Literatura e tradição africana é tema de palestra na Academia de Letras da Bahia

Uma das matrizes mais importantes da cultura baiana foi lembrada no último dia 16 (quinta-feira) na sede da Academia de Letras da Bahia, no bairro de Nazaré. Organizada pelo acadêmico Ordep Serra, a mesa redonda intitulada Literatura e Tradição Africana abordou a inteligência africana para o enriquecimento das letras no mundo contemporâneo.

“Decidi falar sobre uma poética africana de cuja riqueza somos herdeiros”, afirmou. Em sua palestra, Serra falou sobre os aspectos do vocábulo iorubano Oriki. “Oriki é a forma assumida em português pelo nome iorubano oríkì, assim incorporado a nosso vernáculo. Trata-se de um vocábulo usual no dialeto dos terreiros, familiar aos adeptos do candomblé. Aqui o emprego para designar um gênero literário, uma modalidade, entre outras, da arte poética dos povos de língua iorubá”, completou.

Participaram também da discussão a escritora Marina Martinelli e o antropólogo Xavier Vatin, professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Pesquisadores há alguns anos neste campo de estudos, eles destacaram em suas apresentações, respectivamente, a obra do escritor somali Naruddin Farrah, e o resgate do trabalho do antropólogo e linguista negro norte-americano Lorenzo Turner, que na década de 1940 realizou importantes pesquisas no Brasil, destacadamente na Bahia, onde fez gravações com grandes hierarcas do culto do candomblé de diferentes nações. O debate integrou as celebrações do centenário da Academia de Letras da Bahia comemorado em abril deste ano.