Poema para João Ubaldo Ribeiro

fmFlorisvaldo Mattos

Acordei hoje mais para o risonho e o circunstancial, talvez pelo belo dia de sol primaveril e resolvi perpetrar um poema evocativo de momentos de infância, ao me lembrar de uma frase de João Ubaldo Ribeiro, dita em um entrevista há décadas, resolvi dedicar-lhe, homenageando-o, desde que ele tomará posse como membro da Academia de Letras da Bahia, no próximo dia 22, e agora resolvi compartilhá-lo como os amigos do Facebook, tanto os que cultivam memórias da infância quanto os que amam o futebol, amor que às vezes está no sangue. Segue abaixo o poema com a dedicatória.

TARDE NA VÁRZEA

A João Ubaldo Ribeiro
(“Não existe poesia sem infância”, ele disse)

A chuva há de passar… De quando em quando,
Um alarido vem pelo ar, fugidio.
Na tarde bruxuleante, além do rio,
Teles e Caboclinho estão jogando.

Não posso ver; a chuva me atrapalha.
Vestindo sedas, clamo os ares, rogo.
Avanço a rua. Minha tinha ralha
(Nada me ajuda): “Pare aí, é só um jogo!”

Raiva. Bato três vezes na madeira.
Será que vai chover a tarde inteira?
Digam como lá estão os litigantes.

É agosto, sim, e chove sem parar.
Dentro, o menino quer comemorar
Logo. Atlanta e Palestra, dois gigantes.

Salvador, manhã de 10/11/2012.

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