Escritor Rubem Braga é tema de palestra na Academia de Letras da Bahia

Algumas das crônicas que fizeram de Rubem Braga um expoente do gênero literário no país foram revividas nesta quinta-feira (29.06) pelo imortal da Academia de Letras da Bahia, Carlos Ribeiro. Em palestra na sede da instituição cultural, o acadêmico, que iniciou os estudos sobre o escritor e jornalista brasileiro a partir da sua tese de mestrado – hoje com pós-doutorado já finalizado – apontou características nos textos escritos por Braga que o qualificam como um dos maiores cronistas jornalísticos do Brasil.

Falecido em 1990, aos 77 anos, Rubem Braga dedicou-se exclusivamente a escrever crônicas em jornais e revistas, mostrando o seu lado irônico, lírico e bem humorado, sobretudo para fazer crítica social, denunciar injustiças e combater governos autoritários, a exemplo do getulismo e do golpe militar de 64. Foram mais de 15 mil crônicas escritas em 62 anos de jornalismo.
“Um autor de uma riqueza imensa, militante do jornalismo, porém pouco conhecido no sentido da diversidade dele. Esse lado de ação e questionamento politico ficou um pouco apagado porque as pessoas lembravam o Rubem Braga dos livros, onde a qualidade que saltava era a do lirismo, da linguagem, da poesia, e da própria crônica”, revela Ribeiro, que lançou três livros sobre o autor como resultado dos seus estudos acadêmicos. São eles: Rubem Braga: Um escritor combativo. A outra face do cronista lírico; Rubem Braga, Coleção Melhores Crônicas; e Caçador de Ventos e Melancolias: um estudo da lírica nas crônicas de Rubem Braga.

Carlos Ribeiro aponta ainda uma recorrente diferença feita pelos amantes das letras no tratamento à obra de Rubem Braga. “Ele sempre é citado como o nosso cronista mais importante do país, em vez de um dos nossos mais importantes escritores. Há uma diferença nisso. É o nosso maior cronista, mas quando se faz um estudo profundo da literatura brasileira, que cita, por exemplo, Machado de Assis, Rubem Braga muitas vezes não entra neste grupo, embora seja reconhecido pelos grandes escritores e críticos por qualidade literária que o coloca entre os grandes escritores de língua portuguesa”, analisa.

Em seu pós-doutorado, o acadêmico da ALB afirma que as crônicas de Rubem Braga não se ajustam às classificações estáticas e intransigentes dos gêneros e nem à hierarquização que alguns querem lhe impor, e que diversos críticos têm alertado para a flexibilidade das crônicas do autor capixaba, que alguma vez se aproxima da estrutura formal do conto, e em outras dos chamados poemas em prosa, ou ainda do ensaio e da reportagem. “Aproximações essas que não se realizam somente do ponto de vista formal da técnica, mas também, sobretudo, no aspecto da qualidade dos textos que se equiparam no melhor que já se produziu na literatura de língua portuguesa em qualquer um dos gêneros considerados ‘maiores’”, revela.

Ele relembrou perante os colegas imortais de onde surgiu o seu estímulo por estudar Rubem Braga. “Meu então professor Ruy Espinheira Filho, hoje confrade nesta Academia, me disse uma vez: “Leia Rubem Braga para ver como é escrever bem”“, e concluiu: “Ele passou por vários períodos da história, sempre comentando os fatos que aconteciam no mundo, sempre com a sua marca autoral”, conta.

 

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