Imortais da Academia de Letras da Bahia recebem homenagem da instituição

Dois fatos unem os nomes dos intelectuais Walfrido Moraes, Jayme de Sá Menezes e Waldemar Mattos. Primeiro, são ilustres acadêmicos que tiveram seus nomes imortalizados pela Academia de Letras da Bahia. Segundo, todos nasceram no mesmo ano, 1917. E foi este último acontecimento que levou a realização pela ALB, na última quinta-feira (26.10), de uma homenagem ao centenário de nascimento dos estudiosos baianos. Já falecidos, a honraria ficou a cargo de três confrades do atual quadro de membros da instituição literária, João Eurico Matta, Edivaldo M. Boaventura e Nelson Cerqueira, este último não pode estar presente, mas escreveu um texto – lido pelo também acadêmico Carlos Ribeiro – onde reverencia o trabalho de Jayme de Sá Menezes.

“A história universal e acadêmica é assim, registra sempre magos que possuem um dom sagrado de transformar em preciosidade tudo que tocam, tudo que escrevem, tudo que dirigem, toda ideia que defendem: essa é a biografia de Jayme de Sá Menezes, que ocupou a Cadeira nº 4 dessa centenária Academia de Letras”, ressaltou ele em uma das passagens do seu texto. Cerqueira, hoje ocupante do lugar que um dia foi de Jayme de Sá Menezes, disse ainda que “seria mais fácil escrever um livro de dez capítulos sobre Jayme de Sá Menezes do que escrever alguns singelos parágrafos”.
“Um desafio gigante sobre o que selecionar, o que focar, qual ângulo de sua trajetória: o de escritor de compêndios sobre a medicina; o de acadêmico e sua contribuição para nós aqui presentes; o de Secretário de Saúde e médico dos Ministérios de Saúde, Educação e Previdência e sua dedicação ao buscar corrigir rumos impregnados de desigualdades; o de historiador, com sua dedicação e passagem pela presidência do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e Brasil afora; o de amante das letras e jornalista, com larga produção de crônicas e artigos para revistas e jornais; o ângulo de estudioso da memória e pensamento brasileiro, com importantes ensaios; ou ainda sua faceta brilhante de professor da Faculdade de Medicina da Bahia, onde formou uma legião de admiradores e seguidores”, exprimiu.

Já em sua fala, o membro benfeitor da Academia, Edivaldo Boaventura, expressou a sua admiração pela obra de Waldemar Magalhães Mattos, que, segundo ele, se dedicou ao estudo de casas e instituições econômicas. “Pertence à geração de pesquisadores espontâneos que buscavam avidamente os documentos e os encontrando davam o devido tratamento empírico. Deixou uma obra sobre casas e corporações que perdura e que marca a sua contribuição ao patrimônio cultural da Bahia. Obra que se distingue, principalmente, pela seriedade do comentário e pelo interesse econômico e histórico”, escreveu. Waldemar Magalhães Mattos foi empossado em março de 1989 na Cadeira de número 33 da Academia de Letras da Bahia. Atualmente, o lugar está sob a tutela de Mãe Stella de Oxóssi.

O acadêmico João Eurico Matta leu trechos dos textos e livros publicados por Walfrido Moraes, especialmente o de maior sucesso da sua carreira literária Jagunços e heróis: a civilização do diamante nas lavras da Bahia. “Neste livro, ele opera de maneira a que procede a afirmação de três autores: Ênio Silveira, que apontou “Jagunços e heróis como um livro de história e estudos sociológicos que é lido como um movimentado romance”; Jorge Amado, que disse: “Jagunços e heróis coloca-se entre os mais importantes livros sobre o sertão”; e, por último, Joaquim Alves da Cruz Rios, que afirmou: “se algum dia vier a ocorrer um cataclisma e a Chapada Diamantina geograficamente desaparecer, ela substituirá historicamente graças à obra de Walfrido Moraes”, contou Matta. O livro foi vencedor da edição de 1963 do Prêmio Joaquim Nabuco da Academia de Brasileira de Letras.

Natural do município de Lençóis (BA), na região da Chapada Diamantina, Walfrido ingressou na Academia de Letras da Bahia em maio de 1991, onde ocupou a Cadeira nº 34, destacando-se na intelectualidade baiana como jornalista, professor e escritor. A neta e o bisneto do homenageado também estiveram presentes à sessão.

 

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