Curso Jorge Amado homenageia obra de Myriam Fraga

A poeta Myriam Fraga foi homenageada durante o Curso Jorge Amado, realizado na última quinta-feira (9.11), na sede da Academia de Letras da Bahia, no bairro de Nazaré. Amiga pessoal e estudiosa da obra de Jorge Amado, Fraga, que faleceu em 2016, dirigiu por 30 anos a Fundação Casa de Jorge Amado, hoje sob a gerência da sua filha, Ângela Fraga. Ela foi lembrada durante os quatros dias de colóquio, que discutiu também os 80 anos do lançamento do livro Capitães de Areia, escrito em 1967 pelo autor baiano.

A presidente da ALB Evelina Hoisel fez a releitura de uma entrevista concedida por Myriam Fraga em que a intelectual atesta a condição visceral e corporal da poesia enquanto vida pulsante.
“É uma relação que envolve corpo e espírito, e em que me realizo totalmente. A escrita é uma forma de poder que se alimenta à sua própria substância, que precisa se reinventar sempre, para que possa dar continuidade e sentido a esses faz de contas que é a própria vida. Não saberia viver sem escrever. Escrevo por impulso, por necessidade e por prazer, e por vício também, é claro, mas, muitas vezes, também escrevo para apaziguar os temores. Existe o prazer, mas existe também o sofrimento. Às vezes, escrever é um trabalho penoso, que nos exaure, nos vira pelo avesso, e pode resultar em realização, e aí é o prazer, ou em frustração, aí que é o aspecto doloroso. Quando não estou escrevendo, estou pensando em escrever. Estou sempre reescrevendo o mesmo texto até encontrar a forma que me parece mais adequada para expressar meus sentimentos. Simplesmente, escrevo para sobreviver”, expressou Fraga à época.

Myriam exerceu o cargo de vice-presidente da ALB, sodalício que, desde 1985, ocupava a Cadeira nº 13. “Ela é um ausente sempre presente”, disse Hoisel. A mesa redonda, conduzida pela acadêmica Edilene Mattos, contou com a participação das professoras Antonia Herrera, Cássia Lopes e Lígia Telles, todas docentes da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Um dos assuntos tratados foi o último livro publicado em vida pela poeta, Rainha Vashti, em 2015. A obra narra a história da monarca que foi destituída do cargo após ter desobedecido à ordem de expor a sua beleza física perante o rei Xerxes (Assuero) e seus convidados. Fato que resultou na ascensão de Ester à condição de rainha da Pérsia. Antes da sua morte, aos 78 anos, Myriam Fraga organizou ainda uma coletânea de poesias intitulada Poemas. O livro foi lançado este ano durante a programação da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô).

 

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