Oficinas culturais garantem bom público à Academia de Letras da Bahia

Ao menos 220 pessoas passaram pelas cinco oficinas culturais gratuitas promovidas pela Academia de Letras da Bahia entre os meses de maio e junho. O ciclo de debates se encerrou na última terça-feira (06.05) com uma aula sobre literatura de cordel, ministrada pelo cordelista Antonio Barreto. Antes, houve também discussões sobre literatura baiana, jornalismo cultural, dramaturgia e poesia, sempre com a presença de um especialista sobre o assunto.

As oficinas integram o projeto Ponto de Cultura – Espaço das Letras, através de uma parceira com o Governo do Estado. Formado em sua grande por escritores, estudantes e leitores, o espaço aberto pela ALB serve de estímulo para a troca de conhecimentos e experiências com a leitura, fomentando, assim, o acesso à cultura pela comunidade soteropolitana.
“A Academia institui-se como um centro de circulação de ideias, a estimular o desenvolvimento do pensamento e do saber e, principalmente, da literatura por meio de cursos, palestras, seminários, concursos, lançamentos de livros e visitas guiadas”, disse a presidente Evelina Hoisel durante a cerimônia de celebração do centenário da instituição, ocorrida em abril deste ano.

Oficinas

“O nascimento da literatura de cordel está vinculado à natureza; ao homem do campo”, explicou Antonio Barreto. Natural do município baiano de Santa Bárbara, o “poeta popular”, como gosta de ser chamado todo cordelista, apresentou ao público um pouco sobre a história deste gênero literário. “Poesia de cordel começa através da sensibilidade das imagens da vida”, contou. Para ele, a arte popular se difere do padrão cânone por “se apresentar em versos que obedecem a determinadas regras”. “Rima, métrica e oração. Sem essas exigências, não definiremos como cordel”, acrescentou aos alunos.

Por sua vez, a oficina de conto, realizada no dia 16, o escritor Marcus Vinícius Rodrigues, vencedor do último Prêmio Nacional da ALB, com a publicação do livro A Eternidade da Maçã, apresentou textos de escritores baianos na tentativa de levantar aspectos inerentes ao conto, a exemplo da sua estrutura, narrador, enredo, dentre outros.
“O conto precisa de um tratamento diferenciado para o tempo. O conto é um instante, e vai privilegiar mais o espaço daquele instante”, referiu-se ele ao comparar o gênero literário com outros dois, a novela e o romance. “O conto não é para dar conta de tudo. É sim um aspecto. Eleger um e trabalhar a sua narrativa. O conto possui mais intensidade e tensão que, por exemplo, a novela e romance. Ele só possui uma única chance de alcançar o seu objetivo”, explicou Rodrigues.

Na sexta-feira (19.05), foi a vez da professora Ana Mariano realizar uma oficina sobre dramaturgia. Na ocasião, ela mostrou os trânsitos entre o a narrativa literária e a teatral refletindo os processos de transposição de uma linguagem para a outra. No dia 31, aconteceu ainda a oficina de Poesia, ministrado por Matheus Marques. E, por fim, no dia 02 de junho, a de Jornalismo Cultural com palestra da escritora e editora-coordenadora da revista Muito, Kátia Borges. A previsão é que em 2017 novos eventos – sempre abertos ao público – sejam realizados pela entidade literária.

  • Confira imagens das oficinas:
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