Myriam Fraga é imortalizada pela Academia de Letras da Bahia

“Ao chegar a esta Casa, em seu discurso de posse, Myriam afirmou trazer apenas o cansaço de uma longa jornada e um punhado de versos”. A frase, dita em 1985 pela poeta Myriam Fraga, ano em que passou a integrar a Academia de Letras da Bahia, foi novamente reproduzida desta vez pelo imortal Aramis Ribeiro Costa que, no último dia 9, fez uma emocionada homenagem ao relembrar fatos da vida profissional e pessoal da escritora, falecida em fevereiro deste ano, aos 78 anos.

“Partiu deixando-nos a recordação de uma infatigável jornada bem sucedida e poesia. A melhor poesia”, destacou ele durante a sessão, ao detalhar os mais de 50 anos de carreira dedicados pela poeta à literatura, sendo 30 deles como titular da Cadeira n°13 da ALB, instituição que ocupava o posto de vice-presidente.

Myriam Fraga estreou no campo literário com o livro de poemas Marinhas, de 1964, tendo participado também de antologias no Brasil e exterior, posteriormente traduzidas para o inglês, francês e alemão. Entre suas publicações estão: Sesmaria e Femina (poesia), Jorge Amado, Castro Alves, Luiz Gama e Carybé (literatura infantil) e Leonídia – a musa infeliz do poeta Castro Alves (biografia) e Poesia Reunida.

A presidente da Academia, Evelina Hoisel, recordou a sua parceria com a amiga, a quem agradeceu o convívio de décadas. “Jamais consegui dizer a Myriam Fraga, com a intensidade que existe no meu sentimento, da alegria que ela me proporcionou, através da sua belíssima poesia, de organizar aquele Seminário Poesia e Memória, realizado nesta Academia, em 2008.”, lembrou. Hoisel ressaltando ainda que, como poeta, Myriam Fraga tinha uma lúcida consciência do seu ofício de criar. “Em seus poemas, o sujeito poético, entre tantas paisagens visitadas e revisitadas, faz uma viagem por geografias desconhecidas, navegando pelos subterrâneos do inconsciente humano. Por outro lado, este mesmo sujeito, assume a consciência de que a atividade do poeta é criar além do que existe”, revelou.

Ao final da “sessão da saudade”, a Cadeira n°13 foi oficialmente declarada vaga pela gestora, que afirmou: “Myriam Fraga é eterna e intemporal. A Academia de Letras da Bahia, mais uma vez, celebra a imortalidade de Myriam Fraga”. Participaram também da homenagem, além dos acadêmicos, filhos e netos de Myriam Fraga, incluindo a filha Ângela Fraga de Sá, que sucedeu a mãe na direção da Fundação Casa de Jorge Amado, e falou em nome da família.

Crédito das imagens: Índio Fotógrafo

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