Lançamento do romance “Os Ventos Gemedores”, de Cyro de Mattos.

Data: 2 de setembro de 2014 (terça-feira), às 18 horas.

Local: Academia de Letras da Bahia, Av. Joana Angélica, 198, Nazaré, Palacete Goes Calmon, Salvador-BA. Entrada Franca.

 

O LIVRO:

Neste romance de ritmo ágil, o leitor irá escutar a fúria de ventos compulsivos, que assim abalam e deixam-nos perplexos, de tal sorte os gestos de criaturas primitivas, de anseios tão densos e chocantes, em meio a situações de desespero. Também encontrará gente de sentimentos inocentes, que está na vida para mostrar os seus instantes de ternura numa paisagem rústica, caracterizada pela natureza bárbara do ambiente e de seus viventes.  

Personagens de papel transmudam-se em gente com sangue quente a correr nas veias neste romance com seus dramas, ambições, opressões e misérias da terra. O autor revela com eles que é dotado de outra virtude: a de estar isento do tom panfletário, da ideologia extrema que contamina o estético e reprime a criação. Sua escrita está como que moldada na linguagem simples das histórias contadas pelos ancestrais, ao redor da fogueira no terreiro ou no alpendre da casa tosca, iluminada à luz de candeeiro. 

A narrativa desses ventos gemedores transmuda as terras do sul da Bahia, no condado imaginário do Japará, região onde a mata recuada, hostil e impenetrável, vai dando lugar às primeiras e tateantes roças de cacau e campos de pecuária. Resulta de um imaginário que ultrapassa os limites conhecidos do real no território sul baiano, das outrora ricas plantações de cacau e pioneiras fazendas de gado nas zonas do capinzal. A narrativa segura, que devassa lugares brasileiros onde a ação de personagens se desenvolve no conflito movido pelo mandonismo de Vulcano Brás e pela busca da vida livre e justa, representada pelo vaqueiro Genaro, confere permanência ao romance, depois do ato de leitura.

O leitor voltará a remoer os acontecimentos do universo ficcional projetado pelo autor e perceberá a marca de um narrador dramático, que funde o real e o fantástico com maestria, dentro da metamorfose rítmica do relato, girando no seu eixo através dos novos significados recolhidos de outras passagens.

Nos episódios de Os ventos gemedores latejam brutalidades dum homem sedento e faminto pelos domínios da terra, que avilta outros homens indefesos com seu egoísmo impiedoso. Na mensagem que se expressa no texto vigoroso, revestido de brasilidade e humanismo, emerge uma fabulação interior que confere vida psíquica aos personagens, não apenas como tipos interessantes, agentes populares desempenhando seu papel no cenário dos conflitos sociais. Nesses personagens primitivos, sabe o autor imprimir, como poucos, uma dimensão interior enraizada na explosão dos dramas e das misérias coletivas. No que toca a este jogo psíquico e o drama, como observa o crítico Cid Seixas, doutor em Letras pela USP (Universidade de São Paulo), em comentário ao livro Berro de fogo e outras histórias: “Quando um destes personagens se deixa surpreender na intimidade da vida é que se percebem os desvãos da sua alma”.

 

O AUTOR:

 Cyro de Mattos nasceu em Itabuna, cidade do sul da Bahia, em 31 de janeiro de 1939, filho de Augusto José de Mattos e Josephina Pereira de Mattos. Primeiros estudos na cidade natal. Completou o curso ginasial no Colégio Maristas, em Salvador, e fez o curso clássico no Colégio da Bahia (Central). Diplomado em advocacia pela Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, em 1962. Como universitário, dirige o jornal “A Palavra”, do Centro Acadêmico Ruy Barbosa. Advogado aposentado, depois de militar durante quarenta anos nas comarcas da região cacaueira na Bahia. Jornalista com passagem na imprensa do Rio de Janeiro, onde foi redator do “Diário de Notícias”, “Jornal do Comércio” e “O Jornal”. Ainda no Rio de Janeiro, de 1966 a 1971, colabora com artigos e contos nas revistas “A Cigarra”, “Cadernos Brasileiros” e “Leitura”; no “Jornal do Escritor”, “Jornal de Letras”, suplementos literários do “Jornal do Comércio” e “Jornal do Brasil”. Nos últimos trinta e cinco anos, colaborações suas aparecem na “Revista da Bahia” (Salvador), revistas “Exu”, da Fundação Casa de Jorge Amado (Salvador), “Quinto Império”, do Gabinete Português de Leitura (Salvador), “Iararana” (Salvador), “Cultural A Tarde”, do jornal “A Tarde” (Salvador), “O Escritor”, da União Brasileira de Escritores (São Paulo), “Jornal da Manhã” (Sergipe), “Tribuna do Escritor” e “Rio Artes” (Rio de Janeiro), “Suplemento Literário de Minas Gerais” (Belo Horizonte), Revista de Literatura Brasileira (São Paulo) e “Literatura” ( Brasília).

Contista, poeta, cronista, novelista, ensaísta, autor de livros infantis, organizador de antologia. Já publicou 50 livros, possui inúmeros prêmios literários, e, entre eles, o Prêmio Nacional de Ficção Afonso Arinos, concedido pela Academia Brasileira de Letras para o livro “Os Brabos”, o Prêmio Jabuti (menção honrosa) para “Os Recuados”, o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte para “O Menino Camelô”, poesia infantil, e, com o “Cancioneiro do Cacau”, o Prêmio Nacional Ribeiro Couto da União Brasileira de Escritores, Rio de Janeiro, para livros inéditos, e o Prêmio Internacional de Poesia Maestrale Marengo d’Oro, Gênova, Itália. Distinguido com os títulos da Ordem do Mérito da Bahia e Personalidade Cultural da União Brasileira de Escritores, Rio de Janeiro. Participa em várias antologias internacionais do conto, como “Visões da América Latina”, publicada na Dinamarca, na qual estão inclusos, entre outros, Jorge Luís Borges, Alejo Carpentier, Miguel Angel Astúrias, Juan José Arreola, Julio Cortázar, José Donoso, Mario Vargas Llosa, Juan Carlos Onetti, Juan Rulfo, Mário de Andrade, Aníbal Machado e Clarice Lispector, e “Narradores da América Latina”, editada na Rússia, na qual  figuram, entre outros, Julio Cortázar, Mario Benedetti, René Marques e Rosário Castellanos. Poemas seus foram incluídos na antologia “Poesia do Mundo 3”, organizada por Maria Irene Ramalho de Sousa Santos, da Universidade de Coimbra, publicada em Portugal, com tradução de Manuel Portela para o inglês, reunindo poetas de dezesseis países,

O nome de Cyro de Mattos figura em obras como “Novo Dicionário da Língua Portuguesa”, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, “Dicionário Literário Brasileiro”, de Raimundo de Menezes, “Enciclopédia de Literatura Brasileira”, de Afrânio Coutinho, “Literatura e Linguagem”, de Nelly Novaes Coelho, “Navegação de Cabotagem”, de Jorge Amado, “Bibliografia Crítica do Conto Brasileiro”, de Celuta Moreira Gomes e Theresa da Silva Aguiar, e “Enciclopédia Barsa”. Sua obra vem recebendo estudos nas universidades. Participou como convidado do III Encontro Internacional de Poetas da Universidade de Coimbra, Portugal, em 1998. Da Feira Internacional do Livro de Frankfurt em 2010 quando autografou a antologia poética “Zwanzig von Rio und andere Gedichte”, publicada pela Projekte-Verlag, de Halle, com tradução de  Curt Meyer Clason. E do XVI Encontro de Poetas Iberoamericanos da Fundação Cultural de Salamanca, Espanha, em 2013. Possui livros pessoais publicados em Portugal, França, Alemanha e Itália. A obra de Cyro de Mattos tem sido reconhecida pelos críticos como significativa e, pela versatilidade que alcança em sua expressividade, linguagem adequada e moderna, já faz parte da literatura brasileira contemporânea. Seus contos e poemas participam de mais de 50 antologias, no Brasil e exterior. Pertence à Academia de Letras da Bahia e é Membro Titular do Pen Clube do Brasil.

 

SAIBA MAISwww.letraselvagem.com.br

 

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