Acadêmico Hélio Pólvora recebe homenagem póstuma na ALB

A Academia de Letras da Bahia – ALB realizou na noite de ontem (28.05), na sede da instituição, no bairro de Nazaré, a ‘Sessão da Saudade’ dedicada ao escritor, crítico literário e jornalista baiano Hélio Pólvora, ocupante da Cadeira nº 29. O acadêmico faleceu no último dia 26 de março, aos 86 anos, em plena atividade intelectual.

O discurso de homenagem foi proferido pelo amigo e, também acadêmico da ALB, ocupante da Cadeira nº 12, Aramis Ribeiro Costa, que, em sua fala, reconstruiu a vida e história do escritor. “Hélio, em nenhum momento perdeu a sua capacidade criadora. Não conheceu a decadência do espírito e do intelecto. Não desceu a ladeira perversa das luzes que lentamente se apagam. Pelo contrário, o tempo sequer lhe arranhava a lucidez e inteligência. Ele cumpriu até o fim o seu dever de acadêmico. Morreu escrevendo”, destacou ele, em alusão aos últimos trabalhos publicados pelo confrade.

Aramis Ribeiro Costa enobreceu ainda a qualidade dos textos escritos por Hélio Pólvora. “O bom escritor é apenas um bom escritor. O grande escritor surpreende. Pólvora surpreende em cada parte do seu texto. As surpresas, creio que se devem, sobretudo, à riqueza da linguagem e aos recursos das técnicas narrativas. O colocaram em um patamar da mais alta literatura brasileira, ainda que isso não seja plenamente sabido em todo o país”, lembrou.

Presente ao evento, o filho do escritor, Hélio Pólvora Filho, agradeceu a homenagem dos acadêmicos a seu pai. “Sempre o lembraremos com a mesma humildade que caracterizava aquele que dedicou toda a sua vida às letras e às leituras dos grandes clássicos da literatura”, disse. A viúva do escritor, Maria Pólvora, também esteve presente à cerimônia. Além de Hélio Pólvora Filho, o crítico literário deixa outros dois filhos (Raquel e Fernanda).

A presidente da ALB, Evelina Hoisel, fez questão de exaltar o trabalho do acadêmico. “Hélio Pólvora foi um leitor voraz. Ele dialogou com vários escritores, através dos seus textos. Ele atualizou e recriou a literatura brasileira. Era um amante dela. Estará presente em tudo que ele legou: à nossa academia, ao nosso estado, ao Brasil, à literatura, enfim, ao mundo. Ele se faz presente neste legado, que é o texto, que é a vida. Hélio Pólvora é um imortal”, frisou.

Na oportunidade, a presidente, seguindo o regimento da ALB, declarou vaga a cadeira de nº 29, ocupada por Hélio Pólvora, tendo como patrono e fundador, respectivamente, Agrário de Souza Menezes e Antônio Alexandre Borges dos Reis. A ‘Sessão de Eleição’ para a vaga da cadeira de Hélio Pólvora acontecerá no dia 13 de julho.

Sobre o escritor

Natural de Itabuna, sul da Bahia, onde nasceu em 1928, Hélio Pólvora é autor de 26 títulos de obras de ficção e crítica literária, além de uma atividade jornalística intensa. É considerado um dos mais importantes contistas brasileiros do século XX, com destaque para obras consagradas pela crítica e pelo público, a exemplo dos livros Os Galos da Aurora (1958), Estranhos e Assustados (1966) e Mar de Azov (1986).

Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz, atuou como editor (Edições Antares, Rio de Janeiro), crítico literário do Jornal do Brasil, Veja e Correio Braziliense, cronista e crítico de cinema do Jornal do Brasil, Shopping News e outros jornais e revistas. Fundador e editor do jornal Cacau-Letras, foi também cronista do jornal A Tarde, onde publicava um artigo semanal, aos domingos.

Conquistou prêmios literários de renome, entre os quais a Bienal Nestlé de Literatura, anos 1982 e 1986, para contos (1.º lugar). Seu livro Estranhos e Assustadosrecebeu o prêmio da Fundação Castro Maya, enquanto o Jornal do Commercio premiouOs Galos da Aurora. Assinou cerca de 80 traduções de livros de ficção (romances e contos) e ensaios.

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