CESA – modelo de educação

img13Joaci Góes

A Bahia já tem um modelo de escola pública para servir de base ao indispensável processo de transformação autossustentável de nossa realidade social, política e econômica, através da educação, permitindo que o País mude o curso da barbárie atual que ameaça naufragá-lo, e siga na direção de um futuro compatível com as legítimas aspirações de civilidade do seu povo.

Refiro-me ao Centro Educacional Santo Antônio – CESA, braço pedagógico das Obras Sociais Irmã Dulce, localizado em Simões Filho, ora com cerca de setecentos alunos, oriundos dos segmentos mais carentes de nossa periferia social. De fato, nada há na Bahia em matéria de ensino público básico e fundamental equiparável em qualidade ao que ali se realiza. A existência dessa unidade de ensino, que obedece ao modelo da Escola Parque, preconizado por Anísio Teixeira, simboliza a esperança de sobrevivência do sonho redentor do povo brasileiro concebido por aquele excepcional educador.

Na semana passada, ao lado da escritora de livros infantis, a acadêmica Gláucia Lemos, participei de um café literário no CESA, precedido de uma solenidade que emocionou a quantos ali se encontravam, pela nítida percepção do papel profundamente transformador que o CESA opera na vida daquelas crianças, dos seis aos dezessete anos, afastando-as das ameaças que comprometem seu futuro e conduzindo-as pelas estradas largas de promissora cidadania: crianças banhadas, bem vestidas, bem alimentadas e visivelmente encantadas com as novas possibilidades que se levantam à sua frente.

Mais do que o Hino Nacional que entoaram a uma só voz, com a mão direita orgulhosamente espalmada sobre o peito, emocionou-me o Hino do Município de Simões Filho, de Fábio Temeson e Adalto Benedito, que entre outros versos sustenta “Simões Filho cidade esplendor… És o orgulho de nossa nação… Terra bendita de céu estrelado.. … és formosa, mais amada do Brasil… … Simões Filho cidade de luz.. … És o orgulho de nossa nação”.

Não pude evitar as lágrimas, ao constatar o enorme contraste entre as benfazejas expectativas daquelas crianças, prometidas no hino, e a dura realidade assoalhada nos horários mais nobres da TV que aponta o município de Simões Filho como o mais violento de todo o Brasil, fato que magnifica o trabalho pedagógico que ali se realiza sob a batuta das professoras Solange, Rita Fróis, Rita Assis e a líder Flávia Rosemberg, todas sob o comando maior de Maria Rita Lopes Pontes, sobrinha e continuadora da obra inexcedível de Irmã Dulce. É Preciso prestar atenção: a melhor escola pública da Bahia está localizada na cidade mais violenta do País. É preciso dizer mais?

Sou portador de um convite aos secretários de educação da Bahia e de Salvador, respectivamente, Osvaldo Barreto Filho e João Carlos Bacelar, para conhecerem o trabalho pedagógico que o magistério do CESA realiza. Quem sabe se alguma coisa de bom não será extraída para ajudar Salvador e a Bahia a saírem da rabada em que se encontram no continente americano em matéria educacional?

Bastam determinação e competência.

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