvida: José Celso de Macedo Soares, que deixa dois filhos, netos e a viúva Maria Helena, foi um grande brasileiro.

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