João Carlos Salles toma posse na Academia de Letras da Bahia

O filósofo e atual Reitor da Universidade Federal da Bahia João Carlos Salles tomou posse, no último dia 6 de novembro, da cadeira de número 32 da Academia de Letras da Bahia, que tem como patrono o cachoeirano André Pinto Rebouças e como fundador o historiador Teodoro Sampaio. Ex-presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (ANPOF) e atual presidente da Sociedade Interamericana de Filosofia, Salles é também doutor em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas e autor de diversos livros, dentre os quais A Gramática das Cores em Wittgenstein (CLE/Unicamp, 2002), O Retrato do Vermelho e Outros Ensaios (Ed. Quarteto, 2006) e O Cético e o Enxadrista: Significação e Experiência em Wittgenstein (Ed. Quarteto, 2012).

Sua experiência na área de filosofia volta-se, sobretudo, na perspectiva da epistemologia e da filosofia da linguagem, para a história da filosofia moderna e contemporânea, com ênfase no empirismo clássico e na obra de Ludwig Wittgenstein. Membro titular fundador da Academia de Ciências da Bahia, desenvolve a pesquisa “A Gramática da Experiência: O anímico na filosofia da psicologia de Wittgenstein”, com bolsa do CNPq, coordenando também o PRONEX Filosofia e Ciências (FAPESB/CNPq).

A cerimônia de posse, conduzida pelo presidente da Casa, Aramis Ribeiro Costa, contou com a presença de diversas personalidades do mundo universitário e cultural da Bahia. O novo acadêmico foi recepcionado pelo confrade Paulo Costa Lima.

Biografia do acadêmico Edivaldo Boaventura será lançada terça-feira, na Reitoria da UFBA

Um cidadão prestante , obra biográfica de autoria do jornalista e professor Sérgio Mattos, narra a trajetória de vida do intelectual, professor, educador e ensaísta baiano Edivaldo M. Boaventura, ex-presidente da Academia de Letras da Bahia e duas vezes secretário da Educação e Cultura do Estado. A obra será lançada no próximo dia 04/11 (terça-feira), às 18h30 na Reitoria da Universidade Federal da Bahia.

O livro preenche uma lacuna no jornalismo baiano abordando as contribuições deste intelectual para a Educação e a Comunicação na Bahia. A relação autor-biografado nasceu a partir de relações profissionais, quando Sérgio Mattos e Edivaldo Boaventura atuaram na redação do jornal A Tarde. O novo livro-reportagem é um  lançamento da Quarteto Editora em parceira com a Universidade Federal da Bahia / UFBA.

O biografado

Natural de Feira de Santana, Edivaldo Machado Boaventura é bacharel em Direito e em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia onde se doutorou e obteve a docência livre em Economia Política. Cursou o Institut International de Planification de l’Éducation – UNESCO (1971/1972), em Paris, é mestre em Educação (1980) e Ph.D. (1981) pela The Pennsylvania State University, diplomando-se pelo curso de Altos Estudos de Política e Estratégia, ESG, em 1989.

Edivaldo Boaventura é membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, membro da Academia de Letras Jurídicas da Bahia, da Academia Brasileira de Educação e da Academia de Letras de Feira de Santana. É também sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil. Dentre suas principais obras se destacam às voltadas para educação, metodologia da pesquisa e livros sobre outros intelectuais baianos.

O autor

Sérgio Mattos é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (1971), poeta, cronista, compositor e pesquisador universitário com 25 livros publicados no Brasil e no exterior. Professor aposentado da UFBA, integra o quadro docente da UFRB – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, onde ingressou, por concurso público, como professor adjunto do curso de Jornalismo. É também Mestre e Doutor em Comunicação pela Universidade do Texas, em Austin, Estados Unidos.

 

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Academia de Letras da Bahia, Braskem e Petrobras entregam Prêmio Nacional ALB

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Clarissa Macedo

A Academia de Letras da Bahia, Petrobras e Braskem fizeram a entrega oficial do Prêmio Nacional Academia de Letras da Bahia – Poesia 2013, na terça-feira, 28, no Palacete Góes Calmon, em Nazaré. A vencedora desta edição é a escritora baiana Clarissa Moreira de Macedo. Ela foi premiada em R$ 20 mil e a publicação do livro Na Pata do Cavalo Há Sete Abismos, pela editora 7 Letras. O evento contou com o lançamento da obra premiada, em sessão de autógrafos.

O Prêmio Nacional Academia de Letras da Bahia (ALB), patrocinado pela Braskem e pela Petrobras, tem como objetivo revelar talentos e proporcionar maior visibilidade a escritores brasileiros. Este ano a premiação recebeu 412 inscrições, oriundas de 23 estados, sendo 45% da Região Nordeste, 37% da Região Sudoeste, 9% da Região Sul, 6% Centro-Oeste e 2% da Região Norte.

A escritora Clarissa Macedo é natural de Salvador, mas mora em Feira de Santana. É licenciada em Letras Vernáculas (UEFS), mestre em Literatura e Diversidade Cultural pela mesma instituição e doutoranda em Literatura e Cultura pela UFBA. É autora do livro O trem vermelho que partiu das cinzas (2014).

A primeira edição do Prêmio Nacional Academia de Letras da Bahia de Literatura ocorreu no ano de 1983 e desde lá tem proporcionado visibilidade às obras dos autores premiados como Evaldo Balbino (Amores oblíquos), Roberval Pereyr (Mirantes), Ordep Serra (Ronda: oratório malungo), Otto Leopoldo Winck (Jaboc), Rodrigo Petrônio Ribeiro (Venho de um país selvagem), Luís Antônio Cajazeira Ramos (Temporal, temporal), Antônio Brasileiro (Dedal de Areia), Aleilton Fonseca (O canto da Alvorada), Jorge de Souza Araújo (Floração de imaginários: o romance baiano no século XX) e Gláucia Lemos (O riso da raposa),  dentre outros.

 

Romances de Wilson Lins são reeditados pela Coleção Mestres da Literatura Baiana

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A Academia de Letras da Bahia e a Assembleia Legislativa do Estado da Bahia promoveram o relançamento, no último dia 14 de outubro, de mais três livros da “Coleção Mestres da Literatura Baiana”: Os Cabras do CoronelO Reduto e Remanso da Valentia, do escritor baiano Wilson Lins (1920-2004). O relançamento foi feito na sede da ALB, com a presença do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo; do Desembargador do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Valtercio Ronaldo de Oliveira, e da Desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA), Heloisa Pinto de Freitas Graddi. Estiveram ainda presentes os acadêmicos: João Eurico Matta, Edivaldo Boaventura, Ordep Serra, Aleilton Fonseca, Luis Antonio Cajazeira Ramos, Yeda Pessoa de Castro, Florisvaldo Matos e Aramis Ribeiro Costa – Presidente da ALB, além de familiares (irmão, filho, netos e bisnetos) do homenageado.

Para o presidente da ALB Aramis Ribeiro Costa, “Sem se submeterem a qualquer título comum e podendo ser lidos separadamente sem prejuízo do entendimento ou do encanto narrativo, os três romances que apresentamos nos volumes cinco, seis e sete da ‘Coleção Mestres da Literatura Baiana’, formam, em conjunto, a mais alta representação de um importante território ficcional da Bahia”.

Com o lançamento, a “Coleção Mestres da Literatura Baiana”, que tem como principal objetivo divulgar obras fundamentais da literatura no estado, chega à sétima edição. A previsão é de que sejam lançados, brevemente, mais dois títulos: Histórias da Gente Baiana, de Vasconcelos Maia, e O telefone dos Mortos, de João Carlos Teixeira Gomes.

 

Antonio Torres é eleito para vaga de João Ubaldo Ribeiro

A Academia de Letras da Bahia elegeu por unanimidade, no último dia 30 de outubro, o escritor baiano Antonio Torres. O autor de clássicos da literatura contemporânea, como Essa terra, Um táxi para Viena d´Áustria e Meu querido canibal foi eleito para a cadeira de número 9, ocupada anteriormente pelo também romancista baiano João Ubaldo Ribeiro. Antonio Torres declarou por telefone ao presidente da ALB, Aramis Ribeiro Costa, sua alegria por integrar essa instituição que o aproximará ainda mais da Bahia, sua terra natal.

O romancista baiano nasceu em Junco, atual município de Sátiro Dias e cenário de alguns dos seus romances, a exemplo de O cachorro e o lobo e Essa terra, seu maior sucesso. Torres, que tem livros publicados em Cuba, Argentina, França, Alemanha, Estados Unidos, Albânia e Bulgária, entre outros países, foi condecorado pelo governo francês, em 1998, com a ordem “Chevalier des arts e des lettres”, por suas obras publicadas no país, e ganhou o prêmio Machado de Assis (2000) e o Zaffari e Bourbon (2001). Além de 11 romances, publicou um livro de contos, um livro infantil e um de crônicas, perfis e memórias. Membro da Academia Brasileira de Letras, sua obra é editada pela Record.

 

ALB comemora centenário de nascimento de José Mindlin

A Academia de Letras da Bahia comemorou, no dia 2 de outubro, o centenário de nascimento do membro correspondente José Mindlin (1914-2014). Na oportunidade, os acadêmicos Urania Tourinho e Fernando da Rocha Peres, amigos pessoais do homegeado, destacaram aspectos da vida e da atuação do eminente empresário, escritor e bibliófilo brasileiro.

Mindlin, que também era imortal da Academia Brasileira de Letras, possuiu um acervo de aproximadamente 40 mil volumes naquela que era considerada a maior e mais importante biblioteca pessoal do país. O evento contou com a participação dos acadêmicos João Eurico Matta, Edivaldo Boaventura, Myriam Fraga, Ordep Serra, Geraldo Machado, D. Emanuel d’Able Amaral, Guilherme Radel, Yeda Pessoa de Castro, Evelina Hoisel e Cleise Mendes, entre outros convidados.

 

Guilherme Radel toma posse na ALB

Eleito com 24 votos, o engenheiro e escritor Guilherme Radel tomou posse, no último dia 9 de outubro, da cadeira nº 3 da Academia de Letras da Bahia, que tem como Patrono Manuel Botelho de Almeida.

A cerimônia de posse, conduzida pelo presdiente da Casa, Aramis Ribeiro Costa, contou com a presença do secretário da Cultura do Estado da Bahia, Albino Rubim, parentes e amigos do mais novo membro. O discurso de recepção foi feito pelo empresário, escritor e também acadêmico Joaci Góes.

Radel foi eleito em junho deste ano para ocupar a cadeira antes pertencente à historiadora e ex-diretora do Arquivo Público do Estado da Bahia Anna Amélia Vieira Nascimento. Natural de Salvador, formado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, Radel é professor, empresário, pecuarista e autor de diversos livros, dentre os quais A cozinha sertaneja da Bahia, A cozinha praiana da Bahia e A cozinha africana da Bahia, que realizam um painel geral da cozinha baiana, abordando de forma leve, mas com profundidade, tópicos históricos, sociológicos, etnológicos, econômicos, ecológicos e científicos.

Escreveu também Cuba libre, impressões sobre viagem realizada a Cuba; Aprendiz de fazendeiro, guia de pecuária, dando ênfase aos ensinamentos dirigidos a pequenos produtores que se dedicam à caprino-ovinocultura. Na área técnica, escreveu obras como A obra pública ou um dos diálogos que Platão não escreveu, que se tornou um clássico entre as publicações técnicas, com 13 edições, entre outras.

 

Helena Parente Cunha: O escritor e o mundo conturbado de hoje

Entrevista de Cyro de Mattos

Helena Parente Cunha nasceu em Salvador, Bahia, Brasil.  Depois de lecionar no Curso de Letras, da Universidade Federal da Bahia, transferiu-se para o Rio de Janeiro onde vive há décadas, foi reconhecida como Professora Emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro e se tornou docente da Pós-Graduação da Faculdade de Letras. Autora de trinta livros publicados (poesia, conto, romance, ensaio, crítica literária) e quase uma centena de volumes com outros autores, no Brasil e no exterior. Seus livros receberam prêmios em concursos de expressão nacional.  É dessa mulher de caráter afável, erudita, criativa,  que procuramos saber sobre a condição do escritor e os caminhos da literatura  no mundo massificado de hoje, cheio de fortes  agressões e cobranças.

 

Thomas Mann acha que ser escritor é uma maldição, que começa cedo, terrivelmente cedo. Para  você, que caminha nessa estrada feita de solidões e desejos, dores e ternuras, o que é ser escritor? Destino, profissão, missão?

Como escritora, vejo-me  levada a tentar dizer o que sinto no turbilhão de emoções em que a vida nos coloca. E também tentar dizer o que penso neste mundo de violência e atravessado de contradições e desacertos. Como a realidade é sempre mais do que as palavras podem abarcar, muitas vezes, na tentativa de dizer o indizível, é preciso ultrapassar a língua, mesmo desrespeitando a gramática e as normas da correção. Mas não pelo simples gosto da transgressão e sim pela urgência do dizer.

Não acho que ser escritor seja maldição. Escrever é muitas vezes doloroso na busca da palavra que se recusa a vir à tona.  Mas é sempre altamente gratificante e prazeroso.

 

Hoje vivemos em uma sociedade que prioriza o estômago, o corpo e o poder. Que função tem a literatura  em um mundo que cada vez mais concebe os valores éticos e espirituais como expressão de nadas?

Acredito que a literatura não tenha obrigações salvacionistas, mas tem um compromisso com seu tempo, expressa as tendências da sua época, misérias ou grandezas, frustrações ou vitórias, vícios, esperanças.

Atualmente, em várias cidades brasileiras, sei da existência de inúmeros grupos de poetas e poetisas que se reúnem periodicamente, uma vez por semana ou por quinzena, por exemplo, para dizer poemas da própria autoria, sentindo-se estimulados para escrever sobre temas variados que podem transformar-se em livros individuais ou coletivos. Pelo que entendi, produzem por indiscutível prazer em criar e divulgar sua produção no próprio grupo ou na internet ou em performances em várias cidades e até estados. Por não haver sido ainda legitimada pelos críticos ou pelos cursos de Letras, essa produção fica um tanto à margem da chamada literatura oficial. De uma forma ou de outra, constitui uma das belas características de nossa pós-modernidade multifacetada, onde convivem os extremos positivos e negativos.

 

A sociedade contemporânea cultiva, em grande escala, a imagem e o som como linguagens para dizer a vida. O suporte do livro tradicional mudou com a chegada dos meios eletrônicos.  O livro impresso está na fase terminal?

Não acredito nesta visão um tanto apocalíptica. Da mesma forma que a fotografia não acabou com a pintura nem o cinema desbancou o teatro, acho que a riqueza do real exige novas linguagens para ser expressa, sem que uma necessariamente derrube a outra.

 

Não se pode deixar de considerar que o texto literário abraçou  um novo espaço democrático graças à internet, através do exercício usual de blogs, jornais e revistas eletrônicas.   Isso  faz bem ou mal à literatura?

Cada época tem seu modo específico de considerar o texto literário. Nossa época se caracteriza por mudanças radicais ocorridas em tempo recorde, o que resulta na coexistência de vários aspectos díspares e contraditórios que disputam espaço na página ou na tela. A especificidade do ser literário também se altera ao sabor das características temporais. No novo espaço democrático oferecido pelos meios eletrônicos, sinto que há mais flexibilidade para o gosto não só das elites acadêmicas, mas também para um espaço democrático.

 

Com a presença forte da televisão e dos meios eletrônicos, a literatura passou a ter grandes concorrentes como instrumentos de lazer e forma de conhecimento. De que maneira isso afeta o autor, que já foi muito prestigiado em outros tempos?

Houve tempos em que o poeta era cultuado como um profeta ou enviado dos deuses. Em outros tempos se destacava como porta-voz da ideologia vigente.

E hoje, onde a tendência se volta para a multiplicidade de expressão, muitas vezes o autor ou a autora se vê pressionado pela originalidade do texto e pela urgência em inovar, o que pode redundar em extravagâncias e obsessão pelo ineditismo. O prestígio vivido pelo escritor no passado me parece obscurecido pela excessiva valorização do poder econômico e seu afã de abranger e deformar valores e princípios.

 

Uma enxurrada de autores continua a passar  por debaixo da ponte. Hoje se escreve mais para menos leitores?

Não sei se hoje se escreve mais para menos leitores, entretanto, talvez por conta da democratização trazida pelos meios eletrônicos, um número maior de autores encontrou mais possibilidades para suas publicações, considerando-se ainda as atuais tendências para abolir hierarquias e hierarquizações, rejeitar regras e formulações que em outros tempos se impunham para a criação literária.

 

Seu romance, Mulher no Espelho, Prêmio Nacional Cruz e Sousa, da Fundação Cultural de Santa Catarina, já em décima edição, é um marco na moderna ficção feminina, a partir da década 70. Fale um pouco desse romance maior em nossas letras.

Como disse,  escrevo para dizer o que sinto e também o que penso e muito do que imagino. E para apontar abusos, injustiças, violência da sociedade patriarcal, desesperos do sentimento de culpa, hipocrisias das fórmulas vazias da falsa convivência de uma sociedade refém das aparências, as certezas de verdades mentirosas, os preconceitos contra os excluídos, o desejo, o corpo, mulheres anuladas ante o todo-poderoso pai ou marido, distorções da cultura machista, dilaceramento entre dúvidas e milenares perguntas sem respostas. Entre momentos líricos, irônicos, satíricos, dramáticos, trágicos, se sucedem monólogos, reflexões e angústias.

Escrever este livro foi aprendizado cruel que me levou a mais de um ano de depressão. Mas o prazer dessa escrita me trouxe a recompensa de sentir que vale a pena ser escritora.

 

Fale também sobre  Impregnações na Floresta, seu último livro de poesia,  motivado por uma viagem feita à Amazônia. Um belo livro  revestido  das percepções  íntimas, interiorizado por seu sentimento e sensibilidade decorrente do seu estar no mundo. Como a crítica e seus leitores receberam o livro?

Foi um livro que procurou reviver momentos de silêncio e contemplação no encantamento indizível da floresta. Acho que, por este motivo, as pessoas que se comunicaram comigo me pareceram, de certo modo, integradas naquela magia.

 

Embora sua obra seja de alto nível, elaborada em várias frentes,   estudada em universidades, não desfruta da mídia que privilegia um pequeno grupo.  Como você encara esse tempo que divulga inverdades e valores duvidosos?

Para lhe dar uma resposta justa, teria que ler mais sobre o que a mídia  publica e mais dos livros com que a mídia se ocupa.

 

Entre suas atividades literárias, qual a que mais lhe completa, a de ficcionista, poeta, ensaísta, crítica  ou professora universitária?

A depender do meu estado de espírito, eu percebo o gênero que mais me convém naquele momento. Quando me deixo levar pela emoção, pela fantasia, escolho o lírico, porquanto me parece que o poema curto concentra melhor o transbordar do sentimento.  Diante de realidades concretas que me chamam a atenção pelo abuso do poder, intolerância, discriminação, prepotência, etc, prefiro narrar e assinalar minha revolta ante os absurdos de muitos dos relacionamentos humanos. Nessas circunstâncias, é preferível o conto ou o romance. No ensaio proponho um estudo sobre questões de ordem cultural, social, psicológica e que em geral tem a ver com minhas pesquisas ou temas de minhas aulas. Quando escrevo sobre escritores, jamais critico, mas se o texto não me agrada, prefiro me calar.

 

Você foi convidada para participar do XVII Encontro de Poetas Iberoamericanos em Salamanca, em outubro deste ano.  Trata-se de evento com repercussão internacional, promovido pela Fundação de  Salamanca, Cidade de Cultura e Saber, na Espanha. Qual a sua expectativa em integrar um conjunto de importantes poetas iberoamericanos  e, assim,  participar de evento que dignifica a poesia sob vários aspectos?  

É uma alegria, uma honra, uma responsabilidade. Responsabilidade, porque sei da importância desse Encontro de Poetas iberoamericanos de repercussão internacional. Sei também do renome do poeta Alfredo Pérez Alencar que coordena esse Encontro. Todos sabem do valor histórico e cultural de Salamanca, no cenário mundial e da sua famosíssima Universidade. Portanto,  sinto-me honrada por fazer parte de um evento dessa dimensão. Apesar do peso da responsabilidade, alegro-me e agradeço pelo ensejo de viver tão rica experiência.