ALB inicia série de homenagens ao centenário de José Calasans

A Academia de Letras da Bahia iniciou na última terça-feira (14.07) o ciclo de homenagens programado até o final do ano por inúmeras instituições ao centenário de nascimento do imortal da Cadeira n­º 28, José Calasans (1915-2001), um dos grandes estudiosos da Guerra de Canudos e do líder religioso Antônio Conselheiro. A solenidade aconteceu na sede da ALB, no Palacete Góes Calmon, no bairro de Nazaré, reunindo diversas autoridades do universo das letras.

O acadêmico Edivaldo Boaventura lembrou a trajetória profissional deste que foi um renomado historiador, professor e folclorista sobre o conflito no semiárido baiano, envolvendo o Exército e os integrantes de um movimento popular religioso, entre os anos de 1896 e 1897. “Ele é uma espécie de patrono de Canudos. Criou um novo paradigma para a pesquisa do tema. Tornou-se, tanto pela obra escrita quanto pela comunicação oral, um disseminador do assunto. Nas suas inúmeras visitas ao sertão, confirmou o seu intento: a de fazer história a partir do interior e não somente da capital e seu recôncavo, onde por muito tempo foi a história do Estado”, expressou.

Na oportunidade, a presidente da ALB, Evelina Hoisel, também prestou reverência ao homenageado. “Calasans foi um intelectual que teve uma ampla atuação em diversas instituições. Como historiador, ele sempre cuidou e, amorosamente, construiu a nossa memória. Para mim esta sessão tem um tom especial, principalmente pela minha condição de sertaneja. Trago o sertão dentro de mim, e Calasans nos legou uma outra possibilidade de interpretação dos conflitos no sertão de Canudos”, proferiu.

Presente à cerimônia, a filha de Calasans, Madalena Calasans, se emocionou ao falar sobre o pai. “Meu pai tinha orgulho de pertencer a ALB, instituição que presidiu no biênio 1971-1972. É uma alegria, permeada de muita saudade, ver a sua figura ser lembrada na sua terra natal e na Bahia, estado que tanto o acolheu. Numa síntese apertada, eu diria: Calasans foi o mais baiano dos sergipanos; e o mais sergipano dos baianos”, exprimiu, em alusão ao fato do centenário de Calasans ter sido também lembrado em Sergipe, onde nasceu.

Programação irá até o final do ano

Uma série de homenagens a José Calasans está prevista até o final de dezembro pelas entidades onde o historiador esteve vinculado ao longo da sua vida intelectual. O calendário foi apresentado na sessão solene pelo presidente da comissão organizadora, o professor Luiz Paulo Neiva, da Universidade do Estado da Bahia – Uneb.

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