“Artesanatos do passado estão sendo extintos”, aponta Guilherme Radel

Uma verdadeira aula sobre a história do artesanato no Brasil. Assim, foi classificada pelos imortais da Academia de Letras da Bahia a palestra realizada pelo acadêmico Guilherme Radel, ocupante da Cadeira nº 3, na última quinta-feira (17), na sede da ALB, no bairro de Nazaré. Radel, que é engenheiro sanitarista de carreira, lembrou, de modo detalhado, a importância do artefato para a história do país.

“No século XVIII, quase tudo que chegava de artesanal no Brasil vinha de Portugal. A funilaria, serralharia, cerâmica, além da confecção de bordados, dos mais variados tipos”, destacou. Em outro momento da sua fala, ele reforçou o significado do artesanato, definindo-o como um conjunto de objetos que busca a simplicidade sem esquecer o belo. “São feitos manualmente com o auxilio de ferramentas rudimentares, dentro de características locais ou regionais, transmitidas de geração em geração”, explicou.

Guilherme Radel lamentou o destrato que o ofício vem sofrendo ao longo dos anos, inclusive na Bahia. “O artesanato somente existe quando atende as necessidades humanas. Por falta de demanda, os artesãos estão ficando sem condições de dar continuidade ao trabalho. O Instituto de Artesanato Visconde de Mauá, que era responsável pela preservação e incentivo da arte no Estado, foi fechado. Artesanatos do passado estão sendo extintos. Essa palestra é para nos conscientizamos e protegê-los “, disse.

Os acadêmicos presentes também reconheceram a necessidade de conservar o antigo ofício. “Artesanato é a transformação delicada da natureza, em contraste com a agressividade individual mecanizada”, exprimiu um deles, durante a sessão.

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