Fredie Didier Jr. é o novo imortal da Cadeira nº 10 da Academia de Letras da Bahia

Ao ser empossado na noite desta quinta-feira (30) como o mais novo membro da Academia de Letras da Bahia, Fredie Didier Jr. fez questão de fazer um agradecimento especial a todos os professores que o ajudaram para a sua formação intelectual. Com uma obra dedicada ao estudo do direito processual civil, Didier exerce o cargo de docente da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Ele foi também um dos revisores do Novo Código de Processo Civil brasileiro.
“Estou aqui por causa dos meus professores. Todos eles permanecem em mim. Somente terei sido um bom professor, e com isso satisfazer o mais recôndito dos meus quereres, se me tornar para meus alunos aquilo que meus professores foram para mim. Se isso acontecer, aí, sim, e finalmente, terei alcançado a imortalidade”, disse Didier em seu discurso de posse.

Autor de obras de ciência jurídica, ele descreveu o magistério como sendo seguramente a dimensão mais significativa de existência. “Tenho a forte impressão de que foi a condição de professor há quase 20 anos que me trouxe aqui, e é bem provável que o último desejo de fazer parte desta Academia decorra da percepção de que por aqui estão e estiveram os melhores professores e professoras da Bahia. Está ao lado deles e delas parece a minha chancela definitiva que sou um bom professor. Talvez lá no fundo, e de modo inconsciente, que delicadamente acaricia a minha vaidade, seja o reconhecimento que sou um bom professor”, completou.

Não é a toa que foi o seu professor durante o curso de graduação na Faculdade de Direito da Ufba o escolhido para saudá-lo como imortal da Cadeira nº 10 da ALB. Em sua fala, o acadêmico Paulo Furtado, desembargador aposentado, deus as boas vindas ao novo confrade.
“Tenho que confessar que ao requerer a minha aposentadoria, após 35 anos na Faculdade de Direito da Ufba, enfrentei uma angústia até então nunca sentida. A de pensar quem ocuparia a cátedra que com amor extremo havia eu ocupado durante tanto tempo. Para a minha alegria experimentei a satisfação de ver que um de meus brilhantes alunos, após o curso legal, seria o responsável pela continuidade do cansativo, porém prazeroso trabalho de formar novos processualistas. Não poderia ser mais feliz, para mim, minha sucessão. Fredie angariou, com a exitosa carreira que construiu profissionalmente, o respeito e a admiração da comunidade jurídica nacional”, elogiou.

Furtado salientou a Fredie Didier Jr. sobre a responsabilidade dele assumir o lugar que anteriormente pertenceu ao Monsenhor Gaspar Sadoc da Natividade, falecido em 2016, e quem o jurista classificou como sendo “especial, grande em tudo. O maior orador nato de nosso tempo”.
“Há homens que não morrem. Não morrem nunca, e Gaspar Sadoc é um deles. Notadamente, pelo exemplo vivo que legou a todos de nossa geração e das gerações futuras. Tal como uma estrela, permanece. Podemos vê-las e sentir em seu brilho a sua permanência entre nós. Olhando os cometas, passageiros e eternos, descobrimos que alguns homens são eternos. São luzes nos momentos escuros; paz nos momentos de fraqueza; seguranças nos momentos de insegurança”, concluiu.

Anúncios