Academia de Letras da Bahia recebe painel do Fórum Social Mundial para homenagear Henryane de Chaponay

Um dos eixos temáticos do Fórum Social Mundial (FSM), que pela primeira vez acontece em Salvador (BA), de 13 a 17 de março, ganhou ainda mais força ao ser discutido na noite desta quarta-feira (14.03) na sede da Academia de Letras da Bahia, no Solar Góes Calmon, em Nazaré. O papel feminino na luta por uma sociedade cada vez mais igualitária foi a tônica da sessão intitulada “As mulheres que mudam o mundo”, organizada com o apoio do acadêmico Ordep Serra.

O principal nome reverenciado foi o da francesa Henryane de Chaponay – aos 93 anos e presente à cerimônia –, ativista do Fórum Social Mundial desde a sua criação, ela participou diretamente da emancipação de várias nações africanas. No Brasil, se interessou pelas questões do país após conhecer Josué de Castro, Miguel Arraes e Paulo Freire. Aqui, ficou conhecida como “condessa vermelha” por sua relação com os movimentos de resistência à ditadura militar e suas relações familiares com a aristocracia européia. “Responsável pela construção de redes de cidadania pelo mundo”, revelou um dos presentes. “Essa homenagem não é apenas para mim, mas também às mulheres que lutam pelas causas sociais e muitas vezes são invisíveis. Dedico a todas as pessoas que conheci no Brasil, seja homem ou mulher, e que contribuíram para fazer um mundo melhor”, disse Chaponay ao ser aplaudida de pé pelo público formado na sua maioria por brasileiros e franceses.

Carminda Mac Lorin, uma das articuladoras do Comitê de Organização do Fórum Social Mundial, revelou que as mulheres contribuíram para introduzir um novo paradigma de organização do FSM, no qual, segundo ela, “se estabeleceu “vínculos” tendo como premissa os cuidados com os demais”. “Uma das melhores maneiras de fazer politica são os seus vínculos de amizade dentro da política. Temos que imaginar uma história na política onde os atores e atrizes não são apenas os que estão no palco principal, mas que reconhecem também as pessoas que estão por trás; que apoiam o que fazemos, a exemplo da moça que abre a porta para nós”, afirmou. São esperados nos cinco dias de debates do Fórum Social Mundial cerca de 50 mil pessoas. As discussões estão acontecendo por diversos espaços da capital baiana.

 

 

Anúncios