Academia de Letras da Bahia entrega prêmio a autor de “A Eternidade da Maçã”

O contista Marcus Vinicius Couto Rodrigues, vencedor do Prêmio Nacional da Academia de Letras da Bahia 2016, recebeu, na última terça-feira (12.07), como premiação um cheque no valor de R$15 mil mais o lançamento oficial da sua obra, A Eternidade da Maçã. A mostra literária reuniu na disputa 188 trabalhos de 20 estados.

“Um livro que conta a história de pessoas que resistiram à ditadura militar. É uma obra que descreve momentos de angústia de cidadãos que lutaram e morreram neste triste período da nossa história”, explica o escritor, que produziu sete contos inspirados em músicas do cantor baiano Caetano Veloso, compostas de 1964 a 1978, à época do regime ditatorial. São elas: A alma do Diabo (1976), Sob o sol quente de uma tarde de Natal (1972), Barco vazio (1969), A flor e a estrela (1964), Longe Daqui (1974), Diga que você morreria por mim (1972) Qualquer coisa que se sonhara (1978).

O título do livro é também uma homenagem do autor a Caetano Veloso, sendo o trecho retirado da composição Pecado Original, de 1993”, conta. Outro elemento encontrado nos textos é o sentimento de culpa. “Acredito que esta época serviu para que todos os envolvidos na ditadura sentissem culpa pelos atos que foram obrigadas a praticar”, revela ele, que já possui outro importante prêmio no currículo. Marcus Vinicius Couto Rodrigues foi ganhador do Prêmio da Fundação Casa de Jorge Amado por Pequeno Inventário das Ausências, do gênero poesia, primeiro livro da sua carreira literária, iniciada há 15 anos.

Prêmio

Durante a solenidade de premiação, a presidente da Academia de Letras da Bahia, Evelina Hoisel, destacou a continuidade do prêmio nacional pela instituição que, apesar das dificuldades financeiras, conseguiu buscar o patrocínio através do Edital Arte em Toda Parte – Ano III. “Temos esta tradição que vale a pena insistirmos. Buscar e estabelecer parceiras, para que possamos incentivar esta produção que existe; e que precisa circular, ser estimulada”, lembrou, ao citar os inúmeros escritores que buscam espaço no mercado editorial, “mas que, infelizmente, padecem de poucos prêmios literários”, disse.

Por sua vez, o diretor da Fundação Gregório de Matos, órgão ligado à Prefeitura de Salvador, Fernando Guerreiro, cobrou uma política mais efetiva de distribuição destes livros. “É muito importante que chegue às escolas, ao ensino. Muitas vezes lançamos projetos consagrados que terminam escondidos em estantes. O livro é para ser lido pelo maior número possível de pessoas. É pra ser debatido, discutido. Peço a todos que democratizem o livro”, declarou.

O Prêmio Nacional da Academia de Letras da Bahia já consagrou nomes como Clarissa Macedo (Na pata do cavalo há sete abismos), Evaldo Balbino (Amores oblíquos), Roberval Pereyr (Mirantes), Ordep Serra (Ronda: oratório malungo), Rodrigo Petrônio Ribeiro (Venho de um país selvagem), Otto Leopoldo Winck (Jaboc) e Jorge de Souza Araújo (Floração de imaginários: o romance baiano no século XX), dentre outros.

Anúncios