Rinaldo de Fernandes lançou romance e pronunciou palestra sobre “Questões da Literatura no Nordeste” na ALB

O escritor Rinaldo de Fernandes, autor de contos e romances premiados, e prestigiado autor de antologias e coletâneas nacionais de contos e ensaios, pronunciou, na quinta-feira, 30 de abril, uma palestra na Academia de Letras da Bahia, sobre o tema “Questões da Literatura no Nordeste”. Abordando questões relativas às temáticas, estilos e tendências dos contistas e romancistas nordestinos contemporâneos, bem como aspectos relativos à recepção desses autores e ao mercado editorial, no Brasil, Rinaldo motivou comentários e observações dos acadêmicos presentes, num clima festivo de confraternização literária que se prolongou com o lançamento do seu novo romance, Romeu na estrada, publicado recentemente pela editora Garamond.

Nascido no Maranhão, mas há muitos anos estabelecido em João Pessoa, na Paraíba, Rinaldo de Fernandes é romancista, contista, ensaísta, antologista e professor universitário. Dentre seus livros mais conhecidos estão O perfume de Roberta (2005) e Rita no pomar (2008), finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, objeto de vários estudos universitários no Brasil e no exterior. Rinaldo é também autor do livro de ensaios sobre literatura, Vargas Llosa – um Prêmio Nobel em Canudos (2012), e de diversas coletâneas e antologias nacionais, a exemplo de Chico Buarque do Brasil (2004), Contos cruéis – as narrativas mais violentas da literatura brasileira contemporânea e Quartas histórias – contos baseados em narrativas de Guimarães Rosa, ambos de 2006.

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O romance Romeu na estrada narra, no seu plano principal, uma noite de viagem de Romeu num ônibus. Nessa viagem o protagonista vai recordando dos dois grandes amores de sua vida, Sofia e Ângela, e da relação dele com os familiares, especialmente com o afetuoso e humorado avô, após ter perdido o pai (a revelação da causa da morte do pai de Romeu é um momento de forte impacto no livro!). Um caso de paixão misterioso, perverso, envolvendo duas pessoas próximas de Romeu e marcando decisivamente o destino do protagonista, é deixado para ser revelado no final. Mais uma vez, como em Rita no pomar, o aplaudido romance anterior de Rinaldo de Fernandes que foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura de 2009, que teve um posfácio consagrador do crítico Silviano Santiago, que já caiu em vestibulares e que já foi objeto de vários estudos acadêmicos (entre eles o do Prof. Ravel Giordano Paz, doutor em Literatura Brasileira pela USP, publicado na Remate de males, revista do Departamento de Teoria Literária da UNICAMP), há no desfecho uma peripécia que altera os rumos da história, surpreendendo o leitor.
Romeu é um professor universitário de Música que mora em São Paulo. Um membro importante de sua família foi, nos anos 70, no Recife, um implacável torturador. Um dos capítulos chega a narrar, do ponto de vista do protagonista, o famoso Atentado dos Guararapes, no qual uma bomba foi detonada no dia em que chegaria ao Recife o general Costa e Silva. Por causa da bomba, o general foi obrigado a descer no aeroporto de João Pessoa e seguir por terra para o Recife.

Embora com esse fundo histórico, Romeu na estrada é, antes de tudo, uma dilacerante história de amor. Ou um livro sobre a paixão e suas penúrias. Ou ainda sobre a solidão e seus desassossegos. E lança as questões: Toda traição é igual? Há um tipo de traição pior do que a traição amorosa?
O posfácio de Luciano Rosa, doutor em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, ajuda a iluminar elementos importantes deste romance que, se desenvolvendo a partir de dois núcleos principais, tem uma forma fragmentada (“Romeu aos pedaços” foi como a escritora Leila Guenther, primeira leitora, chamou a narrativa). Uma forma fragmentada e muito original: a atraente mas sofrida história de Ângela, paixão da juventude de Romeu, alternando-se, a partir de certo momento, com a de Sofia, amor da maturidade do protagonista, configura uma “narrativa em abismo” (“mise en abyme”), ou seja, uma segunda história posta numa primeira; a história de Ângela espelha, em certos aspectos aos quais o leitor deve ficar atento para melhor capturá-los, os sentidos da história de Sofia, numa articulação sutil e magistral do romancista. Enfim, um romance denso, muito inteligente, incisivo, poético, e que comunica bem – qualquer leitor compreende, em seus pontos principais, o drama pelo qual Romeu passa. Luciano Rosa escreve no posfácio: “Interpolando penúria e estabilidade financeira, vida mambembe e solidez profissional, investimentos amorosos e falências afetivas, aconchego familiar e conluio perverso, a trama alegoriza o que há de aleatório e imponderável em nossas aventuras e desventuras particulares”. E pode atestar a qualidade de Romeu na estrada o entusiasmo do editor Ari Roitman, que é também um dos maiores tradutores de ficção no Brasil, em mensagem ao autor após decidir pela publicação: “Li o romance e adorei!”.

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