Ano acadêmico inicia com destaque para o Dia da Mulher

No dia em que se comemorou o Dia Internacional da Mulher, a Academia de Letras da Bahia iniciou as suas atividades para o ano de 2018. A data de 08 de março (quinta-feira) simbolizou a retomada das discussões especialmente para reforçar a importância das mulheres na sociedade. Em conferência, a imortal e etnolingüista Yeda Pessoa de Castro debateu a literatura baiana nas vozes de escritoras negras contemporâneas e aproveitou para criticar a “visão preconceituosa e machista” que perdura no Brasil.
“Participamos de uma sociedade onde nós mulheres somos vítimas de um machismo endemicamente ‘arregado’, que projeta nossa imagem na concepção de vigente da boca do povo como ‘criatura insidiosa’, com ‘arte do diabo’, como “o próprio diabo em forma de gente’…”, disse. Ela condenou o pensamento misógino ainda presente na população. “Sempre nós quem provocamos o apelo sexual. Somos as responsáveis diante de uma visão preconceituosa, machista, que muito nos incomoda”, afirmou.

A intelectual apontou o amparo às raízes negras africanas como forma de enfretamento ao preconceito. “Essa história quando se reveste de resistência e combate a injúrias, a intolerância religiosa, a homofobia, e todo tipo de discriminação e perseguição feita às mulheres, ela se fortalece se nós nos ampararmos no espelho do conhecimento das nossas raízes negras africanas, da nossa ancestralidade guardada na memória dos nossos antigos, da África como berço da humanidade…” explicou.

Homenagens

Estudiosa de línguas africanas, com doutorado pela Universidade Nacional do Zaire, na República Democrática do Congo, Yeda Pessoa de Castro relembrou a trajetória de duas escritoras baianas, negras, segundo ela desconhecidas do grande público.
“Nivalda Costa (in memorian) e Aline França não tiveram o reconhecimento merecido, apesar de serem figuras onde a voz e as mensagens – pioneiramente – ressoam heroicizando o povo negro. Escritoras negras cujas vozes na sua maioria ainda não ressoaram nos umbrais das nossas academias, com a razão e o silêncio secular que lhe foi imposto na condição de negra e mulher”, concluiu. Uma apresentação do primeiro afoxé feminino do Brasil, as Filhas de Gandhy, encerrou o encontro.

 

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