Seminário debate como melhorar a Educação no país

Coordenado pelo atual presidente da Academia de Letras da Bahia, Joaci Góes, o seminário “Uma Nova Educação para o Brasil” reuniu no auditório da ALB, em Nazaré, na última quarta-feira, dia 24 de abril, representantes de instituições baianas interessadas em debater o tema e apontar novos caminhos para o futuro educacional do país. Um das sugestões discutidas no seminário foi a criação de uma comissão permanente para contribuir com os Governos Federal e Estadual na melhoria da Educação.

Em sua fala, Joaci Góes criticou o atual sistema de ensino brasileiro, defendendo o fim da gratuidade do ensino público universitário. “Temos o ensino público universitário mais caro do Globo e o Brasil tem um ensino de faz de conta. Além disso, estamos vendo a perda do protagonismo na Bahia perante o país”, disse.

Participaram do evento diversos acadêmicos bem como representantes de instituições como Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Academia de Ciências da Bahia, Associação Baiana de Imprensa, Universidade Federal da Bahia, Ordem dos Advogados do Brasil/BA, Associação Comercial da Bahia, Instituto Kirimurê, Federação das Indústrias do Estado da Bahia/Fieb, Uneb, Rádio Excelsior, Programa Saúde no Ar, UFRB e Legião da Boa Vontade.

Fotos:Reginaldo Ipê

Como Conheci Castro Alves – artigo do acadêmico Cyro de Mattos

Cyro de Mattos

Para Joaci Goes

Foi nos idos de 1953. Saltei do bonde na parada próxima ao Restaurante Cacique e Cine Guarani, com o firme propósito de conhecer aquele monumento de mais de dez metros, um homem lá no alto encimando o pedestal. Aquele homem de cabeleira negra e basta devia ser muito importante para que fosse homenageado em monumento tão grandioso.

Atravessei a rua com a luz forte do verão caindo no asfalto e me aproximei do monumento. Meu olhar curioso viu que em um dos lados estava um livro aberto  com um sabre atravessado, tendo em letras douradas os versos:  “Não cora o sabre do hombrear com o livro”. Em placa de mármore,  numa das faces da base, lia-se:  “A Bahia a Castro Alves.”

Aquela estátua de bronze  assentada no alto representava  um poeta, muito querido pelo povo baiano, estava ali na atitude de fala importante, de quem declamava, tendo a cabeça descoberta, fronte erguida, olhar perdido no infinito, chapéu mole de estudante à mão esquerda, braço direito estendido. De um lado da coluna no monumento, vi um grupo em bronze, representando um anjo em posição de voo, a levantar uma mulher escrava pelo braço, erguendo-a ao alto.  E também um casal de escravos.

Quem era esse poeta que a Bahia dedicava imenso amor? Lembrei da biblioteca da agremiação estudantil no Colégio dos Irmãos Maristas. E foi lá,  durante a semana, à hora do recreio, folheando o livro ABC de Castro Alves, de Jorge Amado, que fiquei  conhecendo a vida e a obra daquele grande poeta, que os baianos com orgulho chamavam de gênio.

Era um rapaz esbelto, que vivera pouco. Nasceu na fazenda Cabaceiras, próxima a Curralinhos, na  Bahia, em  14 de março de 1847. Tinha grandes olhos vivos, maneiras que impressionavam a quem o assistisse declamando versos de amor, às flores e em solidariedade aos escravos. Causava admiração aos homens e arrebatava paixões às mulheres. Seu estilo contestador contra a situação da escravidão dos negros na Bahia o tornou conhecido como O Poeta dos Escravos. Além de abolicionista exaltado,  foi um liberal atuante, que clamava  pela instalação da República no Brasil. Teve como colega Rui Barbosa no Colégio Abílio Borges, em Salvador, e na Faculdade de Direito do Recife. Faleceu aos seis de julho de 1871, aos 24 anos, em Salvador, vítima de tuberculose.

Depois de conhecer um pouco  a vida do poeta romântico, interessei-me  por sua poesia. Fui ler, um a um, os livros desse poeta,  cantor do amor, da água, das pétalas, dos negros escravos e da liberdade. Publicara em vida apenas um livro: Espumas Flutuantes, em 1870. Seus outros livros,  A Cachoeira de Paulo Afonso, 1876 ,  Os Escravos, 1883,  Hinos do Equador, 1921, tiveram edição póstuma.

Na medida em que fazia a leitura duma  poesia cativante e libertária, ia anotando alguns versos no caderno, que me enriqueciam a sensibilidade.

Como esses: Senhor Deus dos desgraçados!/Dizei-me vós, Senhor Deus,/Se eu deliro… ou se é verdade/ Tanto horror perante os céus?!… / Ó mar, por que não apagas/ Co’a esponja de tuas vaga/ Do teu manto este borrão? / Astros! noites! tempestades! /Rolai das imensidades! Varrei os mares, tufão! …

Ou esses:  Oh! Bendito o que semeia/ Livros à mão cheia/ E manda o povo pensar!/O livro, caindo n’alma/ É germe – que faz a palma,/ É chuva – que faz o mar!

Ou ainda esses, escritos com graça e leveza: Prendi meus afetos, formosa Pepita…/ mas, onde?/ No tempo? No espaço? Nas névoas?/ Não rias…/ Prendi-me num laço de fita!

Perguntava-me como era que no coração de um poeta tão jovem como Castro Alves  cabia tanta afetividade e solidariedade aos excluídos.  Com a leitura de cada livro do poeta, minha alma foi-se impregnando da beleza e da verdade postas de maneira maior  em versos comoventes, em tons vários escorridos com amor e talento raro, que só os gênios possuem. Castro Alves tornou-se em pouco tempo  um ídolo para o moço do interior, desses em que  a marca de uma época ou de um tema brilha com a individualidade manifestada numa espécie de criador, a permanecer sempre ante a vida que passa.

 

  • Cyro de Mattos é ficcionista e poeta. Da Academia de Letras da Bahia. Possui prêmios importantes no Brasil e exterior. Publicado também por várias editoras europeias. Primeiro Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz.

Crianças no lançamento de livros infantis

Crianças e literatura. A Academia de Letras da Bahia viveu uma tarde de encantamento infantil no dia 17 de abril, com  o lançamento de dois livros para o público mirim: “A Estrelinha Atrapalhada” e “O Livro Falante”, ambos da escritora Noélia Barreto Bartilotti (Tia Nó). Além de conhecer essas duas obras literárias, publicados em parceria com a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia Bahia, as crianças aproveitaram para visitar a sede da Academia, aprendendo um pouco mais sobre a história das letras na Bahia.

Fotos: Fabíola Campos.

7cf41c86-7c6d-4a84-a113-476d9ef7d71b

Academia de Letras propõe debate sobre a educação no país

A Academia de Letras da Bahia realiza no dia 24 de abril, das 14h às 18h, na sua sede, no bairro de Nazaré, o encontro “Uma Nova Educação par o Brasil”, cujo objetivo é propor medidas para melhorar a educação brasileira. A iniciativa é uma realização conjunta com a Academia de Ciências da Bahia, o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, a Associação Baiana de Imprensa, a Ordem dos Advogados do Brasil/Bahia, a Academia de Letras Jurídicas, a Federação das Indústrias, a Federação do Comércio, a Academia de Letras e Artes de Salvador, o Grupo Kirimure e o Programa Saúde no Ar.

Uma nova educação para o Brasil – Artigo de Joaci Góes

Ponto de vista

Uma nova educação para o Brasil

Joaci Góes

Ao eminente amigo, confrade e Reitor da UFBA, João Carlos Salles!

 Diante da expectativa favorável da aprovação das reformas penal e previdenciária, em curso no Congresso Nacional, indispensável à moralização do País e à sua organização econômico-financeira, apesar dos arreganhos da turma do toma-lá-dá-cá e dos que consideram o quanto pior melhor, desde que retornem ao poder, o momentoso tema da educação ganha, agora, a atenção que merece, desgraçadamente, no caso, pelas homéricas caneladas do recentemente exonerado Ministro Ricardo Vélez Rodríguez. Boa sorte ao novo titular Abraham Weintraub!

O último Painel, que a GloboNews apresenta às noites de sábado, trouxe a opinião de três especialistas em educação que, no geral, propuseram um pouco melhor do mesmo, sem apontarem, no entanto, para alterações estruturais no comprovadamente ineficaz sistema que cuida do setor de maior importância para o futuro próximo e remoto da sociedade brasileira. De positivo, os aludidos especialistas concluíram que o péssimo estágio em que se encontra a educação brasileira constitui uma tragédia nacional. De fato, salta aos olhos que os grandes problemas brasileiros derivam, em última análise, de nosso deficiente e desigual sistema educacional. De tal modo o conhecimento se impõe como a força modeladora da grandeza das pessoas, das empresas e dos povos, que a velha distinção entre ricos e pobres cede lugar à nova que distingue entre os mais e os menos educados, tamanha a relação linear crescente entre conhecimento, riqueza e poder.  Educação compreendida como uma moeda que traz conhecimento numa das faces e valores na outra.

Questões atinentes à saúde, segurança pública, corrupção, impunidade, infraestrutura, eleições e partidos políticos estão muito vivas, batendo à nossa porta, para exigir soluções imediatas que não podem aguardar que saiamos de nossa letárgica apatia e passemos a encarar a educação no seu alcance e significado de panaceia para a cura de praticamente todos os males das sociedades modernas. Por isso, Sergio Moro e Paulo Guedes neles!

Para revolucionar a educação brasileira, propomos cinco medidas:

  • Federalizar o ensino fundamental e básico dos municípios e estados que não alcançarem desempenho mínimo, previamente estabelecido;
  • Regulamentar a alfabetização domiciliar, bem como qualquer tipo de capacitação, sujeito, apenas, a teste de suficiência, como acontece na Coreia do Sul;
  • Acabar com a gratuidade do ensino público universitário – maior fator de aprofundamento das desigualdades, no Brasil -, para os que puderem pagar;
  • Ampliar o sistema de quotas, sem quebra do princípio meritocrático, cursando o aluno beneficiário do programa na instituição em que for aprovado;
  • Destinar os centros de pesquisa a quem manifestar pendor científico, provindos de instituições públicas ou privadas, extinguindo-se as exigências burocráticas e ineficazes vigentes que fingem obrigar todos a pesquisarem. A pesquisa deve priorizar o desenvolvimento.

Na sociedade do conhecimento em que estamos imersos, o principal dever do Estado é assegurar a igualdade de oportunidades para todas as pessoas. E não há outro meio para alcançar este propósito que não seja a educação, requisito em que o Brasil vem fracassando, de que é prova a humilhante posição que ocupa, no particular, entre as nações que integram o G20.

Numa autocrítica louvável, 66% dos professores do ensino básico e fundamental reconhecem a baixa qualidade dos cursos universitários que fizeram.  A causa residiria na postura populista das faculdades que cursaram, ao priorizarem o pendor ideológico dos futuros mestres sobre sua formação acadêmica. Os melhores e os piores mestres são tratados como iguais na boca do cofre ao fim de cada mês, bem como no plano das promoções que passam a ser uma mera questão de decurso do tempo ou de conquista de títulos, quando não por filiação ideológica, com raras exceções. A ação sindical funciona como elemento detonador do princípio aristotélico que manda tratar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam, como também queria Rui. A conquista da autonomia pedagógica do professor é interpretada como inteiramente desvinculada do mérito. Para os pais, ignorantes em sua grande maioria, boa é toda escola que for limpa, bonita e tiver merenda e uniforme de qualidade.

Sob o patrocínio da Academia Baiana de Educação, da Academia de Ciências da Bahia, do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, da ABI, da OAB, da Academia de Letras Jurídicas, da Federação das Indústrias, da Federação do Comércio, da Academia de Letras e Artes de Salvador e do Grupo Kirimure será realizado um encontro no auditório da Academia de Letras da Bahia, no próximo dia 24, quarta-feira, das 14 às 18 horas, com o propósito de sugerir medidas para melhorar a educação no Brasil e na Bahia. São convidados todos que queiram contribuir neste mutirão.

A educação tem que ser encarada como de responsabilidade geral, por ser o caminho mais curto entre a pobreza e a prosperidade, o atraso e o desenvolvimento, a barbárie e as sociedades fraternas e cultas a que aspiramos pertencer.

 

 

Aramis Ribeiro Costa lança mais dois livros

O acadêmico e escritor Aramis Ribeiro Costa lança no dia 23 de abril, terça-feira, às 18 horas, na sede da Academia de Letras da Bahia, à Avenida Joana Angélica, 198, Palacete Góes Calmon, bairro de Nazaré, mais dois livros de contos: “Histórias de Mais ou Menos Amor” e “Noite Alta Céu Risonho”. O primeiro contém oito contos, oito histórias de mais ou menos amor, todos intitulados com nomes de mulher, e o leitor decidirá onde há mais, onde há menos, onde há mais ou menos amor, e até se há algum amor em cada narrativa, pois afinal quem decide o que lê é o leitor. Já que as histórias de amor são sempre parecidas para toda gente, o autor alerta que se trata de pura ficção, sendo qualquer semelhança com a realidade uma mera e infeliz coincidência. Pede, portanto, que ninguém se sinta retratado nessas histórias.

O segundo livro, “Noite Alta Céu Risonho” é formado por sete contos, todos passados no bairro de Itapuã, e traz a curiosidade de alguns personagens participarem de alguns outros contos, além daquele em que são protagonistas, o que é muito natural, pois se moram no mesmo bairro, conhecem-se, ou, pelo menos, se encontram. Aqui também o leitor vai decidir se ri das situações, ou se fica revoltado, pois o que é trágico para alguém, pode perfeitamente ser divertido para os que simplesmente assistem, ou tomam conhecimento da história por meio da leitura.

Romancista, novelista, poeta, memorialista, ensaísta e, naturalmente, contista, com mais de vinte livros publicados, Aramis Ribeiro Costa é um dos mais destacados ficcionistas da literatura baiana contemporânea, além de ocupar a Cadeira número 12 da Academia de Letras da Bahia.