Escritor Evando Nascimento realiza conferência na ALB

Finalista do Prêmio Portugal Telecom, dedicado a prestigiar e divulgar a literatura brasileira, o professor universitário, pesquisador e escritor Evando Nascimento falou, nos dias 04 e 05 de setembro, sobre aspectos da escrita contemporânea em uma conferência realizada na Academia de Letras da Bahia. O evento, que integra a programação do centenário da ALB, recém-completado em abril deste ano, foi realizado em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Literatura e Cultura da Universidade Federal da Bahia (PPGLitCult/Ufba).

O debate se propôs a revisar algumas das conceituações da literatura numa perspectiva teórica, crítica e histórica. O estudioso se reuniu para debater o assunto com acadêmicos da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) e Ufba, dentre eles Aleilton Fonseca, Antonia Herrera, Cássia Lopes e Evelina Hoisel. Após as discussões, houve uma sessão de autógrafos do livro do conferencista Cantos Profanos.
“A literatura é uma arte feita de impressões, grafismos, espaçamentos, imagens, ilustrações e outros recursos visuais, sem os quais ela seria letra morta, por assim dizer, invisível. Ela traduz intersemioticamente qualquer signo. Essa é a sua grande potência. Tudo vem ao texto literário; desde a pintura, escultura, peças de teatro, saraus, concertos musicais, desenho, gravura até o teatro, fotografia e cinema”, afirmou Evando Nascimento.

Movido especialmente por trabalhos que envolvem também filosofia e artes, a atividade literária e ensaística de Nascimento tem tido o reconhecimento de diversos críticos da área, sendo ele considerado pela escritora Leyla Perrone-Moisés, em artigo publicado no suplemento “Ilustríssima”, do jornal Folha de S.Paulo, um dos escritores que, no Brasil, faz uma “literatura exigente”.
Ela explica no texto, publicado em 2012, que, diferente da literatura vendável, de entretenimento, a “literatura exigente” é marcada pelo ensaísmo, pelas artes plásticas e pela recusa da linearidade narrativa. “São obras de gênero inclassificável, misto de ficção, diário, ensaio, crônica e poesia, que não dão moleza ao leitor; exigem leitura atenta, releitura, reflexão e uma bagagem razoável de cultura, alta e pop, para partilhar as referências explícitas e implícitas”, disse ela à época.

Por sua vez, Evelina Hoisel, presidente da ALB, e uma das professoras da Ufba que estudam no seu dia a dia a obra de Evando Nascimento, elogia “a leveza dos seus textos”. “A multiplicidade de falas, a presença de diversas intersecções e as posturas teóricas em todo o seu processo de escrita são algumas das suas marcas. A queda da previsibilidade nos seus textos desestrutura o esquema de recepção usual, estabelecendo uma espécie de teoria crítica que nos faz pensar além”, destaca.

Sobre o escritor

Natural de Camacã, no sul da Bahia, Evando Nascimento atualmente reside no Rio de Janeiro, onde leciona na Universidade Federal de Juiz de Fora. Graduado pelo Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia (Ufba), fez mestrado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ufrj).
Completou sua formação na Sorbonne e na École dês Hautes Études em Sciences Sociales, renomadas instituições da França. Em 2007, realizou pós-doutorado sobre filosofia na Universidade Livre de Berlim, Alemanha. Lecionou literatura na Université Stendhal, de Grenoble, nos Alpes Franceses.

É autor também das obras Retrato desnatural (ficção), Clarice Lispector: Uma Literatura Pensante; Pensar a desconstrução, Derrida e a Literatura, estas últimas obras sobre Jacques Derrida, um dos principais pensadores da segunda metade do século XX.
“Falo como teórico, me dar muito prazer, mas, ao mesmo tempo, como escritor. Quero cada vez mais fundir esses dois elementos, que nunca foram opostos entre mim, mas que o teórico acabou passando muito a frete. Está na hora do escritor se impor. Há uma carreira que poderia ter começado muito mais cedo, mas a vida de professor universitário sempre falou mais alto”, contou.

 

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