Aramis Ribeiro Costa mostra em seu novo livro uma Salvador com identidade

O membro benfeitor da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa, apresentou, nesta quinta-feira (07.06), o seu novo romance Memória de Itapagipe: anos 50 do século XX, lançado no último final de semana durante o XVIII Festival de Livros e Autores da Universidade Federal da Bahia (Ufba). A obra concentra-se, sobretudo, nos anos 50, valendo-se da memória, história, sociologia e costumes da Península de Itapagipe, particularmente do Largo do Papagaio até a Ribeira, na cidade do Salvador, local onde o escritor passou boa parte da infância.

Aos confrades, Ribeiro Costa destacou um pouco da temática do primeiro capítulo, intitulado ‘Outro mundo’. No texto, ele recorda uma Salvador até então “cortada por bondes, por carroças, uma cidade bela, de belos edifícios, poucos andares, belos casarões, desafogada do ponto de vista de trânsito, calma, que possuía uma identidade”. “Totalmente diferente, não apenas fisicamente, mas de costumes; havia o respeito entre gerações”, disse.

O escritor lembrou que as grandes cidades da Europa não precisaram destruir a cidade antiga, tradicional, para evoluir e se modernizar. “Os velhos prédios estão lá”, indicou. A transformação “absurda” da capital baiana se deu, segundo ele, a partir dos anos 50, com a necessidade de destruir os prédios históricos, no que ele caracterizou como “sede de modernização”. “O que vimos nos anos 50 e 60 foi a destruição sistemática dessa cidade, muitas vezes criminosas, a exemplo dos inúmeros incêndios que ocorreram à época. Foram anos terríveis. Um espírito de renovação que implicava em destruir o que já estava construído, quando se podia manter o que já estava pronto e partir para outros bairros”, lamentou.

Antes um apaixonado declarado pela cidade, atualmente o autor não vê motivos para se sentir fascinado por Salvador. “Hoje é uma cidade feia, descaracterizada, congestionada. Considero Salvador uma São Paulo pobre. Por muitas vezes, fui à noite de Itapagipe até Itapuã. Andava sozinho pelas ruas, praças, descendo e subindo ladeiras. Às vezes, olhava para o lado e não via ninguém, nunca fui incomodado, assaltado. Hoje, fazer isso já não é possível. Corre o risco de ser assassinado”, queixou-se.

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