Ordep Serra fala sobre metafísica na ALB

Foi ao som dos acordes do violão do músico Mário Lhoas que o antropólogo da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e imortal da Academia de Letras da Bahia, Ordep Serra, falou, na última quinta-feira (21.07), sobre literatura e filosofia. O objeto de estudo apresentado pelo intelectual baiano foi a metafísica, uma das disciplinas fundamentais da filosofia, que doutrina os princípios da realidade tendo como conhecimento a essência dos seres e as razões de estarmos no mundo.

“Segundo Aristóteles, no que toca a ordem efetiva da realidade, a metafísica é filosofia primeira. Mas, na medida que nos corresponde, ou seja, o nosso ponto de vista, ela vem depois. Quem acredita que a indagação aristotélica sobre o sentido de ser não tem pertinência, tem a obrigação de prová-los. Difícil é achar quem tem o ônus e o bônus desta prova. Aristóteles não obriga que o sigamos, mas apenas que avancemos”, dizia um dos trechos do texto, em alusão ao grande pensador grego.

Outro campo de análise da Metafísica são as relações e interações dos seres humanos com o Universo, a qual Ordep Serra questiona a real sobrevivência. “Por diversas vezes, talvez a metafísica já tenha efetivamente morrido, mas sempre acaba voltando com novos ares. Como se explica esta agonia interminável? Se ela efetivamente morreu, porque não a deixam em paz? Se a recomeçam a toda hora não será para que sobreviva?”, indagou.

O pesquisador, que ocupa a Cadeira nº 27 da ALB, ganhou por duas vezes o Prêmio Nacional da Academia de Letras da Bahia, em 2008 e 2010, consagrado pelas obras Sete Portas e Ronda: Oratório malungo. Ficções de olufihan.

Anúncios