Cyro de Mattos é eleito para a Academia de Letras da Bahia

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A Academia de Letras da Bahia realizou nesta segunda-feira, 15 de agosto, eleição para escolha do novo ocupante da cadeira nº 22, que pertenceu ao poeta Clóvis Lima, falecido em março deste ano. O eleito foi o escritor itabunense Cyro de Mattos, que é contista, poeta, cronista, ensaísta, autor de livros infantis premiados e membro da Academia de Letras de Itabuna.

Os quase 40 livros já publicados garantiram a Cyro de Mattos mais de 50 prêmios literários, entre eles, o Prêmio Nacional de Ficção Afonso Arinos, concedido pela Academia Brasileira de Letras para o livro “Os Brabos”, o Prêmio Jabuti (menção honrosa) para “Os Recuados” e o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte para “O Menino Camelô”, entre outros. O lançamento mais recente do autor é o romance “Os Ventos Gemedores”, de 2015, que narra as aventuras e conflitos de um ambicioso migrante do agreste para o sul da Bahia, em busca de terras e riquezas.

Nascido em janeiro de 1939, Cyro de Mattos é diplomado em Direito pela Universidade Federal da Bahia, tendo atuado como advogado durante 40 anos nas comarcas da região cacaueira da Bahia. Jornalista com passagem na imprensa, foi redator do ‘Diário de Notícias’, ‘Jornal do Comércio’ e ‘O Jornal’ e nas revistas ‘A Cigarra’, ‘Cadernos Brasileiros’ e ‘Leitura’, além dos suplementos literários do ’Jornal do Brasil’, ‘A Tarde’, entre outros periódicos.

A cadeira n. 22 da Academia de Letras da Bahia tem como patrono José Maria da Silva Paranhos, o Visconde do Rio Branco. Foi fundada pelo magistrado Ruy Barbosa e já foi ocupada pelo educador Ernesto Carneiro Ribeiro Filho e por Aloísio Henrique de Barros Porto. A data da posse de Cyro de Mattos ainda será marcada.

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ALB faz homenagem póstuma a Gerson Pereira dos Santos

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Em sessão especial, o saudoso Acadêmico Gerson Pereira dos Santos foi homenageado postumamente no último dia 15 de maio. A cerimônia, conduzida pelo também Acadêmico João Eurico Matta, ocorreu na sede da Academia de Letras da Bahia, no bairro de Nazaré.

Eleito para a ALB em 11 de setembro de 1991 e tendo tomado posse em 28 de novembro do mesmo ano, Gerson Pereira dos Santos, que ocupava a cadeira de nº 32 da Academia, faleceu em 5 de março deste ano.

Natural de Mata de São João, onde nasceu em 29 de fevereiro de 1932, Gerson Pereira dos Santos fez o curso primário em sua cidade natal e o secundário no Colégio da Bahia, bacharelando-se em Direito. Após longa permanência no Sul do país, período em que chefiou o Departamento Jornalístico da Esso Brasileira de Petróleo, retornou à Bahia. Por concurso, tornou-se Professor de Direito Penal e Criminologia da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, da qual foi diretor de 1975 a 1979. Conquistou o cargo de Desembargador no ano de 1978, tornou-se vice-Presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia de 1982 a 1984 e, em seguida, Presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, no biênio 1988-1989. Dentre as obras de sua autoria, destacam-se: Inovações do Código Penal (1988), Do Passado ao Futuro em Direito Penal (1991), Aquelas Noites Tristes de Exílio (2003) e Do Castelo de Axël ao Condado de Hécate (2008).

Edivaldo M. Boaventura – Oitenta anos do acadêmico

Discurso em homenagem ao octogésimo aniversário do acadêmico Edivaldo M. Boaventura, proferido em sessão especial da Academia de Letras da Bahia em 25 de março de 2014

Luís Antonio Cajazeira Ramos

 

Meu chanceler.

Estamos diante de um incômodo dilema. O que esperar de um discurso de celebração dos 80 anos de idade de alguém? Creio que todos pediriam ao orador que, de forma criativa e agradável, lembrasse em breves palavras a genealogia da pessoa festejada, suas raízes socioculturais, sua formação escolar, um pouco de sua vida privada e muito de sua vida pública, as escolhas acadêmicas, os caminhos profissionais, a produção intelectual, as inserções institucionais, as intervenções sociais, as realizações. Mas nosso homenageado é Edivaldo M. Boaventura. Eis aí o problema. Se eu for sumariar, apenas sumariar, listar as realizações do bem-venturoso confrade, inescapavelmente eu ocuparei ou mesmo ultrapassarei o tempo razoável pelo qual deve estender-se um discurso de qualquer natureza. Como contornar esse problema? Como vencer a encruzilhada? Sinceramente, não sei. Na dúvida, prefiro afastar-me da via meramente curricular; ignoro o caminho fácil de agradar os ouvintes com eventuais causos pitorescos de sua aventura de vida; preservo-me de seguir a oportunista pista de minha relação pessoal com o dileto amigo; e escolho avançar pela bem sinalizada estrada suavemente retilínea de sua rica, proveitosa e admirável biografia. Resumidamente, é claro, superficialmente, em pequenos saltos, até onde o fôlego nos conduza.

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Maria Stella de Azevedo Dos Santos (Mãe Stella de Oxóssi)

Cadeira 33
Patrono: Antônio de Castro Alves (1847-1871)
Fundador: Francisco Xavier Ferreira Marques (1861-1942)
2º Titular: Heitor Praguer Fróes (1900-1987)
3º Titular: Waldemar Magalhães Mattos (1917-2003)
4º Titular: Ubiratan Castro de Araújo (1948-2013)
Titular atual: Mãe Stella

Posse em: 12.09.2013


Eleita em 23 de maio de 2013, tomou posse em 12 de setembro 2013, no salão nobre da atual sede, sendo saudada por Myriam Fraga.

Maria Stella de Azevedo dos Santos, nascida em Salvador, Bahia, em 2 de maio de 1925, é a quarta filha de Esmeraldo Antigno dos Santos e de Thomázia de Azevedo Santos. Sua avó materna foi Theodora Cruz Fernandes, filha de Maria Konigbagbe, africana de etnia egbá, um subgrupo étnico dos yorubás da Nigéria. Aos nove anos de idade, Maria Konigbagbe estava na aldeia quando mandaram que ela entregasse uma encomenda em um navio, assim que chegou foi presa e trazida para o Brasil. Mãe Stella estudou no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora dirigido pela Profª Anfrísia Santiago e se formou pela Escola de Enfermagem e Saúde Pública, exercendo a profissão de visitadora sanitária por mais de 30 anos; hoje é enfermeira aposentada. Muito conhecida pelo nome de Mãe Stella, por ter sido escolhida como a quinta Iyalorixá do Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá (Salvador-Bahia) em 19 de março de 1976, conforme consta no livro de atas do conselho religioso do referido terreiro.  Sua vida religiosa começou quando foi iniciada no Candomblé por Mãe Senhora, em 12 de setembro de 1939, no Terreiro já referido, com o nome religioso de ODÉ KAYODE – O caçador que traz alegrias.

Enfermeira e Iyalorixá, Mãe Stella é também muito conhecida como escritora. Publicou os livros: E daí aconteceu o encanto, coautora Cléo Martins, edição independente, Salvador/BA, 1988; Meu tempo é agora, editora Oduduwa/SP, 1993; Òsòsi, o caçador de alegrias, editado pela Secult/BA, 2006; Òwe-Provérbios, edição independente, Salvador/BA, 2007; Epé Laiyé, terra viva, edição independente, Salvador/BA, 2009; e Opinião, editado pela EGBA, Salvador/BA, 2012, e que reúne artigos escritos quinzenalmente para a coluna Opinião do Jornal A Tarde.

O primeiro pronunciamento público de Mãe Stella foi na II Conferência Mundial de Tradição dos Orixás e Cultura de 17 a 23 de julho de 1983, em Salvador, quando lançou ideias originais sobre o sincretismo. Em 1986, ela participou também da III Conferência Mundial de Tradição dos Orixás e Cultura, em Nova Iorque/EUA.

Em 1987, Mãe Stella integrou a comitiva organizada por Pierre Verger para a comemoração da Semana Brasileira na República do Benin, na África. Sua presença mereceu destaque e ela foi recebida com honras de líder religiosa. Em 1999, ela conseguiu o tombamento do Ilê Axé Opô Afonjá pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), órgão ligado ao Ministério da Cultura.

Também foi responsável por conferências proferidas dentro e fora do país e por muitos artigos, dentre eles: “Manifesto para que o Candomblé Sobreviva” – Revista Planeta, São Paulo, Editora Três; artigos para jornais soteropolitanos, destacando-se um manifesto contra o sincretismo nas religiões afro-brasileiras; diversos artigos sobre o culto afro-brasileiro, destacando-se manifesto sobre a participação de menores na religião afro-brasileira; artigo Fé e Cidadania (In: O Terreiro, a Quadra e a Roda) – FACED/UFBA). Atualmente, escreve quinzenalmente para o Jornal A Tarde.

Em 2001, ganhou o prêmio jornalístico Estadão na condição de fomentadora de cultura. Por seu empenho como cidadã responsável, recebeu dentre outros títulos os de: Membro Honorário Del Templo Yorubá de Porto Rico, 1993; Medalha Dois de Julho, 1997 e Medalha Maria Quitéria, 1997 – Câmara Municipal de Salvador; Medalha de Ordem ao Mérito da Cultura na Classe Comendador – Presidência da República, 1999; Outorga do título Doutor Honoris Causa/ UFBA, 2005; Medalha Zumbi dos Palmares, 2005; Outorga do título Doutor Honoris Causa/UNEB, 2009.

Em 2010, recebeu das mãos da vereadora Olívia Santana uma placa pelo centenário do terreiro Opó Afonjá ao lado do ministro da Cultura, Juca Ferreira e do secretário estadual da Cultura, Márcio Meirelles, no Plenário da Câmara de Salvador, Bahia.

Em 2013, foi eleita por unanimidade para a Academia de Letras da Bahia.

Publicações

  • E daí aconteceu o encanto, coautora Cléo Martins. Salvador: Edição independente, 1988;
  • Meu tempo é agora. São Paulo: Editora Oduduwa, 1993;
  • Òsòsi, o caçador de alegrias. Salvador: Secult – Secretaria de Cultura da Bahia, 2006;
  • Òwe-Provérbios. Salvador: Edição independente, 2007;
  • Epé Laiyé, terra viva. Salvador: Edição independente, 2009;
  • Opinião, Salvador: EGBA – Empresa Gráfica da Bahia. Reúne artigos escritos quinzenalmente para a coluna Opinião do Jornal A Tarde.

Discurso de posse.
Discurso de recepção.

Guilherme Radel

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Cadeira 3

Patrono: Manuel Botelho de Almeida
Fundador: Arthur Gonçales de Sales
2o. Titular: Eloywaldo Chagas de Oliveira
3o. Titular:  Anna Amélia Vieira Nascimento
Titular Atual: Guilherme Radel

 


 

GUILHERME REQUIÃO RADEL nasceu em 7 de fevereiro de 1930, em Itapagipe, Salvador, casado, pai de cinco filhos e avô de seis netos, fez o seu curso primário no Grupo Escolar Rio Branco, o ginasial no Instituto Normal da Bahia, o colegial no Colégio Estadual da Bahia e o superior na Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, onde se formou engenheiro civil e engenheiro eletricista. Radel exerce atividades múltiplas na vida como escritor, engenheiro, professor, empresário e pecuarista.

Como escritor, publicou os livros A cozinha sertaneja da Bahia, (1ª edição e 2ª edição), A cozinha praiana da Bahia (1ª edição e 2ª edição), que, juntamente com A cozinha africana da Bahia,(1ª edição e 2ª edição), realizam um painel geral da cozinha baiana, abordando de forma leve, mas com profundidade, tópicos históricos, sociológicos, etnológicos, econômicos, ecológicos e científicos.

Escreveu Cuba libre, impressões sobre viagem realizada a Cuba, fornecendo dados históricos, sucessos e insucessos da revolução cubana, formando uma compreensão do ambiente político-social que reina na ilha, analisando as consequências da indefinição de seu futuro. Escreveu Aprendiz de fazendeiro, verdadeiro guia de pecuária, dando ênfase aos ensinamentos dirigidos a pequenos produtores que se dedicam à caprino-ovinocultura. Na área técnica, escreveu obras como A obra pública ou um dos diálogos que Platão não escreveu, que se tornou um clássico entre as publicações técnicas, com 13 edições, e Construções de pequenas barragens, Modelo agropecuário resistentes às secas, O búster e a sua aplicação, Posicionamento da E.T.A. Em sistemas de abastecimento de água. A partida, drama em dois atos, é o produto de sua incursão no teatro. É membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. É romancista, publicou o livro A longa Viagem, poeta e cronista. Como memorialista, relatou Mamãe e eu no paraíso e 80 casos vividos. Em 2014, serão publicados os livros A doçaria da Bahia, de sua autoria, e Água de Beber Camará, de sua autoria conjuntamente com Caiuby Alves da Costa e Antônio Eduardo de Araújo Lima.

Gerana Damulakis

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Cadeira 29

Patrono: Agrário de Souza Menezes

Fundador: Antônio Alexandre Borges dos Reis

2o. Titular: Manços Chastinet Contreiras

3o. Titular: Colombo Moreira Spínola

4o. Titular: Jorge Farias Góes

5o. Titular: Hélio Pólvora

Titular atual:  Gerana Damulakis

Posse em: 03.09.2015

Foi colaboradora do suplemento Cultural do jornal A Tarde a partir de 1993 e por mais de 10 anos. Assinou a coluna semanal Leitura Crítica no Caderno 2 do jornal A Tarde, de 1998 até 2002 e a coluna semanal Olho Crítico no jornal Tribuna da Bahia durante o ano de 2007. Assinou a página Livros da revista Neon, de 1999 até 2004. Assinou a página Cultural da revista Cenesp nos anos de 2001 e 2002.

Criou, com Hélio Pólvora, a Editora Mythos, quando editaram os títulos: Atelier de Poesia (1995), do poeta Daniel Cruz e Três Histórias de Caça e Pesca (1996), de Hélio Pólvora.

Integrou a comissão editorial Selo Letras da Bahia, da Fundação Cultural do Estado da Bahia, durante 8 anos até o término do selo.

Publicações

Guardador de Mitos. Salvador: Edição do Autor, 1993.

Sosígenes Costa – o poeta grego da Bahia. Salvador: Empresa Gráfica da Bahia; Fundação Cultural do Estado da Bahia, 1996. Selo As Letras da Bahia.

O Rio e a Ponte – À Margem de Leituras Escolhidas. Salvador: Secretaria de Cultura e Turismo, Fundação Cultural, EGBA, 1999. Coleção Selo Editorial Letras da Bahia, v. 48.

Antologia Panorâmica do Conto Baiano: Século XX/ Organização e introdução. Ilhéus, Ba: Editus, 2004.

Conversas com Hélio Pólvora. Salvador: Quarteto, 2016.

Publicações com outros autores

O Mar na Prosa de Ficção: ensaios. Ilhéus: Fundação Cultural/ Editus, 1999.

Brasil: 500 Anos Encontros na Bahia. Salvador: Secretaria da Cultura e Turismo, 2000.

A Sosígenes com Afeto. Salvador: Edições Cidade da Bahia; Fundação Gregório de Mattos, 2001.

O Triunfo de Sosígenes Costa. Ilhéus, Ba: Editus/UEFS-Ed., 2004.

Participações em antologias

Poetas Brasileiros de Hoje. Rio de Janeiro: Shogun Editora e Arte, 1982.

Poetas Brasileiros de Hoje 83. Rio de Janeiro: Shogun Editora e Arte, 1983.

Poetas Brasileiros de Hoje 1984. Rio de Janeiro: Shogun Editora e Arte, 1984.

Poetas Brasileiros de Hoje 1985. Rio de Janeiro: Shogun Editora e Arte, 1985.

Poetas Brasileiros de Hoje. Rio de Janeiro: Shogun editora e Arte, 1986.

Poetas Brasileiros de Hoje 1991. Rio de Janeiro: Shogun Editora e Arte, 1991.

A Nova Poesia Brasileira. Rio de Janeiro: Shogun Editora e Arte, v. IX, 1983.

Escritores Brasileiros. Rio de Janeiro: Crisalis Editora, 1984.

Escritores Brasileiros. Rio de Janeiro: Crisalis Editora, 1985.

Escritores Brasileiros 1985. Rio de Janeiro: Crisalis Editora, v. II, 1985.

Antologia Poética de Cidades Brasileiras. Rio de Janeiro: Shogun Editora e Arte, 1985.

Antologia Poética de Cidades Brasileiras. Rio de Janeiro: Shogun Editora e Arte, 1992.

A Nova Literatura Brasileira. Rio de Janeiro: Shogun Editora e Arte, 1983.

Literatura Brasileira. Rio de Janeiro: Shogun Editora e Arte, 1984.

Novas Vozes. Salvador: Editora Arembepe, 1992.

Publicações em Revistas

Revista do Escritor Brasileiro. Brasília: Editora Códice, nº 7,1994; nº 9, 1995.

Revista da Literatura Brasileira. São Paulo, nº 24, 2001; nº 30, 2001.

QVINTO e IMPÉRIO – Revista de Cultura Literaturas de Língua Portuguesa/ Gabinete Português de Leitura – Centro de Estudos Portugueses – Casa Fernando Pessoa. Salvador: Empresa Gráfica da Bahia, nº 5, 1995; nº 8, 1997; nº 9, 1997; nº 12, 2000; nº 15, 2001.

Revista Iararana. Salvador: EPP Publicações e Publicidade. nº1, nº 2, nº 4, nº5, nº 6, nº 7, nº 8, nº 13.

Revista da Academia de Letras da Bahia. Salvador: Academia de Letras da Bahia, nº 45, 2002; nº 52, 2014.

Prêmios

Prêmio País do Carnaval, Concurso 80 anos de Jorge Amado, em 1992, Jequié, com o conto “Fascinação”.

Medalha de Prata no Concurso Nacional de Poesias de Minas Gerais, Edições Minas Gerais, com o poema “Epifania Profana”, 1994.

João Carlos Salles

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Cadeira 32

Patrono: André Pinto Rebouças

Fundador: Teodoro Fernandes Sampaio

2o. Titular: Isaías Alves de Almeida

3o. Titular: Zitelmann José Santos de Oliva

4o. Titular: Gérson Pereira dos Santos

Titular atual:  João Carlos Salles Pires da Silva

Posse em: 04.11.2014

Eleito em 3 de julho de 2014, tomou posse em 04 de novembro de 2014, no salão nobre da atual sede, sendo saudado por Paulo Costa Lima.

João Carlos Salles Pires da Silva nasceu em 12 de maio de 1962, em Cachoeira, no sobrado de número 8 da Praça da Aclamação, onde então lembra de ver seu pai de criação, Divaldo Sales Soares, jogar biriba com Mateus Aleluia e Dadinho, do grupo Os Tincoãs, e onde hoje funciona o espaço de artes Pouso da Palavra. Filho de Wanderley Pires da Silva e Lêda Lícia Salles Pires da Silva (antes Dantas Salles Ribeiro), foi criado por seus tios avós Divaldo e Guiomar, por causa da morte de sua mãe Lêda, quando mal completara 11 meses. Muito em decorrência dessa morte precoce, precisou começar bem cedo o primário na Escola São José, tendo cursado depois o ginásio no Colégio Estadual da Cachoeira, até mudar-se em 1975 para Salvador, para o Colégio 2 de Julho e para uma nova vida, em um ambiente de contracultura, logo temperado de macrobiótica e marxismo, com bastante leitura e muita militância política, vinculada em seguida à Ação Popular Marxista-Leninista. Ingressa na UFBA em 1979 e, mesmo sendo aluno do primeiro semestre de uma Faculdade muito politizada, foi um dos três delegados do Curso de Economia no Congresso de Reconstrução da UNE. Teve a sorte talvez de depois perder a eleição para o DCE, como candidato a Vice-Presidente na Chapa Voz Ativa, com o que, em 1981, teve algum sossego de uma militância que já completava a todo vapor e inteira dedicação mais de cinco anos, e pôde deslocar sua energia para sua formação profissional no curso de filosofia da UFBA, para o qual se transferira. Acredita ter caído então nas graças dos professores do Departamento de Filosofia, Ubirajara Rebouças, Fernando Rego, Delmar Schneider, Ruy Simões, Álvaro Menezes, que logo o acolheram como colega, em 1985, em estatuto ainda precário, até que, em janeiro de 1990, por concurso público, se tornou professor do quadro permanente da UFBA. Às leituras de Marx e outras tantas de extração fenomenológica, somavam-se desde a graduação as de Hume e, cada vez mais, as de Wittgenstein, com um mestrado de entremeio sobre Durkheim, em ciências sociais na UFBA, orientado por Ubirajara D. Rebouças. Nascido seu filho, Pedro Santos Salles Pires, em 1991, começou a preparar-se para completar a formação fora de Salvador, uma vez que não tínhamos na Bahia sequer um curso de mestrado em filosofia. O Doutorado na Unicamp, iniciado em 1994, firmou sua paixão por Wittgenstein, tendo redigido sua tese sob os auspícios de Arley R. Moreno, em uma orientação deveras exemplar, na qual, segundo acredita, os gestos teóricos, sendo inclusive recíprocos, assim como internas as relações, não ocorrem por causa do outro, mas sim graças a ele. Retorna do Doutorado em 1999 e logo assume funções de gestão e de política acadêmica. Sua militância parece escolher novos caminhos e se revestir de novas formas, tanto na própria UFBA quanto nacionalmente (nesse caso, em especial, na ANPOF e em comitês da área de filosofia na CAPES e no CNPq), tendo ele tido algum protagonismo na criação, em 2001, do Curso de Mestrado em Filosofia e, enfim, do Curso de Doutorado em Filosofia da UFBA, em 2008. Nessa toada, tem mantido sua produção acadêmica (marcada, admite, por certa veleidade literária e pelos ares remotos de Cachoeira), tendo organizado vários livros e publicado os seus próprios, e tem liderado um animado grupo de pesquisas em filosofia moderna e contemporânea, autointitulado “Empirismo, Fenomenologia e Gramática”, com cuja ajuda e a dos colegas de filosofia organizou umas três dezenas de eventos (com destaque para dois encontros nacionais da ANPOF e um Congresso da Sociedade Interamericana de Filosofia). Em meio a todos esses gestos e textos, assumiu funções administrativas e políticas diversas na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, e mesmo na própria UFBA, de sorte que, um tanto inadvertidamente, mas talvez com algum sentido, seus passos o conduziram, em 2014, à condição de Reitor da UFBA e ao convívio dos confrades e confreiras da Academia de Letras da Bahia.