Prêmio Nacional da Academia de Letras da Bahia garante selo de qualidade a jovens escritores

Com inscrições abertas até o dia 15 de abril, o Prêmio Nacional Academia de Letras da Bahia (ALB), que este ano dará destaque ao gênero Conto, tem o crédito de revelar jovens talentos da literatura brasileira, proporcionado visibilidade às obras de autores muitas vezes desconhecidos do grande público.

O reflexo disso pode ser constatado na jovem escritora soteropolitana Clarissa Macedo, vencedora da edição de 2014 com o livro de poemas Na pata do cavalo há sete abismos. Ela, que na época foi a autora mais jovem a ganhar o prêmio, aos 26 anos, conta que até hoje colhe os frutos pela premiação. “Foi uma surpresa muito grande e significativa para mim. Há mais de 20 anos que uma mulher não ganhava. Concorrer com nomes consagrados da literatura, e ainda vencer, me garantiu um selo de qualidade pro resto da minha vida”, declara ela, que iniciou a carreira literária em 2011.

Mesmo sendo uma das referências nacionais no estudo da antropologia, o professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Ordep Serra, revela que ganhar o Prêmio – ele foi agraciado em 2008 e 2010, nas categorias Conto e Romance Ficção Africano – foi decisivo para o seu ingresso no universo da literatura. “Até então, não me dedicava às atividades literárias, apenas à antropologia e aos estudos clássicos. Foi após receber o prêmio, que comecei a trabalhar com isso”, diz o pesquisador, consagrado pelas obras Sete Portas e Ronda: Oratório malungo. Ficções de olufihan.

Ordep destaca ainda a importância de manter o Prêmio no calendário cultural do país. “Além da projeção nacional que a premiação proporciona ao autor, ele é fundamental pois incentiva os diversos campos da literatura, da ficção à poesia”, avalia. A escritora Clarissa Macedo reforça a fala do estudioso. “Hoje, o meu livro está sendo traduzido para o inglês e o espanhol. Sou convidada para divulgá-lo em feiras literárias por todo o país, além de estar participando de novas coletâneas. A projeção, sem dúvida, é muito boa; vencer o Prêmio assegura uma receptividade maior do público”, confessa.

Este ano, a premiação contará com o patrocínio da Fundação Gregório de Mattos, órgão ligado à Prefeitura de Salvador, que premiará o vencedor com o valor de R$ 15 mil reais e a publicação do livro por uma editora nacional. O resultado será divulgado até o dia 5 de maio. Os interessados devem enviar três cópias do trabalho – que deverá ser inédito, do gênero Conto, tema livre – à sede da Academia de Letras da Bahia, pessoalmente ou postadas pelo Correio com aviso de recebimento (AR).

O Prêmio

A primeira edição ocorreu no ano de 1983 e desde lá tem proporcionado visibilidade às obras dos autores premiados como Clarissa Macedo (Na pata do cavalo há sete abismos), Evaldo Balbino (Amores oblíquos), Roberval Pereyr (Mirantes), Ordep Serra (Ronda: oratório malungo), Rodrigo Petrônio Ribeiro (Venho de um país selvagem), Otto Leopoldo Winck (Jaboc) e Jorge de Souza Araújo (Floração de imaginários: o romance baiano no século XX), dentre outros.

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