ALB encerra ciclo de centenários homenageando Josaphat Marinho

A Acadêmia de Letras da Bahia encerrou a série de homenagens a cinco imortais centenários da ALB. Na oportunidade, o advogado, professor e político baiano Josaphat Marinho (1915-2015) foi reverenciado pelo seu sucessor na Cadeira nº20, o desembargador Paulo Furtado. A cerimônia ocorreu na última quinta-feira (15.10), na sede da casa de cultura, no Palacete Goés Calmon, em Nazaré.

O acadêmico iniciou sua fala enaltecendo a figura deste renomado jurista e o seu trabalho frente ao Poder Judiciário do País. “Um homem que dedicou toda a sua vida ao pensamento pelo outro. Sua voz foi sempre veículo de lucidez e de experiência. Fortaleceu o judiciário para assegurar a tranquilidade da vida social da nação, colocando o idealismo em defesa do bem comum”, destacou.

Emocionado, o filho de Josaphat Marinho, Paulo Marinho, revelou que o pai “ufanava-se” de integrar a ALB. “Ele serviu a pátria a mando das letras. Em seus discursos, sempre ressaltava o papel da Academia, estimulando e acompanhando o crescente desenvolvimento das letras e artes na terra que zela pela suas peculiaridades”, contou.

Outros quatro centenários de nascimento foram celebrados em 2015 pela ALB, sendo dedicados a Walter da Silveira, José Calasans, Jorge Calmon e Oldegar Franco Vieira.

Sobre Josaphat Marinho

Josaphat Ramos Marinho nasceu em Areia, hoje Ubaíra (BA), no dia 28 de outubro de 1915, filho de Sinfrônio de Sales Marinho e de Adelaide Ramos Marinho. Ingressou, em 1934, na Faculdade de Direito da Bahia, bacharelando-se por essa instituição. Ocupou interinamente, em 1942, o cargo de consultor jurídico do Departamento de Serviço Público da Bahia, passando, em seguida, a dedicar-se ao magistério. Findo o Estado Novo (1937-1945), foi eleito, em janeiro de 1947, deputado à Assembleia Constituinte da Bahia na legenda da União Democrática Nacional (UDN). Deixou a Assembleia em 1951, a ela retornando eleito em outubro de 1954, pela legenda do Partido Liberal (PL). Após a posse de Juraci Magalhães no governo da Bahia, em 1959, Josaphat Marinho foi nomeado, em abril, secretário do Interior e Justiça do Estado. Ocupou o cargo até 1960, porque foi designado secretário da Fazenda. Exerceu essa função até março de 1961, quando foi nomeado pelo Presidente Jânio Quadros para a presidência do Conselho Nacional do Petróleo (CNP). Com a renúncia do presidente, em 25-8-61, pediu demissão do cargo, que não foi aceita imediatamente. Permaneceu na presidência do CNP até dezembro de 1961. Retornou, então, à Bahia, assumindo novamente a Secretaria da Fazenda até dezembro de 1962.

No pleito de outubro de 1962, elegeu-se para o Senado Federal pela Bahia. Concluído seu mandato em 1971, Josaphat afastou-se da vida pública, voltando a se dedicar à advocacia e ao magistério superior como professor de Direito Constitucional da Universidade de Brasília (UnB). Em dezembro de 1979, no contexto da reformulação partidária posterior à extinção do bipartidarismo (29-11-79), assinalou, em entrevista ao Jornal do Brasil, que, após oito anos de afastamento, voltava à vida pública para “dar uma contribuição ao processo de formação dos novos partidos”. Josaphat Marinho tornou-se membro do Instituto dos Advogados da Bahia, do Instituto Baiano de Direito do Trabalho e da Academia de Letras da Bahia. Exerce seu segundo mandato de senador da República (1990-98) durante o qual foi relator-geral do novo Código Civil brasileiro, aprovado no Senado depois de 22 anos de tramitação no Congresso Nacional. Josaphat Marinho foi casado com Iraci Ramos Marinho, com quem teve dois filhos.

Fonte: Senado Federal

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