Exibição de documentário reacende discussão sobre preservação do Centro Histórico de Salvador

A exibição do documentário E a Igreja da Sé?, da artista plástica Jacira Oswald, reacendeu a discussão em torno da preservação do Centro Histórico de Salvador (BA). Lançado na última quinta-feira (24.08), na sede da Academia de Letras da Bahia, o filme mostra a história desta que foi a primeira grande catedral construída na capital baiana, servindo como ponto de resistência para invasores à época do período colonial, a exemplo dos holandeses.

Construída durante os séculos XVII e XVIII, sendo derrubada em 1933, após reurbanização do Centro Histórico de Salvador, a queda da Sé deixou lacunas culturais ainda hoje sentidas pelos baianos. “É uma ferida que permanece aberta. Junto com a Sé, foram derrubados outros dois quarteirões que mudaram completamente a paisagem do local. A praça que foi construída onde ela situava-se continua sem identidade. Nunca se constituiu uma lugar enquanto espaço de permanência”, disse o arquiteto Nivaldo Andrade Jr., ao lembrar as inúmeras tentativas dos governos de revitalizar a região, sem sucesso.

À época maior bispado e arcebispado da Igreja Católica, a Igreja da Sé era ponto de referência para quem chegava à Baía de Todos os Santos, encontrando-se na parte alta da cidade, no entorno onde hoje está localizada a Cruz Caída, famoso ponto turístico de Salvador. “Esse documentário evidencia com leveza o que foi uma agressão a um dos nossos maiores patrimônios históricos; o coração do Brasil colonial. O filme é uma enxurrada de água, não no sentido do que já foi destruído, mas para alertar os jovens sobre a importância de se preservar”, revelou Francisco Sena, historiador e acadêmico da ALB.

Após destruição da Sé, a Catedral Basílica Primacial São Salvador, situada no Largo do Terreiro de Jesus, no Pelourinho, tornou-se a Arquidiocese da capital, moradia do arcebispo metropolitano e primaz do Brasil dom Murilo Krieger. “Lembrar-se da Sé é um vazio que fala por si só”, lamentou Urânia Peres, imortal da Academia de Letras da Bahia. A inciativa de apresentar o documentário partiu do poeta e confrade Fernando da Rocha Peres, que convidou também para a discussão os arquitetos Lourenço Mueller e Paulo Ormindo, este último imortal da instituição literária.

 

 

 

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