Para Myriam Fraga, conhecer Jorge e Zélia foi mais do que conhecer a literatura, foi conhecer a história da Bahia.



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O LUNCH-in 269 foi um maravilhoso bate papo entre Myriam e Arthur sobre histórias de Jorge Amado que não se veem nos livros.

Para Myriam, conhecer Jorge e Zélia foi mais do que conhecer a literatura, foi conhecer a história da Bahia.

Os pais de Myriam e Arthur eram colegas (certamente colegas de farra) e ambos eram amigos de Jorge.

O lançamento de “Gabriela” foi uma verdadeira apoteose. Myriam não foi ao evento, mas seu pai chegou em casa com o livro, que ela leu e gostou muito.

Myriam conheceu Jorge em 1960, quando ele veio morar na Bahia, durante um jantar na casa do seu pai.

Jorge era generoso, ia até o outro e fazia alguma coisa pelo outro, se entusiasmava, procurava conhecer e conversar, abria caminhos. Sua importância na Bahia foi enorme, trouxe pessoas de outros países e Estados, congregou e agregou as pessoas daqui.

Myriam contou que Jorge escreveu um livro sobre como cuidar da beleza feminina, mas não o publicou em seu nome. Arthur conhece as histórias de Jorge desde que nasceu, mas não sabia da existência desse livro.

Arthur diz-se privilegiado, pois curtiu um momento interessantíssimo na Bahia. Ele sabe de muitas histórias. Quando menino, se escondia embaixo da mesa para ouvir as conversas impróprias que aconteciam entre seu pai, Jorge e outros amigos.

Uma das muitas histórias que Arthur cresceu ouvindo: a Bahia teve a sorte de ter o padre Cabral, confessor do último rei de Portugal, ensinando no Colégio Vieira. Faziam parte dessa turma, Jorge e o pai de Arthur. A melhor nota sempre era a de Balbino, e Jorge não era um aluno exemplar. Num certo dia, padre Cabral pediu para que cada um escolhesse um tema e escrevesse uma redação. Ao divulgar as notas, padre Cabral disse que naquela sala havia um verdadeiro escritor, e esse escritor era Jorge.

Jorge era uma pessoa que não queria o currículo do cidadão, não queria saber no que o cidadão acreditava, mas ele acreditava no cidadão. Tinha amigos de todos os tipos.

Myriam disse que Jorge era um contador de histórias e Arthur está se revelando um.

Jorge era uma pessoa com a qual se podia passar muito tempo ouvindo as histórias. Ele tinha uma qualidade rara, tinha uma sabedoria muito grande. Poucas pessoas do século XX tiveram a oportunidade de viver as coisas que Jorge viveu e era impressionante como era adorado em todos os países onde foi traduzido.

Jorge dizia: “eu sou materialista, mas meu materialismo não me limita”.

Jorge era um animador, tinha vocação para animar quem estava começando. Tantos pintores Jorge ajudou, estimulou, levou para fazer exposições.

Myriam diz que foi muito bom ter vivido isso tudo, teve muita sorte de encontrar sempre pessoas muito generosas.

Outra coisa que Jorge gostava de dizer: “A amizade é o sal da vida”.

Zélia foi um anjo bom que apareceu na vida de Jorge. Eles realmente se gostavam. Arthur lembra o quanto o casal adorava receber. Zélia e Jorge recebiam à todos, oficial e informalmente.

Agosto é o mês do centenário de Jorge, que já foi comemorado em vários países e ainda será em vários outros. Mês ainda que r a Bahia acolherá a exposição em homenagem ao centenário no MAM. Todos estão convidados!