A Morte na Vida e Na Poesia de Castro Alves

Aramis Ribeiro Costa

Tendo vivido tão pouco, a morte acompanhou a vida e a poesia de Castro Alves. Não aconteceu apenas com ele. Álvares de Azevedo morreu aos vinte anos; Fagundes Varela, aos trinta e três; Casimiro de Abreu, aos vinte; e Junqueira Freire, aos vinte e dois. É preciso lembrar que falamos de meados do século XIX, uma época em que a medicina, essencialmente empírica, se encontrava muitas décadas distante dos conhecimentos e dos recursos dos nossos dias. Não havia antibiótico nem vacina. Morria-se com facilidade. E não apenas nas grandes epidemias, que, uma vez iniciadas, se alastravam com rapidez e descontrole, ceifando vidas aos milhares, ante a impotência angustiante dos poderes públicos e dos médicos, ambos desarmados. Morria-se por tudo. Morria-se de parto, de pneumonia, de desidratação, de pequenas infecções ou inflamações que não podiam ser debeladas. Morria-se a morte lenta e dolorosa da sífilis. E morria-se de tuberculose, fantasma soturno que acompanhava os indivíduos de forma silenciosa e persistente, seguindo, como sombra apavorante, em particular os desnutridos e os moços boêmios em seus prazerosos excessos. Na verdade, convivia-se cotidiana-mente, diuturnamente com a morte, e nem mesmo a realidade destruidora da violência urbana dos grandes centros contempo-râneos, dos assaltos, dos acidentes de tráfego, das drogas, das doenças degenerativas e das síndromes imunológicas de nossos dias podem dar uma ideia desse convívio macabro.

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Curso Jorge Amado 2014

A Academia de Letras da Bahia a Fundação Casa de Jorge Amado convidam para a solenidade de abertura do Curso Jorge Amado – IV Colóqui de Literatura Brasileira.

Na oportunidade será lançado o livro Jorge Amado (Cacau: a volta ao mundo em 80 anos), resultante dos trabalhos durante o Curso Jorge Amado 2013.

Data: 26 de agosto de 2014, às 17hs.
Local: Avenida Joana Angélica, 198 – Palacete Góes Calmon – Nazaré.

Mais Informações: www.jorgeamado.org.br/coloquio2014.ConviteCursoJorgeAmado2014

 

 

Lançamento do romance “Os Ventos Gemedores”, de Cyro de Mattos.

Data: 2 de setembro de 2014 (terça-feira), às 18 horas.

Local: Academia de Letras da Bahia, Av. Joana Angélica, 198, Nazaré, Palacete Goes Calmon, Salvador-BA. Entrada Franca.

 

O LIVRO:

Neste romance de ritmo ágil, o leitor irá escutar a fúria de ventos compulsivos, que assim abalam e deixam-nos perplexos, de tal sorte os gestos de criaturas primitivas, de anseios tão densos e chocantes, em meio a situações de desespero. Também encontrará gente de sentimentos inocentes, que está na vida para mostrar os seus instantes de ternura numa paisagem rústica, caracterizada pela natureza bárbara do ambiente e de seus viventes.  

Personagens de papel transmudam-se em gente com sangue quente a correr nas veias neste romance com seus dramas, ambições, opressões e misérias da terra. O autor revela com eles que é dotado de outra virtude: a de estar isento do tom panfletário, da ideologia extrema que contamina o estético e reprime a criação. Sua escrita está como que moldada na linguagem simples das histórias contadas pelos ancestrais, ao redor da fogueira no terreiro ou no alpendre da casa tosca, iluminada à luz de candeeiro. 

A narrativa desses ventos gemedores transmuda as terras do sul da Bahia, no condado imaginário do Japará, região onde a mata recuada, hostil e impenetrável, vai dando lugar às primeiras e tateantes roças de cacau e campos de pecuária. Resulta de um imaginário que ultrapassa os limites conhecidos do real no território sul baiano, das outrora ricas plantações de cacau e pioneiras fazendas de gado nas zonas do capinzal. A narrativa segura, que devassa lugares brasileiros onde a ação de personagens se desenvolve no conflito movido pelo mandonismo de Vulcano Brás e pela busca da vida livre e justa, representada pelo vaqueiro Genaro, confere permanência ao romance, depois do ato de leitura.

O leitor voltará a remoer os acontecimentos do universo ficcional projetado pelo autor e perceberá a marca de um narrador dramático, que funde o real e o fantástico com maestria, dentro da metamorfose rítmica do relato, girando no seu eixo através dos novos significados recolhidos de outras passagens.

Nos episódios de Os ventos gemedores latejam brutalidades dum homem sedento e faminto pelos domínios da terra, que avilta outros homens indefesos com seu egoísmo impiedoso. Na mensagem que se expressa no texto vigoroso, revestido de brasilidade e humanismo, emerge uma fabulação interior que confere vida psíquica aos personagens, não apenas como tipos interessantes, agentes populares desempenhando seu papel no cenário dos conflitos sociais. Nesses personagens primitivos, sabe o autor imprimir, como poucos, uma dimensão interior enraizada na explosão dos dramas e das misérias coletivas. No que toca a este jogo psíquico e o drama, como observa o crítico Cid Seixas, doutor em Letras pela USP (Universidade de São Paulo), em comentário ao livro Berro de fogo e outras histórias: “Quando um destes personagens se deixa surpreender na intimidade da vida é que se percebem os desvãos da sua alma”.

 

O AUTOR:

 Cyro de Mattos nasceu em Itabuna, cidade do sul da Bahia, em 31 de janeiro de 1939, filho de Augusto José de Mattos e Josephina Pereira de Mattos. Primeiros estudos na cidade natal. Completou o curso ginasial no Colégio Maristas, em Salvador, e fez o curso clássico no Colégio da Bahia (Central). Diplomado em advocacia pela Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, em 1962. Como universitário, dirige o jornal “A Palavra”, do Centro Acadêmico Ruy Barbosa. Advogado aposentado, depois de militar durante quarenta anos nas comarcas da região cacaueira na Bahia. Jornalista com passagem na imprensa do Rio de Janeiro, onde foi redator do “Diário de Notícias”, “Jornal do Comércio” e “O Jornal”. Ainda no Rio de Janeiro, de 1966 a 1971, colabora com artigos e contos nas revistas “A Cigarra”, “Cadernos Brasileiros” e “Leitura”; no “Jornal do Escritor”, “Jornal de Letras”, suplementos literários do “Jornal do Comércio” e “Jornal do Brasil”. Nos últimos trinta e cinco anos, colaborações suas aparecem na “Revista da Bahia” (Salvador), revistas “Exu”, da Fundação Casa de Jorge Amado (Salvador), “Quinto Império”, do Gabinete Português de Leitura (Salvador), “Iararana” (Salvador), “Cultural A Tarde”, do jornal “A Tarde” (Salvador), “O Escritor”, da União Brasileira de Escritores (São Paulo), “Jornal da Manhã” (Sergipe), “Tribuna do Escritor” e “Rio Artes” (Rio de Janeiro), “Suplemento Literário de Minas Gerais” (Belo Horizonte), Revista de Literatura Brasileira (São Paulo) e “Literatura” ( Brasília).

Contista, poeta, cronista, novelista, ensaísta, autor de livros infantis, organizador de antologia. Já publicou 50 livros, possui inúmeros prêmios literários, e, entre eles, o Prêmio Nacional de Ficção Afonso Arinos, concedido pela Academia Brasileira de Letras para o livro “Os Brabos”, o Prêmio Jabuti (menção honrosa) para “Os Recuados”, o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte para “O Menino Camelô”, poesia infantil, e, com o “Cancioneiro do Cacau”, o Prêmio Nacional Ribeiro Couto da União Brasileira de Escritores, Rio de Janeiro, para livros inéditos, e o Prêmio Internacional de Poesia Maestrale Marengo d’Oro, Gênova, Itália. Distinguido com os títulos da Ordem do Mérito da Bahia e Personalidade Cultural da União Brasileira de Escritores, Rio de Janeiro. Participa em várias antologias internacionais do conto, como “Visões da América Latina”, publicada na Dinamarca, na qual estão inclusos, entre outros, Jorge Luís Borges, Alejo Carpentier, Miguel Angel Astúrias, Juan José Arreola, Julio Cortázar, José Donoso, Mario Vargas Llosa, Juan Carlos Onetti, Juan Rulfo, Mário de Andrade, Aníbal Machado e Clarice Lispector, e “Narradores da América Latina”, editada na Rússia, na qual  figuram, entre outros, Julio Cortázar, Mario Benedetti, René Marques e Rosário Castellanos. Poemas seus foram incluídos na antologia “Poesia do Mundo 3”, organizada por Maria Irene Ramalho de Sousa Santos, da Universidade de Coimbra, publicada em Portugal, com tradução de Manuel Portela para o inglês, reunindo poetas de dezesseis países,

O nome de Cyro de Mattos figura em obras como “Novo Dicionário da Língua Portuguesa”, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, “Dicionário Literário Brasileiro”, de Raimundo de Menezes, “Enciclopédia de Literatura Brasileira”, de Afrânio Coutinho, “Literatura e Linguagem”, de Nelly Novaes Coelho, “Navegação de Cabotagem”, de Jorge Amado, “Bibliografia Crítica do Conto Brasileiro”, de Celuta Moreira Gomes e Theresa da Silva Aguiar, e “Enciclopédia Barsa”. Sua obra vem recebendo estudos nas universidades. Participou como convidado do III Encontro Internacional de Poetas da Universidade de Coimbra, Portugal, em 1998. Da Feira Internacional do Livro de Frankfurt em 2010 quando autografou a antologia poética “Zwanzig von Rio und andere Gedichte”, publicada pela Projekte-Verlag, de Halle, com tradução de  Curt Meyer Clason. E do XVI Encontro de Poetas Iberoamericanos da Fundação Cultural de Salamanca, Espanha, em 2013. Possui livros pessoais publicados em Portugal, França, Alemanha e Itália. A obra de Cyro de Mattos tem sido reconhecida pelos críticos como significativa e, pela versatilidade que alcança em sua expressividade, linguagem adequada e moderna, já faz parte da literatura brasileira contemporânea. Seus contos e poemas participam de mais de 50 antologias, no Brasil e exterior. Pertence à Academia de Letras da Bahia e é Membro Titular do Pen Clube do Brasil.

 

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Acadêmico Paulo Costa Lima toma posse na Academia Brasileira de Música

O compositor Paulo Costa Lima, membro da Academia de Letras da Bahia, tomou posse no último dia 12 de agosto na Academia Brasileira de Música, ABM. O acadêmico assumiu a cadeira de nº 21, ocupada anteriormente pelo jornalista e crítico musical Luiz Paulo Horta e que tem como fundador o compositor Paulo Santoro. A cerimônia de posse foi realizada na sede da ABM no Rio de Janeiro.

Paulo Costa Lima é baiano e iniciou os estudos de música em 1969, na Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia. Graduou-se em Composição pela University of Illinois at Champaign-Urbana (USA), em 1977. É Doutor em Educação pela Universidade Federal da Bahia (1998) e em Artes pela Universidade de São Paulo (2000). Leciona Composição e Teoria da Música no nível de graduação e pós-graduação da Escola de Música, onde atua como professor desde 1979.

Clarissa Moreira de Macedo vence o Prêmio Nacional Academia de Letras da Bahia de Literatura – Poesia 2013

clarissa_macedoNesta edição, a premiação contou com 412 trabalhos inscritos de 23 estados brasileiros. A vencedora será contemplada com um prêmio no valor de R$ 20 mil e a publicação do livro por uma editora de projeção nacional.

A escritora é natural de Salvador, atualmente reside no município de Feira de Santana/Ba Clarissa Moreira de Macedo, 26 anos é a grande vencedora do Prêmio Nacional Academia de Letras da Bahia de Literatura – Poesia 2013, tradicional concurso literário patrocinado pela Braskem e pela Petrobras, com os originais intitulados “Na Pata Do Cavalo Há Sete Abismos”. O anúncio foi nesta segunda-feira, dia 11 de agosto de 2014, pelo presidente da ALB, Aramis Ribeiro Costa, e pela Comissão Julgadora formada pelos escritores e acadêmicos Fernando da Rocha Peres, Myriam Fraga e Ruy Espinheira Filho.

O prêmio – que existe há mais de 30 anos e tem como objetivo revelar talentos e proporcionar maior visibilidade a escritores brasileiros – é o mais importante concurso literário da Bahia e um dos de maior prestígio no Brasil. Este ano a premiação recebeu 412 inscrições, oriundas de 23 estados, sendo 45% da Região Nordeste, 37% da Região Sudoeste, 9% da Região Sul, 6 Centro-Oeste e 2% da Região Norte.

Sobre a autora

Clarissa Macedo, natural de Salvador – BA, reside em Feira de Santana. É licenciada em Letras Vernáculas (UEFS), mestre em Literatura e Diversidade Cultural pela mesma instituição e doutoranda em Literatura e Cultura pela UFBA. Atua como revisora, e professora de escrita criativa. Está presente em diversas coletâneas. É autora de O trem vermelho que partiu das cinzas (2014).

Colóquio Jorge Amado 2014

Entre os dias 26 e 29 de agosto, será realizado na Academia de Letras da Bahia e na Fundação Casa de Jorge Amado o Curso Jorge Amado 2014 – IV Colóquio de Literatura Brasileira. O evento, que está em sua quarta edição, apresenta o tema “Literatura e Política”.

O objetivo do evento é reunir estudiosos da literatura brasileira, em particular, da obra de Jorge Amado, para apresentarem os resultados de seus estudos e de suas pesquisas, oportunizando aos presentes a troca de experiências e a divulgação de novos conhecimentos. O evento deste ano destaca os 60 anos do livro “Os subterrâneos da Liberdade” (1954), no qual Jorge Amado compõe um painel narrativo da vida política e social do país, no ano de 1937, na Ditadura Vargas, com agudo senso crítico sobre o pensamento e as estruturas políticas da época. Assim, as conferências, as palestras e as comunicações poderão abordar obras de Jorge Amado e/ou de autores do século 20 e contemporâneos, nessa perspectiva, abordando temas como: literatura e política, literatura e liberdade, literatura e resistência, literatura e repressão, literatura e lutas sociais, em obras amadianas e/ou de outros autores. Além das conferências e mesas redondas, realizadas às 17h, haverá as sessões de comunicações, das 14h30 às 16h40, nos dias 27 e 28/08, na sede da ALB; lançamento de livros e um encerramento, na sede da FCJA no dia 29/08. Até o momento, estão confirmados como palestrantes: Eduardo Assis Duarte (Professor de Literatura da Faculdade de Letras da UFMG), Márcia Rios (Professora da Pós-graduação em Estudos de Linguagens na UNEB), Paulo Silva (UNEB), Sayonara Amaral (Professora da Pós-graduação em Estudos de Linguagens na UNEB), Marcos Silva (Professor Titular de Metodologia da História da FFLCH/USP), Gustavo Ribeiro (UFBA) e Ana Rosa Ramos (Professora Associada da UFBA).

*Informações sujeitas a alterações

PÓS-EVENTO
Em todas as suas edições, o curso não se restringiu apenas, o que já seria muito, aos estudos amadianos, mas, igualmente, à promoção da literatura brasileira de uma maneira geral. Como parte deste objetivo, a divulgação dos trabalhos em livro torna-se também um grande incentivo aos estudiosos e pesquisadores. Assim, a cada edição do curso, é feita uma seleção dos trabalhos e os escolhidos são publicados, sendo lançados no ano subsequente. Na abertura do IV Curso Jorge Amado, será lançado o livro: “Jorge Amado, Cacau: a volta ao mundo em 80 anos”, com depoimentos e trabalhos apresentados na edição 2013 do Curso.

SERVIÇO:
Data: 26 a 29 de Agosto de 2014
Local: Academia de Letras da Bahia
Rua Joana Angélica, 198 – Nazaré

Saiba mais em: http://www.jorgeamado.org.br/

Sessão homenageia o poeta e ensaísta Ivan Junqueira

Na quinta-feira (31) a Academia de Letras da Bahia realizou uma sessão em homenagem à memória do poeta Ivan Junqueira, que ocupava, desde o ano 2000, a cadeira nº 37 da Academia Brasileira de Letras, antes pertencente ao também poeta João Cabral de Melo Neto. Falecido no último dia 3 de julho, Ivan Junqueira atuava como escritor, jornalista e crítico literário em grandes jornais e publicações especializadas do Brasil e do exterior. Venceu importantes prêmios nacionais, como o Prêmio Nacional de Poesia, do Instituto Nacional do Livro / INL (1981) e o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1995, 2005, 2008 e 2010, por sua obra poética e ensaística.

Dentre seus livros mais conhecidos estão A sagração dos ossos e O outro lado (poemas) e À sombra de Orfeu, O fio de Dédalo e O encantador de serpentes (ensaios literários). Foi também tradutor de importantes obras de T. S. Eliot, Marguerite Yourcenar, Jorge Luis Borges, Charles Baudelaire e Marcel Proust. Junqueira completaria 80 anos em novembro.

A sessão consistiu de depoimentos e da leitura de seus poemas pelos acadêmicos Ruy Espinheira Filho, Myriam Fraga, Fernando da Rocha Peres e Luís Antônio Cajazeira Ramos.