“A Casa Verde e Outros Poemas”, de Cyro de Mattos, será lançado na Academia de Letras da Bahia

O acadêmico e escritor Cyro de Mattos lança, no dia 24 de outubro, às 17h, o livro A Casa Verde e Outros Poemas. O encontro com o público acontece na sede da Academia de Letras da Bahia, no bairro de Nazaré. A obra teve a tradução para o inglês realizado pelo professor Luiz Angélico da Costa, além de ilustrações de Ângelo Roberto. Publicado pela editora Mondrongo, a publicação compõe-se de duas partes.

No primeiro momento, o poeta baiano, natural da cidade de Itabuna, busca com versos despojados a recuperação da alma de um tempo perdido, estabelecendo o diálogo entre a poesia e a memória, que é o lugar onde nasce a história com as pessoas, fatos e coisas. A outra etapa do livro é formada pelos poemas “Canto a Nossa Senhora das Matas”, “Um Poema Todo Verde”, “Morcego”, “Boi”, “Galos”, “A Roda do Tempo”, “A Árvore e a Poesia”, “Passarinhos” e “Devastação” (I,II).

 

 

Obra completa do padre Manuel da Nóbrega é lançada por membro correspondente da ALB

“A Bahia possui características que a singularizam diante de outras regiões do Brasil, ao adotar ‘forasteiros’ que se integram ao seu universo cultural”. A frase é do professor carioca Paulo Roberto Pereira que, ao apresentar, na última terça-feira (10), aos imortais da Academia de Letras da Bahia a obra completa do padre jesuíta Manuel da Nóbrega, apontou-o como sendo “o primeiro escritor da Bahia”.

Pereira é membro correspondente da ALB desde 2016, e escolheu a capital baiana para o lançamento do seu mais recente livro. Uma edição comemorativa do 5º centenário de nascimento (1517-2017) do famoso padre português Manuel da Nóbrega, responsável por chefiar – durante o império português – a primeira missão de catequização jesuíta no País, em 1549.
“Manuel da Nóbrega foi o primeiro estrangeiro a vivenciar e descrever o cotidiano da primeira capital do Brasil. As cartas de Nóbrega oferecem a oportunidade de acompanhar a transformação da sua ação missionária, de cunho religioso e político na colônia, para uma perspectiva visionária que projetava a grandeza futura do Brasil”, revela.

Ele explica que foi através do escritos do padre que, pela primeira vez, os europeus tomaram conhecimento de assuntos relacionados aos indígenas. “Que os índios têm santidades que incorporam em espírito; que conhecem detalhes dos rituais antropofágicos dos tupinambás. A cultura baiana nasceu e se corporificou com os relatos de Manuel da Nóbrega”, conta.

O escritor relembra que o religioso participou da criação do primeiro colégio jesuítico da Bahia, na companhia de uma imensa galeria de estrangeiros que se tornou baiana entre os séculos XVI e XX, a exemplo dos padres José de Anchieta e Antônio Vieira, discípulos de Nóbrega. “Eram homens de ações educacionais que simultaneamente participavam e criticavam a colonização no que se referia à escravidão indígena”, conclui. O livro foi publicado através da Editora PUC Rio e Edições Loyola, onde pode ser adquirido no valor de R$72 + frete. Para maiores informações, clique aqui.

 

Livro lançado na ALB revela declaração do amor à literatura

Cenas de amor em romances do século XX. O novo livro da escritora e professora universitária Mirella Márcia Longo Vieira Lima foi lançado, na última segunda-feira (09.10), na sede da Academia de Letras da Bahia, no bairro de Nazaré. O projeto, resultado de pesquisa apoiada pelo Cnpq, apresenta representações literárias a partir da análise e discussão de cenas que integram romances portugueses e brasileiros, a exemplo de Grande Sertão: VeredasO homem que matou o diaboO Delfim, Vidas SecasO ano da morte Memorial de Aires.

“Esse é um estudo que vem sendo realizado há muito anos; preparei-o para ser utilizado em tese de professor titular” revelou ela, que, desde 1982, integra o quadro de acadêmicos do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Tendo como objeto de trabalho as representações da família, da própria arte e do amor – inclusive erotismo místico – em textos literários modernos e contemporâneos, Mirella disse que a obra – publicada pela Editora Quarteto – contou com a ajuda de muitos interlocutores e, não fugindo à sua própria regra, “fala mais uma vez sobre o amor”.
“É o tema da minha predileção, seja quando eu faço ficção, poesia e também crônica. Há um escritor que diz que a maior viagem, a mais importante que podemos fazer, é atravessar a rua e chegar ao outro lado onde uma pessoa está nos observando. É chegar ao lugar do outro, e de lá, com a perspectiva do outro, olhar para a nossa janela e nos enxergar, e isso só é possível com um elo, um arco, que nos leva até o outro porque amamos”, citou.

Ela explicou ainda que a concepção de amor pode ser muito ampla. “É aquela que emanta, é a força, segundo Dante, que move o sol e todas as estrelas. De acordo com o indiano Narendranath Dutta, pensador hinduísta, é aquilo que mantém o universo coeso, porque atrai uma parte para outra parte, e esse amor é Deus”, destacou. O livro pode ser adquirido no site da editora, clique aqui. 

Gerana Damulakis é eleita para a Academia de Letras e Artes Mater Salvatoris

A imortal Gerana Damulakis será empossada, no dia 20 de outubro (sexta-feira), a partir das 17h, na Academia de Letras e Artes Mater Salvatoris. Ela assume a Cadeira nº 17, que tem como Patrona Nossa Senhora da Paz. Fundada há mais de 30 anos, a entidade tem a finalidade de louvar a Maria e divulgar a devoção a Nossa Senhora através das letras e das artes, o que ocorre através das publicações dos seus membros.

Uma boa parte deste acervo está guardada na biblioteca da Universidade Católica do Salvador (Ucsal). O acesso ao material é aberto a todos e costuma ser visitado por estudantes, professores e pesquisadores. Além de Gerana Damulakis, outros confrades da Academia de Letras da Bahia já integram o sodalício religioso. São eles: João Eurico Mata, Francisco Sena e Suzana Alice Marcelino da Silva Cardoso.

 

Academia de Letras da Bahia discute os 120 anos da Guerra de Canudos

“O que hoje se comemora é uma data triste. À época, o arraial de Canudos foi totalmente destruído pelo Exército brasileiro, com uma mortandade incrível. Não há o que celebrar, mas sim lamentar que este fato histórico tenha ocorrido”. A queixa é do acadêmico e poeta Fernando da Rocha Peres que, na última quinta-feira (5.10), na sede da Academia de Letras da Bahia, falou sobre as comemorações aos 120 anos do fim desta que foi uma das batalhas (1896 a 1987) mais sangrentas da história brasileira, a Guerra de Canudos, no sertão baiano.
“Um conflito muito mal administrado pelo Poder daquela época, que resultou no massacre de crianças, idosos e mulheres”, descreve o imortal da ALB. Estimam-se ao menos 25 mil mortos, muitos deles integrantes do movimento religioso liderado por Antônio Conselheiro.

Peres é autor do breviário que, em parceria com a crítica literária Walnice Nogueira Galvão, homenageia a publicação “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, e o estudioso do tema José Calasans. O documento – lançado em 2002 – revela fragmentos do manuscrito (1895) pertencente a Antônio Vicente Mendes Maciel, o Conselheiro. “Contém ‘prédicas’ – discursos religiosos – ao povo de Canudos. É um documento para ser estudado por especialistas das diversas áreas”, sugere.

Ele conta que no romance de Euclides da Cunha, o autor trata Antônio Conselheiro como um “doente grave; gnóstico bronco; paranoico desequilibrado; anacoreta sombrio; retrógrado do sertão; desnorteado apóstolo; um transloucado”. “Esta era a mentalidade do tempo com relação a Canudos. A população brasileira estava com medo. O Exército estava sendo desmoralizado, e Euclides da Cunha não foge a regra de como tratava o assunto”, afirma ele, em alusão às derrotas das tropas nas primeiras três expedições – num total de quatro – contra o povoado, que sofria os efeitos da seca e desemprego, sendo taxados pela sociedade da época como “fanáticos religiosos monarquistas” que buscavam derrubar a recém-instaurada República.

Apesar dos adjetivos negativos a Antônio Conselheiro, Fernando da Rocha Peres defende o peregrino religioso. “Ele tinha conhecimentos muito pessoais, do tempo em que ele estudou e andou com a religião católica. Esta pregação, diante das injustiças que ele via no sertão, simplesmente levantou uma população de míseros jagunços, oriundos da escravidão e seus descendentes”, conclui.

Escritora Mirella Márcia Longo Vieira Lima apresenta livro na ALB

No dia 09 de outubro (segunda-feira), a Academia de Letras da Bahia abre as suas portas para o lançamento do livro “Cenas de amor em romances do século XX”, da escritora Mirella Márcia Longo Vieira Lima. Publicado pela Editora Quarteto, a obra é resultado de pesquisa apoiada pelo Cnpq. Professora do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Mirella tem como objeto de estudo as representações da família, da própria arte e do amor – inclusive erotismo místico – em textos literários modernos e contemporâneos. O evento terá início às 17h.

Cyro de Mattos denuncia em artigo abandono a um dos principais cartões postais de Itabuna

O acadêmico Cyro de Mattos escreveu artigo no final do mês de setembro denunciando o abandono a um dos principais cartões postais de Itabuna, no sul da Bahia. No texto, publicado pelo blog Cem Anos de Itabuna, o literário afirma que painel criado pelo artista baiano Genaro de Carvalho, localizado no centro da cidade, sofre com a indiferença das autoridades locais. “Uma amarga agressão a uma peça artística tão valiosa, de inegável valor, do patrimônio de um município onde nasceu Jorge Amado, o autor mais lido da língua portuguesa”, lamenta.

Lançada em 1953, a obra retrata a civilização da lavoura do cacau – tradição na região – e do povo grapiúna. Signos, símbolos e ícones revelam o desenvolvimento cultural e valores da sociedade itabunense, reproduzindo fielmente a luta diária do trabalhador rural. Restaurada pela última vez em 2011, Cyro afirma que “o painel sofre os mesmos abandonos de tempos passados”. “Até quando vai continuar essa indiferença, deixando o que é belo ao imenso largado do sabor da sorte”, alerta.