Morre o acadêmico e professor Edivaldo Boaventura

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Foto: Fábio Marconi

Nota de falecimento

A Academia de Letras da Bahia se solidariza com os familiares do acadêmico e amigo Edivaldo Machado Boaventura, falecido nesta terça-feira (21.08), aos 84 anos. O intelectual não resistiu às complicações de um procedimento cardíaco. Atual vice presidente da instituição, mas considerado pelos confrades como eterno presidente, Boaventura integrava o sodalício literário desde 1971, quando, aos 38 anos, assumiu a Cadeira nº 39. Carinhosamente chamado pelos confrades de “chanceler da cultura baiana”, Edivaldo Boaventura era uma apaixonado pelos campos das ciências, letras e artes, tendo dirigido por produtivos anos a Secretaria de Educação do Estado e o jornal A TARDE, periódico de maior circulação do Norte e Nordeste. Foi inclusive neste período que ele fundou a Universidade do Estado da Bahia (Uneb), na qual foi reitor, e ajudou também na criação da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), município onde nasceu.

Formou-se bacharel em Direito e em Ciências Sociais, ambas graduações pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), instituição que mais tarde o agraciaria com o título de professor emérito. Eram inúmeras as instituições da qual ele integrava o quadro de membros. Podemos citar, por exemplo, a Academia de Letras Jurídicas, Academia de Ciências da Bahia, Academia Brasileira de Educação, Academia de Letras de Feira de Santana, benemérito da Conquistense, correspondente da de Campos de Jordão, e das Letras e Artes Mater Salvatoris. Foi também sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB). Acrescente-se à sua biografia o título de Comendador e Grande Oficial da Ordem do Infante Dom Henrique, Officier de l`Ordre des Palmes Académiques, Oficial da Ordem do Mérito Militar. A última homenagem em vida veio do governo português com a “Ordem da Instrução Pública no grau de Comendador” pelos serviços prestados à educação e cultura nos dois países de língua portuguesa, em 2018.

ALB

Edvaldo Boaventura era um entusiasta quando o assunto era a Academia de Letras da Bahia. Foram mais de 45 anos frequentando e atuando em prol da instituição literária. Conhecia cada detalhe, cada espaço da casa de cultura. Membro benfeitor, presidiu a agremiação no mandato de 2007 a 2011. Sua liderança era inquestionável, sempre disposto a compartilhar e ouvir interesses intelectuais. “É um gentleman”, diziam repetidamente os colegas sobre o seu modo educado de tratar as pessoas. Recentemente, esteve à frente, junto com outros confrades, da organização do centenário da ALB. Participar das sessões ordinárias, extraordinárias e de todos os eventos realizados no Solar Góes Calmon sempre foi motivo de aprendizado para ele. “É o espaço para agregar ideias”, disse durante uma das suas conferências. A biblioteca e o arquivo eram paradas obrigatórias por ele, sempre enriquecendo os espaços com algo de bom, seja um novo livro ou artigo escrito.

Sem dúvidas, a Academia de Letras da Bahia, como instituição que preserva a memória cultural do Estado, fará da obra de Edivaldo Machado Boaventura um legado a ser transmitido para a formação de todas as gerações baianas. A ALB, com grande pesar, decreta luto oficial por três dias e a suspensão das atividades acadêmicas no dia 23 de agosto (quinta-feira), quando ocorrerá, às 15h, o seu sepultamento, no cemitério Jardim da Saudade.

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