Curso Jorge Amado tem início na Academia de Letras da Bahia

Os 80 anos da publicação do clássico livro escrito por Jorge Amado, Capitães de Areia, será um dos temas de destaque da programação deste ano do curso que leva o nome do autor baiano. Iniciado nesta terça-feira (07.11), na sede da Academia de Letras da Bahia, o evento segue até a próxima sexta-feira (10.11) debatendo aspectos sobre a obra deste renomado nome da literatura brasileira.

Na abertura do encontro, a presidente da ALB Evelina Hoisel destacou a importância do curso – chega à sua sétima edição – para o calendário acadêmico da instituição. “Já é uma tradição. Ele é muito importante não apenas do ponto de vista institucional, mas, sobretudo, afetivo”, disse. A poetisa e imortal Myriam Fraga será também homenageada durante os debates. Falecida em 2016, ela foi a grande a responsável por iniciar as discussões sobre o escritor dentro do sodalício baiano. “A Fundação Casa de Jorge Amado vem cumprir uma das suas missões: a de manter a chama da obra de Jorge Amado sempre viva; trazer um polo de discussões sobre a nossa literatura”, afirmou Ângela Fraga, que assumiu a gestão da entidade após a morte da mãe.

Lançado em 1937, Capitães de Areia faz referência aos meninos de rua da cidade de Salvador, menores cuja vida desregrada e marginal é explicada, de uma forma geral, por tragédias familiares relacionadas à condição de miséria. “Jorge Amado consegue trazer para o texto o que estava lá dentro no seu interior perturbando numa incansável repetição de imagens hegemônicas em formas de vozes que adentravam o seu mundo”, explicou Edilene Mattos, professora da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e ocupante da Cadeira nº 13 da Academia de Letras da Bahia.
Para ela, apesar dos 80 anos desde o seu lançamento, a obra “permanece extremamente atual”. “Traz feridas que não cicatrizam. O romance dialoga com o jornal, a poesia, teatro e cinema”, concluiu ela, em alusão às montagens sobre a obra já realizadas no País por inúmeras manifestações artísticas. Ainda no primeiro dia, houve ainda o lançamento do livro digital (E-book) Dona Flor e seus dois maridos, outro grande sucesso publicado pelo intelectual baiano.

Programação

Sessões de comunicações com pesquisadores, lançamentos e feira de livros, além de mesas redondas são algumas das atividades previstas pelo curso. Estudos literários sobre o autor serão apresentados ao logo dos quatro dias de colóquio. Os encontros acontecem sempre a partir das 14 horas.

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Estudo revela a diversidade do português brasileiro

Foram mais de 250 mil quilômetros percorridos ao longo de 20 anos. O equivalente a sete voltas ao redor da terra. Os números correspondem ao projeto Atlas Linguístico do Brasil, estudo pioneiro que descreve a realidade linguística brasileira no que tange a língua portuguesa. Conduzido pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) – através do seu Instituto de Letras – em parceira com outras 12 universidades brasileiras, os resultados da pesquisa, iniciada em 1996, foram apresentados na última terça-feira (31.10), na sede da Academia de Letras da Bahia, pelas professoras Suzana Alice Marcelino Cardoso, Jacyra Andrade Mota, Silvana Ribeiro e Marcela Paim.

Com mais de 3.500 horas de gravações documentadas ao longo de 250 localidades visitadas por todo o país, “do Oiapoque ao Chuí”, como avalia a coordenadora do projeto Suzana Alice Marcelino, o Atlas Linguístico do Brasil chega à sua segunda publicação dialogando com questões ligadas à fonética, morfossintaxe, léxico, pragmática, metalinguística, dentre outras tantas áreas da nossa língua materna. “Um questionário padrão – seguindo a descrição e interpretação linguística – foi utilizado com homens e mulheres de diferentes faixas etárias e níveis de escolaridade. Essa perguntas levaram ao perfil honesto da nossa língua”, destacou.

Ela explicou que todo o trabalho é focado na geossociolinguística, que centraliza aspectos que vão desde a variação geográfica até a variação social do investigado. “Entendemos que a língua se diferencia conforme o espaço que ela é falada e conforme as características social do falante que dela fazem uso”, apontou. A definição dos locais estudados, que incluiu 25 capitais, seguiu critérios como a densidade demográfica do lugar.

Nossa língua

A professora emérita da Ufba e imortal da ALB acentuou em sua fala quatro aspectos que definem a língua portuguesa. “Primeiro, toda língua é um instrumento oral de comunicação. Um segundo ponto: o papel primordial dela é a intercomunicação; oferecer a possibilidade do entendimento entre os interlocutores. O terceiro parâmetro é que a língua se desenvolve no curso da história. E, por fim, a língua é um sistema; ou seja, um conjunto de possibilidades que oferece para que o seus usuários possam fazer uso dela, e cada coletividade vai configurar a sua modalidade de uso”, disse.

O volume três do Atlas já encontra-se em fase de editoração e, apesar dos 20 anos de pesquisa, a ideia é dar continuidade ao projeto com a concepção de mais três volumes. “A variação da língua está em curso e vem revelando a diversidade do português brasileiro. O Atlas nos indica a unidade do português brasileiro. Tem para isso uma função social muito grande, sobretudo para auxiliar na configuração do ensino e aprendizagem da língua materna”, concluiu.

 

Mesa redonda aborda aspectos da literatura e tradição africana

Uma mesa redonda organizada pelo acadêmico Ordep Serra tratará, no dia 16 de novembro (quinta-feira), sobre os aspectos envolvendo a literatura e a tradição africana. O evento acontece na sede da Academia de Letras da Bahia, no bairro de Nazaré, às 17 horas. O imortal estará acompanhado na discussão da escritora Marina Martinelli e do professor Xavier Vatin. A entrada é aberta ao público.

Myriam Fraga será homenageada durante o Curso Jorge Amado

Durante a programação do Curso Jorge Amado, que acontece de 07 a 10 de novembro, na sede da Academia de Letras da Bahia, a imortal e poeta Myriam Fraga será homenageada com um ciclo de palestras sobre a sua obra literária. Conduzido pelas professores Antônia Herrera, Cássia Lopes, Evelina Hoisel e Lígia Telles, o encontro acontece na quinta-feira (9), às 17h. A entrada é gratuita. Fraga faleceu em 2016. À época ela exercia o cargo de vice-presidente da ALB, instituição onde ocupou a Cadeira nº 13 por mais de 30 anos.

Imortais da Academia de Letras da Bahia recebem homenagem da instituição

Dois fatos unem os nomes dos intelectuais Walfrido Moraes, Jayme de Sá Menezes e Waldemar Mattos. Primeiro, são ilustres acadêmicos que tiveram seus nomes imortalizados pela Academia de Letras da Bahia. Segundo, todos nasceram no mesmo ano, 1917. E foi este último acontecimento que levou a realização pela ALB, na última quinta-feira (26.10), de uma homenagem ao centenário de nascimento dos estudiosos baianos. Já falecidos, a honraria ficou a cargo de três confrades do atual quadro de membros da instituição literária, João Eurico Matta, Edivaldo M. Boaventura e Nelson Cerqueira, este último não pode estar presente, mas escreveu um texto – lido pelo também acadêmico Carlos Ribeiro – onde reverencia o trabalho de Jayme de Sá Menezes.

“A história universal e acadêmica é assim, registra sempre magos que possuem um dom sagrado de transformar em preciosidade tudo que tocam, tudo que escrevem, tudo que dirigem, toda ideia que defendem: essa é a biografia de Jayme de Sá Menezes, que ocupou a Cadeira nº 4 dessa centenária Academia de Letras”, ressaltou ele em uma das passagens do seu texto. Cerqueira, hoje ocupante do lugar que um dia foi de Jayme de Sá Menezes, disse ainda que “seria mais fácil escrever um livro de dez capítulos sobre Jayme de Sá Menezes do que escrever alguns singelos parágrafos”.
“Um desafio gigante sobre o que selecionar, o que focar, qual ângulo de sua trajetória: o de escritor de compêndios sobre a medicina; o de acadêmico e sua contribuição para nós aqui presentes; o de Secretário de Saúde e médico dos Ministérios de Saúde, Educação e Previdência e sua dedicação ao buscar corrigir rumos impregnados de desigualdades; o de historiador, com sua dedicação e passagem pela presidência do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e Brasil afora; o de amante das letras e jornalista, com larga produção de crônicas e artigos para revistas e jornais; o ângulo de estudioso da memória e pensamento brasileiro, com importantes ensaios; ou ainda sua faceta brilhante de professor da Faculdade de Medicina da Bahia, onde formou uma legião de admiradores e seguidores”, exprimiu.

Já em sua fala, o membro benfeitor da Academia, Edivaldo Boaventura, expressou a sua admiração pela obra de Waldemar Magalhães Mattos, que, segundo ele, se dedicou ao estudo de casas e instituições econômicas. “Pertence à geração de pesquisadores espontâneos que buscavam avidamente os documentos e os encontrando davam o devido tratamento empírico. Deixou uma obra sobre casas e corporações que perdura e que marca a sua contribuição ao patrimônio cultural da Bahia. Obra que se distingue, principalmente, pela seriedade do comentário e pelo interesse econômico e histórico”, escreveu. Waldemar Magalhães Mattos foi empossado em março de 1989 na Cadeira de número 33 da Academia de Letras da Bahia. Atualmente, o lugar está sob a tutela de Mãe Stella de Oxóssi.

O acadêmico João Eurico Matta leu trechos dos textos e livros publicados por Walfrido Moraes, especialmente o de maior sucesso da sua carreira literária Jagunços e heróis: a civilização do diamante nas lavras da Bahia. “Neste livro, ele opera de maneira a que procede a afirmação de três autores: Ênio Silveira, que apontou “Jagunços e heróis como um livro de história e estudos sociológicos que é lido como um movimentado romance”; Jorge Amado, que disse: “Jagunços e heróis coloca-se entre os mais importantes livros sobre o sertão”; e, por último, Joaquim Alves da Cruz Rios, que afirmou: “se algum dia vier a ocorrer um cataclisma e a Chapada Diamantina geograficamente desaparecer, ela substituirá historicamente graças à obra de Walfrido Moraes”, contou Matta. O livro foi vencedor da edição de 1963 do Prêmio Joaquim Nabuco da Academia de Brasileira de Letras.

Natural do município de Lençóis (BA), na região da Chapada Diamantina, Walfrido ingressou na Academia de Letras da Bahia em maio de 1991, onde ocupou a Cadeira nº 34, destacando-se na intelectualidade baiana como jornalista, professor e escritor. A neta e o bisneto do homenageado também estiveram presentes à sessão.

 

ALB discute os caminhos atuais do português brasileiro

“O português do Brasil: unidade-diversidade revelada pelo Atlas Linguístico do Brasil”. Esse é o tema que será apresentado no dia 31 de outubro (terça-feira), na sede da Academia de Letras da Bahia, pela acadêmica Suzana Cardoso e os professores Jacyra Mota, Silvana Ribeiro e Marcela Paim. Serão discutidos aspectos da unidade e da diversidade da língua portuguesa, apontando os caminhos atuais do português brasileiro. O início é às 16 horas.

Cyro de Mattos lança “A Casa Verde e Outros Poemas”

A Casa Verde e Outros Poemas é o novo livro do acadêmico Cyro de Mattos. Lançado no dia 24 de outubro, na sede da Academia de Letras da Bahia, a obra – traduzida para o inglês pelo professor Luiz Angélico em um dos seus últimos trabalhos – compõe-se de duas partes. No primeiro momento, o escritor inspira-se na Casa Verde, hoje um museu desativado que revela o passado da conquista e do domínio dos coronéis do cacau, um tempo áureo da civilização grapiúna, especialmente na cidade baiana de Itabuna, local de nascimento do autor e sede do espaço cultural.

O segundo momento é formado pelos poemas “Canto a Nossa Senhora das Matas”, “Um Poema Todo Verde”, “Morcego”, “Boi”, “Galos”, “A Roda do Tempo”, “A Árvore e a Poesia”, “Passarinhos” e “Devastação” (I,II). “De linhagem telúrica são poemas que se inserem, também, nas questões ecológicas dos tempos atuais”, destaca Cyro de Mattos.

Mattos lamenta o não funcionamento do museu para o incentivo da cultural local. “Causa prejuízos de natureza histórico-cultural à comunidade e ao sul da Bahia, o que é lastimável. Documentos valiosos sobre a memória política da cidade estão ali guardados. Reativar, manter e disponibilizar ao público o Museu Casa Verde significa não só preservar a memória da civilização cacaueira com o seu modo singular de vida, mas também possibilita a construção de novos conceitos de manutenção histórico-patrimonial, em sintonia valiosa com o conhecimento autêntico do passado regional”, defende. A falta de incentivo financeiro é um dos principais motivos pelo o seu atual fechamento.