Obra do escritor Hélio Pólvora é relembrada em sessão da ALB

Como parte da programação de atividades do centenário da Academia de Letras da Bahia, a imortal Gerana Damulakis proferiu, na última quinta-feira (27.07), palestra intitulada As motivações humanas no conto de Hélio Pólvora. Ela, que substituiu o escritor grapiúna na Cadeira nº 29, atribuiu fortes influências da obra do autor baiano ao seu trabalho como literária.

A acadêmica relembrou duas vertentes da contística de Hélio Pólvora, seja a sertanista, seja a urbana. “A vertente sertanista, marcada por memórias primeiras, deve-se ao pertencimento do autor ao sul baiano, tendo nascido em fazenda de cacau e vivido ali, além de testemunhado, uma riqueza de histórias. A vertente urbana é tirada de outro armazém da memória, dos tempos passados como estudante em Salvador e também como estudante no Rio de Janeiro, onde atuou como jornalista e crítico literário”, disse.

Gerana Damulakis destacou outra característica do “conto polvoriano”. “O mais relevante está no que se dá em suas linhas e nas suas entrelinhas, quando entram em perfeita harmonia a memória e a literatura, companheira constante, paixão de infância, soberana, sendo base para paralelos e reflexões”, lembrou, ao mencionar ainda “o elemento autobiográfico” como um dos componentes fundamentais do conto literário de Pólvora. A música e o cinema são outras duas peculiaridades da escrita de Pólvora, que faleceu em 2015, aos 86 anos. “A memória do que foi vivido e a memória do que foi lido são fiéis constantes nos contos e novelas do autor. É difícil crer que um escritor possa não ser um leitor. No caso de Hélio Pólvora, um grande leitor, pois a importância da arte literária na vida cotidiana atinge tão alto patamar que se faz bastante presente na literatura que ele cria”, revelou.

Celebrado por livros de contos como Os Galos da Aurora (1958) e Estranhos e Assustados, Pólvora trabalhou como crítico literário e jornalista em diversos veículos, como “Jornal do Brasil”, “Veja”, “Correio Braziliense” e “A Tarde” – neste último, como editorialista e colunista. Ao todo, foram mais de 20 livros publicados.
“Quem faz a leitura literal por entretenimento, lê a história. Quem aprecia os recursos literários e seu uso em uma narrativa, lê a arte ali contida. Quem guarda a leitura e carrega dentro de si tudo o que leu, forma o seu cabedal de lembranças, e é assim que se encontram o escritor e o leitor Hélio Pólvora e sua bagagem literária. O narrador literário tem a mente examinadora, tem seus juízos e seu ritmo para refletir. A memória, em Hélio Pólvora, se faz ato literário, ficção vivida e escrita com a excelência de um grande talento”, concluiu.

 

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