Mesa redonda discute os 50 anos do tropicalismo

Prestes a completar 50 anos, o tropicalismo ganhou eco, na última sexta-feira (26.05), no salão nobre da Academia de Letras da Bahia (ALB). O movimento cultural que sacudiu a música popular brasileira entre 1967 e 1968 foi tema de uma mesa redonda que discutiu peculiaridades da manifestação musical liderada à época por nomes como Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Mediado pela professora da Universidade Federal da Bahia (Ufba), a acadêmica Edilene Matos, o evento trouxe à tona aspectos importantes da Tropicália – como também era chamada – para a consolidação da democracia do Brasil. Isso porque, sob a ótica política daquele momento, a música foi o instrumento utilizado por artistas de combate à ditadura militar que vigorava no país. “Quando o tropicalismo surge há uma pergunta crítica imensa ao movimento. Precisávamos nos impor sobre várias situações a serem superadas, a exemplo do direito autoral, que foi esta geração que pôs em cheque a sua organização”, revelou o poeta José Carlos Capinam, que participou ativamente da criação do movimento.

Ao citar a foto que encabeça o álbum Tropicália ou Panis et Circencis, lançado no final da década de 60 por Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé, Capinam questiona a necessidade da criação de “algo novo”, que confronte o atual momento político do Brasil. “Estar em crise também é uma oportunidade para criar. Música e texto são coisas que funcionam. A sobrevivência do tropicalismo se deve à sua densidade poética e a capacidade de falar com diversas linguagens. Acaba sendo incompleto, pois o projeto continua”, indagou.

Com a apresentação de músicas alusivas à época áurea do tropicalismo, o premiado compositor Paulo Costa Lima falou sobre o que seria a “maximização de simultaneidades”. “Não é apenas um principio artístico composicional que se projeta do movimento. É também um traço cultural que, de certa forma, fala da resistência baiana. Aproxima-nos à resistência de uma lei dominante, patriarcal, portuguesa, ocidental, militar e sexual. A tropicália projeta isso também”, explica. Segundo ele, o que mais caracteriza este movimento é a lógica do “entre-lugar”. “Trata-se de construir uma lógica compositiva, cultural, que desafia outras lógicas”, explicou. “Uma descrição distintiva da tropicália que nos chama a atenção é de que ela não é velha guarda, nem é jovem guarda, e nem bossa nova. Não é um gênero, não tem uma batida, um determinado ritmo, não possui uma escolha harmônica. Nada disso pode ser dito no conjunto de músicas deste movimento”, completou.

PanAmérica: epopeia, clássico da literatura escrito pelo paulista José Agrippino de Paula, teve o seu enredo apresentado por Evelina Hoisel, presidente da ALB. O livro foi um importante catalizador para o desenvolvimento da manifestação tropicália. “Caracterizado com um texto bastardo da literatura daquela época, ele destoa de todas as publicações do período. O seu aparecimento é crucial ao radicalizar sua posição diante da tradição literária, convocando outras modalidades de avaliação, e possibilitando também outras condições de inserção da literatura na cultura”, contou Hoisel.

Para a acadêmica, ao evocar para si um lugar fora da tradição, o livro rompe com os padrões da alta literatura e mescla formas de procedência distintas, antecipando os processos de democratização da arte e literatura. “É em um espaço acadêmico aberto a novos paradigmas que os textos de Agrippino de Paulo repercutiram e se vincularam aos processos de abertura para o diálogo com outras linguagens, como o cinema, teatro, quadrinho, música popular e artes plásticas”, acrescentou. Ao final da sua fala, a imortal arriscou em dizer que o “PanAmérica seria o Grande Sertão Veredas da pós-modernidade”, ao comparar o livro de Agrippino de Paulo com o famoso romance de Guimarães Rosa. “Cada um, em momentos distintos, foi na contramão de todos os movimentos que se anunciavam no cenário brasileiro”, afirmou.

Coleção relança 13º obra da literatura baiana

Nomes como o de Jorge Medauar, Guido Guerra, Ruy Espinheira Filho, Wilson Lins, João Carlos Teixeira Gomes (Joca), dentre outros, encabeçam a lista de escritores que tiveram obras relançadas a partir de uma parceria entre a Academia de Letras da Bahia (ALB) e a Assembleia Legislativa do Estado (AL/BA). Ao todo, 13 livros já integram a Coleção Mestres da Literatura Baiana. O último foi lançado nesta quarta-feira (24.5), no Palacete Góes Calmon, sede da ALB, reunindo uma série de poemas de Sósigenes Costa, baiano natural do município de Belmonte.
“Ele foi o ganhador do primeiro Prêmio Jabuti de Poesia”, disse o organizador da antologia, Aleilton Fonseca, em alusão ao mais importante prêmio literário do Brasil. “O nome dele não pode faltar à literatura brasileira”, acrescentou. Costa faleceu em 1968, aos 66 anos. A Coleção Mestres da Literatura Baiana privilegia tanto escritores já falecidos quanto os ainda em atividade.

Com o objetivo de difundir e preservar a literatura baiana, a parceria entre as instituições já dura quase 30 anos, e retoma a edição de obras já esgotadas no mercado editorial. “Tanto a Academia de Letras da Bahia quanto a AL/BA têm cumprido o papel de preservar a memória de textos imprescindíveis para a cena literária do Estado”, revelou Evelina Hoisel, presidente da Academia. Ela contou ainda que a dificuldade de publicação – devido ao baixo número de editoras no Estado – torna essa iniciativa ainda mais grandiosa para o cenário cultural baiano.

Por sua vez, Délio Pinheiro, assessor para Assuntos de Cultura da Assembleia, também presente ao evento, reiterou a vontade de perpetuar essa cooperação entre instituições. “Mais que uma parceria, nós estamos formando uma tradição. Espero que não se esgote tão cedo, porque como toda tradição, ela deve ser mantida”, indicou, revelando que a AL/BA prevê o lançamento em breve de outras duas publicações, incluindo uma do arquiteto Paulo Ormindo, membro  da Academia de Letras da Bahia.

Oficina sobre contos literários inicia ciclo de discussões na ALB

O contista Marcus Vinícius Rodrigues iniciou nesta quinta-feira (18.05) a serie de cinco oficinas gratuitas que a Academia de Letras da Bahia promoverá até o início de junho na sede da instituição literária, localizada no bairro de Nazaré. Neste primeiro encontro, Rodrigues ministrou uma discussão sobre literatura baiana, trazendo à tona aspectos da construção de um conto ficcional, uma das suas especialidades como escritor. Ele, inclusive, foi o último vencedor do Prêmio Nacional da ALB, com a publicação do livro A Eternidade da Maçã. As oficinas integram o projeto Ponto de Cultura – Espaço das Letras, através de uma parceria com o Governo do Estado.

Durante o debate, formado em sua grande maioria por jovens interessados no vasto universo das letras, foram estudados textos de escritores baianos na tentativa de levantar aspectos inerentes ao conto, a exemplo da sua estrutura, narrador, enredo, dentre outros. “O conto precisa de um tratamento diferenciado para o tempo. O conto é um instante, e vai privilegiar mais o espaço daquele instante”, referiu-se ele ao comparar o gênero literário com outros dois, a novela e o romance. “O conto não é para dar conta de tudo. É sim um aspecto. Eleger um e trabalhar a sua narrativa. O conto possui mais intensidade e tensão que, por exemplo, a novela e romance. Ele só possui uma única chance de alcançar o seu objetivo”, acrescentou Rodrigues.

Na sexta-feira (19.05), foi a vez da professora Ana Mariano realizar uma oficina sobre dramaturgia. Na ocasião, ela apresentou os trânsitos entre a narrativa literária e a teatral refletindo os processos de transposição de uma linguagem para a outra. No dia 31 deste mês, acontece a oficina de Poesia, ministrado por Matheus Marques. Em seguida, no dia 02 de junho, Jornalismo Cultural com palestra da escritora Kátia Borges e, por fim, a oficina de Cordel, agendada para o dia 06 de junho, com aula de Antônio Carlos Barreto. As oficinas acontecem sempre das 14h às 17h.

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ALB promove mesa redonda sobre tropicalismo

A Academia de Letras da Bahia promove no dia 26 de maio (sexta-feira), às 17 horas, uma mesa redonda que discutirá o tropicalismo, movimento de ruptura que sacudiu o ambiente da música popular e da cultura brasileira entre 1967 e 1968. Para participar da discussão, aberta ao público, foram convidados os palestrantes Evelina Hoisel, presidente da ALB, João Carlos Capinan e Paulo Costa Lima, respectivamente poeta e compositor baiano. A organização do debate está a cargo de Edilene Mattos, imortal da Academia e professora da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Livro de Sosígenes Costa será relançado pela Coleção Mestres da Literatura Baiana


A Academia de Letras da Bahia promove no dia 24 de maio (quarta-feira), às 17 horas, o lançamento da reedição do livro “Antologia Poética”, do poeta baiano Sosígenes Costa. O evento integra o volume da Coleção Mestres da Literatura Baiana, em parceira com a Assembleia Legislativa da Bahia. Esta será a 13 obra literária lançada pelas instituições, que têm o objetivo de difundir e preservar livros esgotados nas principais prateleiras do país. Nomes como Ruy Espinheira, Wilson Lins, Vasconcelos Maia e João Carlos Teixeira Gomes (Joca) também já tiveram publicações relançadas. O evento é aberto ao público.

Ufba promove concerto em homenagem a Adroaldo Ribeiro Costa


No dia 26 de maio (sexta-feira), às 20 horas, haverá um concerto em homenagem ao centenário de nascimento do teatrólogo, compositor, professor e jornalista, Adroaldo Ribeiro Costa, fundador da Hora da Criança. A apresentação, que acontecerá no Salão Nobre da Reitoria da Universidade Federal da Bahia (Ufba), ficará a cargo da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal da Bahia (Ufba), sob a regência do maestro José Maurício Brandão.

Serão exibidos composições de autoria do próprio Adroaldo, com exposição do sobrinho Aramis Ribeiro Costa, médico e membro benfeitor da Academia de Letras da Bahia, instituição que ocupou o cargo de presidente (2011-2015). São músicas que fizeram parte das operetas Narizinho, Monetinho e Timide, além de outras.

Adroaldo Ribeiro Costa nasceu em Salvador no dia 13 de abril de 1917. Viveu grande parte da infância e adolescência em Santo Amaro da Purificação. Diplomado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Bahia, iniciou a advocacia em Salvador. Em pouco tempo, foi envolvido pela vocação para o magistério e jornalismo. A sessão é aberta ao público.

Francisco Senna abordará em palestra aspectos da Arquidiocese de São Salvador

Com o tema Breve história da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, o acadêmico Francisco Senna profere palestra nesta quinta-feira (18.05), às 17 horas, na sede da Academia de Letras da Bahia. O imortal abordará aspectos da circunscrição eclesiástica da Igreja Católica no Brasil, primeira Diocese construída do Brasil e uma das mais antigas das Américas. Quando elevada a arquidiocese, foi, durante mais de duzentos anos, até 1892, a maior arquidiocese do mundo. A sessão é aberta ao público.