Curso na ALB discute importância das coleções especiais

Foi especialmente o amor aos livros, sobretudo os raros, que fizeram com que três entidades baianas realizassem conjuntamente o curso de formação e gestão de coleções especiais. As aulas – ocorridas entre os dias 20 e 22 de novembro – teve o professor carioca Fabiano Cataldo de Azevedo como palestrante, após convite do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), do Grupo de Estudos Interdisciplinares da Raridade Documental (GEIRD) e da Academia de Letras da Bahia, que recebeu os alunos em sua sede, no Solar Góes Calmon, em Nazaré.

Reunindo profissionais multidisciplinares, como bibliotecários, arquivistas, historiadores, museólogos e restauradores, o curso abordou em seu conteúdo temas que destacam o manuseamento dessas obras históricas. “Discutimos conceitos de coleções especiais, as características de formação delas, a diferença entre coleções especiais e o livro antigo. Abordamos também o tratamento do patrimônio bibliográfico brasileiro”, explicou Fabiano.

De acordo com ele, o curso foi direcionado para profissionais que atuam em bibliotecas que possuem acervos históricos, não só raros, mas acervos que tenham características históricas voltadas para o estado da Bahia. “Falar de coleção especial é falar de patrimônio bibliográfico. Falar de patrimônio bibliográfico é preciso conhecer a história do país e a história local. Isso fundamenta a ideia do que é o patrimônio bibliográfico”, afirmou.

Professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Fabiano Cataldo de Azevedo indicou ser preciso respeitar os aspectos históricos dos livros, “isso porque normalmente as coleções especiais são doadas por meio de uma de uma biblioteca particular, constituída ao longo dos anos por um intelectual ou pesquisador, para instituições públicas. É quase que uma institucionalização do bem privado que se torna público. Nesse sentido, é preciso respeitar essas características históricas posteriores”, apontou.

A bibliotecária do Arquivo Histórico Municipal de Salvador, Lídia Costa, que esteve presente nos três dias de curso, disse que as aulas contribuirão para que ela repasse ao público uma melhor informação do acervo da capital baiana. “Este curso nos ajudou a entender a forma de conservar documentos raros. No meu caso, tratar e conhecer ainda mais o acervo histórico do município que os próprios baianos desconhecem”, revelou.

Já a coordenadora do curso e também bibliotecária, profissão que ela qualifica como sendo a dos “verdadeiros guardiões dos livros”, Maria das Graças Cantalino avalia que o estudioso da biblioteconomia ou de áreas correlacionadas são especialistas que devem disseminar para o público a importância das coleções especiais. “Não é guardião no sentido de esse livro é meu e ninguém toca, mas de alguém que preserva e conserva a história de uma cidade ou país. Os livros devem ser tratados com amor e carinho”, concluiu.