ALB lamenta falecimento de Mãe Stella de Oxóssi

É com grande pesar que comunicamos o falecimento, nesta quinta-feira, 27 de dezembro, da nossa querida confreira Maria Stella de Azevedo dos Santos (Mãe Stella de Oxóssi). Nascida em Salvador, Bahia, em 2 de maio de 1925, Mãe Stella, como era mais conhecida, notabilizou-se como uma das mais importantes Iyalorixás do Brasil, exercendo de forma bastante dinâmica sua missão espiritual.
Iniciada no Candomblé por Mãe Senhora, em 12 de setembro de 1939, Mãe Stella foi escolhida como a quinta Iyalorixá do Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, em 19 de março de 1976, realizando por mais de quarenta anos um trabalho espiritual e educativo de excepcional valor. Criou, em 1978, a Escola Municipal Eugênia Anna dos Santos, voltada para a preservação da identidade do afro descendente, e mais recentemente uma biblioteca móvel com livros, vídeos e gravações sobre diferentes religiões.
Em reconhecimento ao seu trabalho, ganhou em 2001 o prêmio jornalístico Estadão, na condição de fomentadora de cultura, além dos títulos de Membro Honorário Del Templo Yorubá de Porto Rico, 1993; Medalha Dois de Julho, 1997 e Medalha Maria Quitéria, 1997 – Câmara Municipal de Salvador; Medalha de Ordem ao Mérito da Cultura na Classe Comendador – Presidência da República, 1999; Outorga do título Doutor Honoris Causa/ UFBA, 2005; Medalha Zumbi dos Palmares, 2005; Outorga do título Doutor Honoris Causa/UNEB, 2009.
Por seus méritos também como escritora, foi eleita em 23 de maio de 2013 para a Academia de Letras da Bahia. Tomou posse em 12 de setembro 2013, no salão nobre da atual sede, sendo saudada pela poeta Myriam Fraga. É autora dos livros E daí aconteceu o encanto, em coautoria com Cléo Martins (Salvador: Edição independente, 1988), Meu tempo é agora (São Paulo: Editora Oduduwa, 1993), Òsòsi, o caçador de alegrias (Salvador: Secult – Secretaria de Cultura da Bahia, 2006), Òwe-Provérbios (Salvador: Edição independente, 2007), Epé Laiyé, terra viva (Salvador: Edição independente, 2009), Opinião (Salvador: EGBA – Empresa Gráfica da Bahia reunindo artigos escritos quinzenalmente para a coluna Opinião do Jornal A Tarde).
Outra faceta marcante de sua trajetória foi o posicionamento firme contra a intolerância religiosa, defendendo relações respeitosas e harmônicas entre as diversas religiões, manifestando-se também contrária ao sincretismo religioso. Para ela, cada religião deve se manter fiel à sua própria essência.
É, portanto, com grande pesar que a Presidente Evelina Hoisel (no momento, ausente de Salvador) decreta luto oficial nesta Casa por três dias em memória da nossa estimada confreira.

Atenciosamente,
Carlos Ribeiro
Secretário da ALB

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ALB encerra o ano de 2018 com confraternização e entrega de prêmio

Reunindo acadêmicos, amigos e funcionários, a Academia de Letras da Bahia realizou na última quinta-feira, dia 20 de dezembro, sua festa de confraternização de final de ano. A coordenação ficou por conta da presidente da casa, Evelina Hoisel, mas contou também com a presença do futuro presidente da entidade, Joaci Goes – que tomará posse no início do próximo ano – e um convidado de honra, o ex-governador baiano Roberto Santos.

Na ocasião, a Academia entregou ao escritor e acadêmico Guilherme Radel o Prêmio Conjunto de Obra 2018 ALB/Eletrogoes. O homenageado foi prestigiado por amigos e pela família (a esposa Luzia e os filhos Marta, Julio e Lucas).

Como escritor, Radel publicou, entre outros, os livros A cozinha sertaneja da Bahia e A cozinha praiana da Bahia, que, juntamente com A cozinha africana da Bahia, constituem um painel bastante rico da cozinha baiana, abordando de forma leve, mas com profundidade, tópicos históricos, sociológicos, etnológicos, econômicos, ecológicos e científicos.

Academia de Letras sedia Raias do Pensamento

Com curadoria de Cassia Lopes e Luis Serguilha, a Academia de Letras da Bahia sediou nos dias 13 e 14 de dezembro o evento “Raias do Pensamento”. O objetivo foi reunir escritores, professores, artistas e outros pensadores para refletir sobre o pensamento contemporâneo, a partir de contextos específicos distribuídos em três mesas de debates. Na abertura do evento, um momento musical: voz e violão de Silvio Carvalho.

A primeira mesa, voltada para o tema “Música Popular Brasileira: tramas da linguagem e do pensamento”, foi dividida em dois momentos de reflexão sobre nomes importantes da música brasileira. O primeiro momento teve como foco a trajetória de Tomzé – uma análise feita pela pesquisadora Cássia Lopes. O segundo momento foi dedicado à figura de Renato Russo, analisado pelo professor Sandro Ornellas. A mediação foi de Antonia Pereira.

A segunda mesa recebeu o título de “Vozes de Mulheres Ameríndias nas Literaturas do Brasil e de Quebec” e contou com apresentação da professora Rita Olivieri Godet, da Universidade de Rennes 2 (França) e membro correspondente da Academia de Letras da Bahia, com mediação da presidente da ALB, Evelina Hoisel.

A programação do dia 14 de dezembro, sob mediação de Edilene Mattos, girou em torno do tema Pensamento e Literatura na Contemporaneidade. A mesa foi desdobrada em dois temas: A Experimentação Segundo Clarice Lispector, apresentado por Moises Alves, da Universidade Estadual de Feira de Santana; e O Gramatical, o Impensável, o Imperceptível em Fugas Estéticas, apresentado pelo poeta, ensaísta e curador de arte Luis Serguilha (Portugal/Brasil).

O evento foi encerrado com o lançamento do livro de Moisés Alves intitulado “ Coisas que fiz e ninguém notou mas que mudaram tudo”, publicado pela Editora Circuito/RJ. Houve sessão de autógrafos e também recital de poemas.

Escola de Belas Artes emite nota de louvor

A Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia emitiu uma Nota de louvor pela indicação e aprovação do artista plástico Juarez Paraíso para compor os quadros da Academia de Letras da Bahia, ocupando a cadeira 39. Assinada pela diretora da EBA, Nanci Santos Novais, a nota parabeniza Juarez Paraíso e ressalta ser ele o primeiro artista plástico a tornar-se acadêmico.

Nota de Louvor
A Escola de Belas Artes sensibilizada e honrada com o novo Título almejado pelo Artista Plástico e Visual JUAREZ MARIALVA TITO MARTINS PARAISO, Professor Emérito da Universidade Federal da Bahia, por mais de 60 anos dedicados à sala de aula desta casa, onde também exerceu o cargo de Diretor da Unidade, parabeniza por sua eleição como Membro da Academia de Letras da Bahia como o 1º Artista Plástico a ocupar uma cadeira de tão representatividade nesta reconhecida Academia, felicitando os seus familiares, amigos e colegas.

Salvador, 12 de dezembro de 2018

Profª Nanci Santos Novais – Diretora

APUB apoia eleição de Juarez Paraiso para a ALB

A APUB – Sindicato dos Professores da Instituições Federais de Ensino Superior da Bahia divulgou nota em apoio à eleição do artista plástico Juarez Paraíso para a Academia de Letras da Bahia, onde ocupará a cadeira 39, que pertencia ao professor Edvaldo Boaventura, falecido em agosto último. Abaixo, a nota na íntegra:

“A Academia de Letras da Bahia elegeu, na última segunda-feira (10), o artista plástico e professor Juarez Paraíso para a cadeira 39,em substituição ao professor Edivaldo Boaventura.

Juarez Paraíso, professor da Escola de Belas Artes da UFBA,é respeitado em todo mundo artístico, sendo autor de obras que marcaram inclusive a cidade de Salvador

A Apub acrescenta às homenagens alguns elementos sobre a ação do militante Juarez Marialva Tito Martins Paraíso, um dos fundadores da Apub Sindicato, em agosto de 1968, e assim filiado há mais de 50 anos. Sempre participou e apoiou as atividades do sindicato. Um exemplo de seu apoio é o quadro que honra o acervo da Apub (veja abaixo).

Inovador, teve ação marcante na II Bienal Nacional de ArtesPlásticas da Bahia, fechada pela Ditadura Militar, quando foi preso. Seu depoimento à Comissão Estadual da Verdade da Bahia sobre o quadro de resistência cultural na Ditadura Militar é fundamental para entender o período.

Juarez é o primeiro artista plástico a ser eleito para a Academia de Letras da Bahia. Quando a Universidade sofre ataques desqualificadores, é exemplo da contribuição que os professores universitários oferecem à cultural e à sociedade brasileira”

Juarez Paraíso é eleito para a Academia de Letras da Bahia

O artista plástico e professor Juarez Paraíso, um dos nomes mais importantes da cultura baiana contemporânea,foi eleito para a cadeira número 39 da Academia de Letras da Bahia, que teve como último titular o escritor e professor Edivaldo Boaventura, falecido em agosto último. O novo acadêmico tomará posse em solenidade cuja data ainda será anunciada.

Esta é a primeira vez que a centenária Academia de Letras da Bahia recebe para os seus quadros de acadêmicos um artista plástico. Interessante observar que a eleição de Juarez Paraíso, ocorrida nesta segunda-feira, dia 10 de dezembro, coincidiu com a data de aniversário de Edivaldo Boaventura, de quem era grande amigo.

Juarez Paraíso iniciou sua carreira artística na década de 1950, angariando duas premiações no 2º Salão Universitário Baiano de Belas Artes, realizado em 1952, em Salvador. Em seguida, destacou-se como membro da segunda geração modernista da Bahia, tendo realizado sua primeira exposição individual em 1960, na Biblioteca Pública do Estado da Bahia. Participou de inúmeras exposições e teve elogiada atuação no ensino superior na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, onde veio a ser professor e diretor.

Nos anos 1960, Juarez Paraíso produziu importantes trabalhos de arte abstrata em desenho e gravura e em obras murais figurativas e abstratas, ocupando inclusive espaços públicos de Salvador. A continuidade das atividades com murais se prolongou nas décadas seguintes. Nessa sua trajetória, a poética visual de Paraíso apresenta características de dinamismo, organicidade e sensualidade, com destaque na utilização da linha como elemento básico das composições, bem como nas experimentações em diversas técnicas e no desenvolvimento de pesquisas artísticas.