Premiação do III Concurso de Escritores Escolares é entregue no TCA

A presidente da Academia de Letras da Bahia, Evelina Hoisel, participou no dia 16 de dezembro (sexta-feira) da entrega do prêmio dos estudantes vencedores do III Concurso de Escritores Escolares, que reuniu redações e poesias de alunos do Ensino Fundamental I e II e do Médio. A premiação está vinculada à Fundação Pedro Calmon, através da Secretaria de Cultura do Estado, e ocorreu na sala principal do Teatro Castro Alves.

“É um belo programa de incentivo à literatura, promovendo o interesse dos jovens pela escrita criativa”, disse Hoisel. Durante a festa de premiação, diversas autoridades realizaram a entrega dos certificados, dentre elas o secretário de Cultura, Jorge Portugal, o Diretor da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo, e Paulo Miguez, vice reitor da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

 

Ex-governador Roberto Santos recebe medalha do mérito do Mosteiro de São Bento

O ex-governador do Estado, professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e membro da Academia de Letras da Bahia, Roberto Santos, recebeu, no último domingo (18.12), a medalha do mérito concedida pelo Mosteiro de São Bento. A homenagem, que aconteceu na própria instituição religiosa, se dá em função dos serviços prestados pelo imortal – que completou 90 anos neste ano – às causas sociais e culturais da Bahia. Na ocasião, uma missa foi celebrada pelo abade dom Emanuel d’Able do Amaral, confrade dele na ALB.

“Agregamos a homenagem ao professor o reconhecimento ao governador da Bahia. O governo Roberto Santos, voltado para as causas sociais, fez doação de terras para construção do Mosteiro de Salvador, no gregário bairro de Coutos, das irmãs beneditinas”, disse no seu discurso Edivaldo M. Boaventura, também membro da Academia de Letras da Bahia.

ALB encerra o seu ano acadêmico

A Academia de Letras da Bahia encerrou o seu ano acadêmico, na última quinta-feira (15.12), com uma grande confraternização envolvendo imortais, funcionários e visitantes da instituição literária.

Na ocasião, foi conferido pela ALB e Eletregoes o Prêmio Conjunto de Obra ao escritor baiano Oleone Coelho Fontes, que recebeu uma placa comemorativa pelos serviços prestados à literatura. Outro destaque foi a entrega do anuário que reúne a bibliografia dos acadêmicos, sendo um importante instrumento para a atualização da memória da Academia de Letras. Em 2017, a entidade terá um grande desafio pela frente: iniciar as celebrações do seu centenário de criação.

A presidente da ALB, Evelina Hoisel, reforçou o pedido pela “união de todos”. “Esse momento de final de ano é de esperança, de renovação. Peço que continuemos – nós acadêmicos – cada vez mais unidos para que possamos dar seguimento às atividades desenvolvidas pela Academia”, disse ela. A ALB retoma suas atividades em março de 2017.

Nelson Cerqueira é eleito para a Cadeira nº4 da ALB

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O novo ocupante da Cadeira nº 4 da Academia de Letras da Bahia foi eleito na tarde desta quarta-feira (14.12), no Palacete Góes Calmon, sede da instituição literária. Trata-se de Nelson Cerqueira, graduado em Língua e Literatura Alemã pela Universidade Federal da Bahia. O novo imortal, que é professor colaborador do Programa de Pós-graduação da Faculdade de Direito da Ufba, assumirá o lugar antes pertencente ao engenheiro Geraldo Machado, falecido em agosto deste ano.

O acadêmico é autor, co-autor e organizador de vários livros no campo da literatura, estética, filosofia e tecnologia, tendo publicado artigos em jornais e revistas nacionais e internacionais. “Agradeço a receptividade dos membros desta Casa, em especial aos que se empenharam na escolha do meu nome, assegurando-lhes na perspectiva de uma convivência intelectual respeitosa e fraterna minha modesta contribuição no desenvolvimento das atividades desta instituição”, disse Cerqueira.

A Cadeira nº4 tem como patrono Sebastião da Rocha Pita e seu fundador foi Braz Hermenegildo do Amaral. A solenidade de posse de Nelson Cerqueira está marcada para acontecer no primeiro semestre de 2017. A data será informada em breve pela diretoria da ALB. Vale lembrar, que no ano que vem a professora Edilene Dias Matos também será empossada na Academia de Letras da Bahia, desta vez assumindo a Cadeira nº13, antes sob a responsabilidade de Myriam Fraga, que faleceu em 2016.

“​Histórias dos Mares da Bahia​”​​ é lançado na ALB ​

O imortal da Academia de Letras da Bahia, ocupante da Cadeira nº 22, Cyro de Mattos lançou na noite desta terça-feira (13.12), na sede da instituição literária, o livro de antologias de contos Histórias dos Mares da Bahia, organizado pela Coleção Nordestina.

“O primeiro critério utilizado para o livro foi a estética do mar da Bahia. Gosto muito de fazer coletâneas; antologias. Ela dá possibilidade que o leitor – especialmente o iniciante – vá buscar o autor que já leu. Nesta publicação, estão escritores representativos da ficção; da história curta na Bahia”, disse Cyro de Mattos.

Com posfácio da também imortal Gerana Damulakis, a obra reúne nomes como Aleilton Fonseca (O Pescador), Aramis Ribeiro Costa (Praia), Carlos Ribeiro (Já Vai Longe o Tempo das Baleias), Cyro de Mattos (Somente Ele Escutou a Fúria do Mar), Dias da Costa (Um Simples Farol no Mar), Gláucia Lemos (Os Lampadários do Céu), Guido Guerra (Os Olhos do Cristo de Pedra), Helena Parente Cunha (Quatro Minicontos em Guarajuba), Hélio Pólvora (No Mar da Bahia), João Ubaldo Ribeiro (O Bom Robalo de Compadre Edinho), Jorge Medauar (O Peixe Vermelho), Luís Garboggini Quaglia (Ventania), Ricardo Cruz (Todas as Luzes do Mar), Ruy Espinheira Filho (Na Ilha), Vasconcelos Maia (O Maiô e a Rosa) e Xavier Marques (A Noiva do Golfinho).

Heleusa Figueira Câmara é o novo membro correspondente da ALB

A escritora conquistense Heleusa Figueira Câmara tomou posse, no último dia 12, como membro correspondente da Academia de Letras da Bahia. Professora titular da Universidade Estadual do Sudoeste (Uesb), a autora de consagrados livros como Mulheres acorrentadas, Quarenta Graus de Outono foi homenageada na ocasião pelo imortal Aleilton Fonseca, responsável por sua saudação na instituição literária.

“Possui uma produção profícua e um engajamento continuo em ações culturais que abrangem toda a região do sudoeste da Bahia. É um pessoa muito querida, muito apreciada, pelo trato afável, pela amizade, pela simplicidade, pelo interesse permanente em contribuir e ajudar as pessoas a avançarem na educação, na formação de leitores, no reconhecimento dos autores, educadores e contadores de historias, além da conscientização da importância dos acervos”, destacou Fonseca.

Em outro momento da sua fala, Aleilton se referiu a ela como “patrimônio da inteligência baiana”. “Sua obra é esse conjunto de textos, livros, mas também de ações, de atitudes e de exemplos no exercício administrativo, na docência, na orientação de jovens professores, estudantes, iniciação científica e pesquisadores. Sem dúvidas, a sua contribuição literária e cultural engrandece a Academia de Letras da Bahia”, disse.

A nova imortal agradeceu o tributo relembrando um pouco sobre a sua aproximação com a escrita e leitura. “Todos nós temos uma história literária para contar. Todos nós somos guardiões das memórias do mundo, e devemos aprender a compartilhá-las”, contou ela, que é natural da cidade baiana de Vitória da Conquista.

No seu livro Além dos Muros e das Grades: discursos prisionais, a autora realizou entrevistas com detentos, durante três anos, em sessões de orientação redacional como estratégia para abrir novos caminhos de reconstrução de vida por meio da leitura e escrita. “Estou tocada por sua trajetória. Por sua visão de um mundo melhor e onde pessoas não saibam apenas se expressar, mas que saibam principalmente refletir sobre sua condição”, exprimiu Evelina Hoisel, presidente da ALB.

Amigo de longa data, Edivaldo M. Boaventura afirmou que a entrada de Heleusa Figueira Câmara à Academia não se dá gratuitamente. “Você preenche todas as qualidades que um acadêmico deve possuir. Personalidade forte, convivialidade e uma extensa obra”, pontuou.

Força Chape, por Cyro de Mattos

Força Chape
Cyro de Mattos

Tanta dor, tristeza. A vida ceifada com golpe imenso e impiedoso. O que dizer sobre o absurdo que destrói a inocência na traição da madrugada? É muito difícil escrever alguma coisa para diminuir a dor provocada com a tragédia aérea que envolveu os jogadores da Chapecoense, dirigentes, jornalistas e a tripulação, na última terça-feira de 29 de novembro. A queda do avião, nas proximidades do aeroporto de Medellín, deixou um trauma terrível no qual das 76 pessoas 71 morreram, 19 eram jogadores da Chapecoense; apenas 5 sobreviventes foram resgatados dos escombros.

Na segunda-feira à noite, depois de assistir ao Jornal Nacional, da TV Globo, dirigi-me ao computador para atualizar a correspondência e, a seguir, dar andamento à escrita de meus textos literários. Nesse hábito que a literatura me impõe há anos, costumo viajar com as palavras pelas pastagens silenciosas da noite. Dessa vez, ao terminar mais uma tarefa do fazer literário, pela madrugada de terça-feira, estava extenuado, sem sono. Liguei a televisão em busca de algum programa que amenizasse o cansaço, trazendo daí a pouco o sono.

Logo fiquei de frente a um impactante momento trazido pela notícia que me deixou perplexo. O repórter anunciava na televisão que o avião com a delegação da Chapecoense, sem combustível, havia caído em terras colombianas, a cinco minutos do aeroporto. Bateu no morro, descera se rasgando entre as árvores até ficar destroçado no fundo enlameado de grande cratera. Com o tempo chuvoso, a televisão mostrava os homens do salvamento em extremo esforço, buscando localizar os corpos. Havia na agonia deles a esperança de encontrar sobreviventes.

A tragédia era por demais absurda, atingia aquele ponto insensato em que forças cegas na avidez da morte convergem para o horror e a estupefação do acontecimento. Haveria de ter uma saída naquele quadro desesperador para transformar o trauma em algo menos doloroso, pensei. Haveria mais sobreviventes. Era inacreditável, injusto, que o sonho de jogadores vitoriosos, heróis que estenderam para milhares de torcedores a alegria como forma de vida, fosse interrompido pela mão pesada do inconcebível. Meu Deus, não era possível, não era possível.

Na Arena Condá, no oeste de Santa Catarina, havia assistido pela televisão a proeza de um time de porte médio, de uma cidade de pouco mais de duzentos mil habitantes, eliminar da Copa Sul-Americana o poderoso time copeiro argentino do Independente, tantas vezes campeão mundial de clubes. Vi eliminar o São Lorenzo, outro time famoso argentino, campeão da Libertadores. Vi deixar para trás também a respeitável equipe do Junior Barranquilla, da Colômbia. No desastre aéreo, como num pesadelo, o futebol agora pendia na dor, somente na dor. Foi então que a esperança, de dentro dos pesares, dos rostos em lágrima, fez brotar sua luz verde com o facho da solidariedade. No estádio Atanásio Girardot onde seria realizada a partida final da Copa Sul-Americana, entre a Chapecoense e o Atlético Nacional, a esperança inventou o carinho para amenizar o sofrimento de milhares. O povo colombiano, de branco, com velas acesas, rezava, chorava. Aplaudia, dizendo, a uma só voz, que o campeão daquela temporada na América do Sul era o time brasileiro. “Força Chape!” Um grito solidário ecoava pelos campos de futebol do mundo, propagava-se com os ventos do amor pelas vastidões do eterno, molhando-nos, nessa hora da pureza, de humano entendimento.

Imagino que, ante o sentimento de coragem e nobreza do povo colombiano, a morte naquele instante teve vergonha de ser a conhecida mulher indesejada de nossos caminhos, a soberba detentora dos nossos ossos.

Cyro de Mattos é escritor e poeta. Primeiro Doutor Honores Causa da UESC. Membro efetivo do Pen Clube do Brasil, das Academias de Letras da Bahia, Ilhéus e Itabuna.