Para celebrar Jorge Amado

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Salvador recebe única apresentação do “Já” na próxima terça, dia 15, Dia Mundial do Compositor, com Camará Ensemble e regência do norte-americano Jack Fortner.

O Camará Ensemble apresenta o Concerto “Já” na próxima terça feira, dia 15 de janeiro, às 20h, no Teatro Jorge Amado. Inspirado no universo do escritor baiano Jorge Amado, o nome Já foi escolhido a partir das iniciais, nome e sobrenome, do escritor homenageado, Jorge Amado, e ressalta o conceito do projeto que para celebrar os criadores, qualquer tempo, já é hora.

O Concerto “Já” é o mais novo projeto do Camará Ensemble, e, prestando uma homenagem ao Dia Mundial dos Compositores, nesta noite serão apresentadas, pela primeira vez, sete obras inéditas de nove compositores baianos reverenciando os cenários literários de Jorge sob regência do maestro norte-americano convidado, Jack Fortner, que fica em Salvador até o dia 17 de janeiro.

Grande admirador de Jorge Amado e da Bahia, Jack Fortner buscou estar ainda mais próximo do cenário de Jorge, e escolheu se hospedar no local onde foi gravado o filme Dona Flor e Seus Dois Maridos, sucesso cinematográfico mundial adaptado a partir do livro do escritor, o Largo da Palma. O hotel de charme, A Casa das Portas Velhas, fica instalado em um casarão preservado do século XIX e quem chega já pode sentir o cheiro agradável de cravo e canela e adentrar o universo lírico dos romances amados de Jorge.

Com direção artística de Paulo Rios Filho e produção da Agência Agosto, o Concerto apresentará, entre as obras inéditas, quatro canções interpretadas por uma soprano solista, que utilizam trechos e alusões textuais feitas às obras do escritor.

Rodrigo Garcia, compositor gaúcho radicado em Salvador, faz dançar com belíssimo trabalho que é uma reverência apaixonada à essência da cultura baiana. Com três Jubiabás, ele consegue reunir em uma só obra o melhor do universo do romance Jubiabá de Jorge Amado, a contemporaneidade das ruas de Salvador do compositor Gerônimo e todo o tropicalismo lírico e magistralmente construído de Gilberto Gil. Para tanto, ele faz um delicioso pastiche dançante das duas obras, ambas intituladas Jubiabá, homônimas e fortemente inspiradas na brilhante obra de Jorge.

Capitães da Areia foi a obra que inspirou também o compositor Pedro Kröger para compor a sua lírica Noite no Trapiche. Wellington Gomes decidiu não se ater a uma obra, mas fazer um apanhado de figuras criadas pelo romancista, em Personagens de Jorge. Em tom rapsódico, a cantora anuncia a personagem da vez, acompanhada por uma música de gestos fortes, que descrevem as personalidades evocadas e paisagens marcadamente baianas.

As outras três composições são peças instrumentais, entre elas, uma composição coletiva feita por três jovens compositores, estudantes do curso básico da Escola de Música da UFBA – Emilio Le Roux, George Christian e Pedro Garcia –, orientados pelo compositor Vinícius Amaro e pelo diretor artístico Paulo Rios Filho. De “catuaba” a “políticos imundos e gordos”, a obra coletiva passeia pelo universo de Quincas Berro d’Água e Capitães da Areia.

Marcos Sampaio, que é professor de composição na UFBA, estreia a sua obra Octaedro, que constrói uma série de significados especiais do número oito para a vida do escritor baiano. Alex Pochat, figura conhecida na cena rock de Salvador, é o compositor do exórdio da noite, abrindo as portas para a celebração com a reza de “O Vice-Versa”.

Fechando a noite, a obra “A Bahia tá viva!”, de Paulo Costa Lima, é uma salada feita com o texto de uma carta de Dorival Caymmi escrita ao seu amigo Jorge, mais referências às paródias de protesto do cancioneiro baiano, bem como a citações de canções de Carnaval da época da juventude de Amado.

O concerto é composto pela participação de diversas formações instrumentais, desde o trio até uma formação de orquestra de câmara, com o total de dez instrumentistas, além dos cantores, solistas das canções. Com um pé fora do formato típico de concerto, o espetáculo Já envolve também a interação com vídeo, bem como a intervenção de material sonoro pré-gravado. Já contou com o apoio do Theatro XVIII, com a cessão da Casa 12 Galeria, espaço residente do grupo para os ensaios.

Formação:
Regente; voz soprano e tenor; flauta, clarinete, saxofone, bandolim (ou banjo), violão, sanfona, percussão, violino, viola e violoncelo.

Sobre o maestro:
Jack Fortner nasceu em Grand Rapids, Michigan. Doutor (1968) pela Universidade de Michigan, lecionou na Universidade de Michigan (1966-1970). Desde 1970 até meados dos anos 90, foi professor da Universidade Estadual da Califórnia, em Fresno. Fortner é diretor artístico de Orfeu, ensemble de música de câmara, fundado em 1978. Vem sendo maestro convidado do Festival de Música Nova desde 2000. Em 2010 dirigiu a gravação de um CD dedicado à obra de Gilberto Mendes, indicado para o Prêmio Bravo. Recebeu inúmeros prêmios e encomendas de obras, incluindo-se o Prêmio de Roma 1967 – atribuído pela Academia Americana em Roma. As obras de Fortner são publicadas pela Editions Jobert, Paris, e Theodore Presser, Filadélfia (EUA).

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