Imortal da ALB apresenta trabalho sobre a realidade linguística do Brasil

Você já deve ter ouvido aquela famosa expressão “do Oiapoque ao Chuí”, bastante utilizada para definir o nível de abrangência de alguma coisa no país. Pois bem. A icônica frase pode também ser refletida no trabalho desenvolvido pela professora emérita da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Suzana Alice Cardoso Marcelino, que, em conjunto com pesquisadores de outras 12 universidades brasileiras, percorreu boa parte do país para consolidar o projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALIB), estudo pioneiro que descreve a realidade linguística brasileira no que tange à língua portuguesa.

O trabalho foi apresentado pela acadêmica na última quinta-feira (20.10), na sede da Academia de Letras da Bahia, instituição que integra desde maio de 2016. “O projeto pretende apresentar uma descrição linguística no que concerne a língua portuguesa”, explica ela, que é a atual diretora presidente. “Ele se pauta pelos princípios da geografia linguística”, acrescenta.

A intelectual lembra que um dos objetivos do Atlas Brasileiro é justamente a possibilidade de descrever esta língua, estabelecendo regiões linguísticas no Brasil, onde não há uniformidades, mas sim características que acabam definindo uma determinada localidade. “Precisamos ter uma visão da realidade do português brasileiro, que não é um monobloco invisível, mas uma língua multifacetada, caracterizada do ponto de vista regional como reflexo dos aspectos culturais, históricos, sociais e geográficos”, disse.

Em 2016, o projeto completará 20 anos de existência, tendo percorrido mais de 257.851 quilômetros, com cerca de 1000 pessoas entrevistadas e documentadas ao longo de 250 cidades do Brasil. Ao todo, o trabalho possui cinco equipes interdisciplinares distribuídas por todo o País, responsáveis pelo mapeamento dessas informações, que já resultaram no lançamento dos dois primeiros volumes, reunindo dados de 25 capitais de estado. Os próximos números, já programados, darão conta dos resultados das outras 225 cidades, distribuídas por todos os estados da federação.

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