Estudiosos se reúnem para relembrar obra do poeta Castro Alves

Uma verdadeira aula sobre o poeta baiano Antônio Frederico de Castro Alves, o popular Castro Alves. Assim foi a programação do curso Castro Alves 2016 – XI Colóquio de Literatura Baiana, que terminou no dia 07 outubro, na sede da Academia de Letras da Bahia, após três dias intensos de estudos sobre este que foi um dos mais renomados poetas lírico e social do século XIX.

O encontro, que chega a sua 11º edição difundindo importantes obras da literatura baiana, integra há 30 anos o calendário acadêmico da instituição literária. “Antes, era um curso voltado apenas para a pesquisa sobre Castro Alves. De uns anos para cá, agregamos estudos gerais sobre a literatura na Bahia. Ou seja, tornou-se uma oportunidade para a divulgação e publicação dos trabalhos de estudantes de graduação, mestrado, doutorado e pesquisadores”, disse o professor da pós-graduação em Estudos Literários da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Aleilton Fonseca, organizador do colóquio.

Ao todo, 700 trabalhos já foram apresentados desde a instalação do evento. Eles encontram-se distribuídos em volumes lançados após a realização dos cursos e na revista da Academia. “Estudamos aqui a poesia baiana contemporânea dos séculos XIX e XX, o romance, os temas de Jorge Amado, Adonias Filhos, entre outros escritores e poetas”, lembrou Fonseca, que ocupa a Cadeira nº 20 da ALB.

A docente Fernanda Mota, do Departamento de Letras Germânicas da Universidade Federal da Bahia (Ufba), coordenou uma das mesas sobre estudos de crítica, análise e interpretação na perspectiva da escritora, poeta e ensaísta Judith Grossmann. “Um dos temas que abordamos foi a importância da inserção da literatura baiana nas escolas. Espero que o curso traga reverberações para além dos muros da Academia de Letras da Bahia”, destacou.

Programação

Sem esquecer o icônico poeta do povo, o curso Castro Alves 2016 – XI Colóquio de Literatura Baiana iniciou os trabalhos com a palestra Ela era lusa e linda….Ele, Castro, era baiano, da professora e acadêmica Edilene Matos. Em seguida, foi a vez da cantora Tina Tude recitar o poema “Navio Negreiro”, um dos mais famosos de Castro Alves, que conta os dramas da escravidão.

O evento homenageou ainda o centenário da escritora Zélia Gattai, com trechos do documentário “Speciale Italia-Centenario di Zélia Gattai”, e o relançamento do livro Zélia Gattai e a Imigração Italiana no Brasil entre os séculos XIX e XX, da autora italiana Antonella Rita Roscilli. A literária paulista, radicada na Bahia, faleceu em 2008, aos 91 anos.

Outra autora lembrada foi Myriam Fraga. Na ocasião, uma peça foi encenada por estudantes da Uefs retratando o seu drama lírico Rainha Vashti, que narra a história da monarca que foi destituída do cargo após ter desobedecido à ordem de expor a sua beleza física perante o rei Xerxes (Assuero) e seus convidados. Fraga morreu em fevereiro deste ano.

•Confira fotos do evento:

Confira a fala do coordenador do evento, Aleilton Fonseca:

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