Trajetória de uma vida – de estagiário a empresário de hotelaria

Trajetória de uma vida

Joaci Góes

Para as marcantes personalidades de Julieta Isensée, Margarida Luz e Lícia Fábio!

Com a palestra do empresário Cícero Sena, seguida de debate, sob o título De estagiário a empresário da hotelaria, a Academia de Letras da Bahia deu início, com grande êxito, ao programa Trajetória de uma Vida para ouvir personalidades da seara pública e privada da Bahia, com marcante contribuição ao nosso desenvolvimento em múltiplos domínios. Os próximos expositores, já agendados, são os empresários Luís Mendonça Filho, expoente do setor de transportes, e Teobaldo, do Atakarejo, expoente da área de supermercados.

Com essa e outras iniciativas de grande alcance, a nossa Academia corresponde ao seu histórico prestígio cultural e à sua notável ancianidade como instituição decana do Continente, se levarmos em conta que sua primeira versão data de 1724 quando se instalou sob o nome de Academia dos Esquecidos, em represália à omissão proposital da Corte de Lisboa em não incluir intelectuais brasileiros em sua Academia de Letras de 1720, no estilo e padrão do modelo matriz que é a Academia Francesa de Letras. Ao não incluir brasileiros, Portugal já se inquietava ao perceber que eram crescentes as dificuldades para que o rabo continuasse abanando o cão.

Relativamente aos nomes que podem figurar nesta relação privilegiada de palestrantes, o poeta espanhol Antônio Machado nos deu régua e compasso ao ensinar que “Caminhante, não há caminho; o caminho se constrói andando”. Isso significa que preenchidos os requisitos de reconhecida maturidade existencial e uma respeitável biografia no campo cultivado, tudo o mais fica por conta dos entendimentos entre essas personalidades e ou pessoas a elas ligadas e a direção da ALB, para que o encontro seja agendado, em data aberta no calendário da Academia, conforme pode ser aferido em livre consulta ao seu site. O próprio expositor elabora o modelo e duração da programação, consoante seu desejo e sensibilidade, priorizando, como assistentes, para ocupar os 150 assentos do auditório, pessoas de sua livre eleição. Aberta como tem sido, ao longo de sua centenária e gloriosa biografia, a tudo que seja relevante do ponto de vista humano, agentes dos mais diversificados domínios profissionais são potencialmente aptos a preencher os atributos, em processo, ainda embrionário de sua conceituação.

Na tentativa de uma virtualmente impossível listagem exaustiva, poderíamos mencionar, além de todas as profissões liberais, os mais diversos campos do agir humano valorizados pelo organismo social, sem preconceito, de qualquer índole. Tudo, afinal, que constitui a matéria prima do obrar literário. 
Impressiona a ausência de registro adequado, para recordação de amigos, descendentes e da posteridade, do mínimo que seja da existência de personalidades respeitáveis que contribuíram para o enriquecimento de nossa história coletiva. O programa Trajetória de uma vida, sem dúvida, um marco como fonte de nossa historiografia, vem para preencher esta lacuna por todos os títulos lamentável. 
Pelo que se viu no encontro inaugural, cada episódio deverá constituir uma experiência imorredoura no ânimo de todos os partícipes.

Joaci Góes, escritor, é presidente da Academia de Letras da Bahia, ex-diretor da Tribuna da Bahia. Texto publicado nesta quinta-feira, 18, na TB.