Morte de Consuelo Pondé de Sena deixa imenso vazio na história e na cultura da Bahia

A Academia de Letras da Bahia lamenta profundamente o falecimento, aos 81 anos, da historiadora Consuelo Pondé de Sena, ocorrido na manhã desta quinta-feira, 14 de maio. Há vinte anos presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, instituição à qual ela dedicou o melhor do seu talento e das suas forças, Consuelo também ocupava, desde março de 2002, a cadeira número 28 da Academia de Letras da Bahia, antes pertencente ao também historiador José Calazans Brandão e Silva e que tem como patrono o poeta Junqueira Freire (1832-1855). Foi acadêmica atuante e de presença marcante na história da ALB.

Consuelo Pondé de Sena

Consuelo Pondé de Sena

Consuelo estava internada no Hospital Português, desde 3 de maio, devido a complicações cardiopulmonares que levaram a uma arritmia cardíaca. O corpo da historiadora, velado no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, até as 20 horas desta quinta-feira (14), será cremado nesta sexta-feira (15), a partir das 11 horas, no cemitério Jardim da Saudade.

A presidente da ALB, Evelina Hoisel, decretou luto oficial na instituição, declarando que “a perda, imensa, não é apenas para a Academia de Letras, mas também para a Bahia, a Cultura e a nossa memória”. “Consuelo dedicou toda a sua vida, com muito zelo, à nossa memória cultural. Ela estava sempre presente porque não se omitia e possuía a característica mais nobre do intelectual que é a de assumir o risco e expor o seu ser em prol de um ideal, pelo qual sempre lutou, e por suas ideias. Ela permanece presente, não somente por estar imortalizada, como acadêmica, mas por tudo que construiu nas diversas instituições que dirigiu e das quais participou”.

Para Eduardo Morais de Castro, presidente em exercício do IGHB, desde agosto de 2014, quando Consuelo se afastou por problemas de saúde, a morte dela é uma perda irreparável. “Ela era presidente do IGHB há vinte anos. Se a instituição ainda está de pé, é por causa da tenacidade dela, da sua busca por manter uma instituição cultural de pé, e enfrentar as muitas dificuldades. Ela tinha um caráter combativo na busca por essa sobrevivência”.

Nascida em Salvador, em 19 de janeiro de 1934, filha do médico Edístio Pondé e de Maria Carolina Montanha Pondé, Consuelo destacou-se em seus estudos sobre a Língua Tupi e a Etnologia Geral e do Brasil. Em 1959 e 1960, substituiu, por alguns meses, o prof. Frederico Edelweiss, na regência do curso de Língua Tupi. Em 1963, em face da aposentadoria o referido professor, assumiu a regência da disciplina. Submeteu-se a concurso de título e, durante 31 anos, foi professora de Tupi, lotada no Departamento de Antropologia. Na mesma Faculdade, foi professora de História da Arte, por indicação do seu mestre Godofredo Filho. Também substituiu Carlos Eduardo da Rocha, na Escola de Jornalismo, onde ensinou História da Cultura Artística e Literária.

Mestra em Ciências Sociais – área de concentração – História Social. Apresentou dissertação de mestrado em 1977, com o trabalho: “Introdução ao Estudo de Uma Comunidade do Agreste Baiano – Itapicuru 1830-1892”. Em 1974 foi nomeada diretora do Centro de Estudos Baianos da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas – FFCH, da UFBA. Dirigiu a Casa de Rui Barbosa da ABI, de cuja diretoria faz parte há muitos anos. Foi Vice Presidente do Conselho da Mulher Executiva da ACB. Assumiu a direção do Arquivo Público do Estado em 1986, nele permanecendo até 1990.

Em 1997 foi Presidente da Comissão em homenagem ao Sesquicentenário de Castro Alves. Nos anos de 1999 e 2001 também presidiu, respectivamente, o IV e V Congresso de História da Bahia.

Recebeu: Comenda Maria Quitéria (18-03-87), Medalha do Mérito do Estado da Bahia-28/02/1991 (grau – Comendador), Medalha do Infante D. Henrique 15/03/1994 (República Portuguesa), Medalha Dois de Julho, Prefeitura Municipal do Salvador.

Presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia – IGHB, Sócia Correspondente da Academia Portuguesa da História, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e dos estaduais : Pernambuco, Paraíba , Rio Grande do Norte, Goiás, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Minas Gerais e Paranaguá (Paraná).

Com inúmeros trabalhos publicados em revistas especializadas, Consuelo Pondé é autora dos livros: Trajetória Histórica de Juazeiro, em colaboração com Angelina Garcez (1992), Cortes no Tempo, crônicas, Fundação Cultural do Estado da Bahia / Memorial das Letras, 1997; A Hidranja azul e o Cravo vermelho, crônicas. Salvador: SCT/SUDECULT, 2002; Bernardino de Souza: vida e obra (Org.). Salvador: Quarteto Editora, 2010, e No Insondável Tempo, crônicas. Salvador: Colaborou durante muitos anos com os jornais Tribuna da Bahia e A Tarde.

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