Posse do jurista Ayres Britto é marcada por poesia e filosofia

A Academia de Letras da Bahia viveu uma noite de poesia e filosofia no último dia 18 de agosto. O clima marcou a cerimônia de posse do membro correspondente da instituição, o jurista e poeta Carlos Ayres Britto. O ex-ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) é autor de diversas obras jurídicas e de poesia, além de ser membro da Academia Brasileira de Letras Jurídicas e da Academia Sergipana de Letras. A posse foi prestigiada por representantes dos poderes Legislativo e Judiciário brasileiros, além de advogados, escritores, amigos e os imortais da Academia de Letras da Bahia (ALB). Coube ao acadêmico Luís Antônio Cajazeira Ramos fazer a saudação ao novo membro.

Para destacar o papel da cultura na diferenciação entre os homens e os animais, em seu discurso de posse, Ayres Britto citou o filósofo grego Sócrates, o pensador francês André Malraux, os poetas brasileiros Castro Alves, Manoel de Barros, Cecília Meireles e Elvira Macedo, além do conterrâneo Tobias Barreto, para ele, “o primeiro filósofo jurídico do Brasil, que acreditava haver um pouco de ciência em cada arte e um pouco de arte em cada ciência”, lembrou. Emocionado e agradecido pela indicação do seu nome, fez questão de destacar as qualidades dos confrades, escritores, poetas e intelectuais com a mais alta contribuição à cultura, aos quais chamou de ‘luminares’. “É com extremo agrado pessoal e elevada honra que eu passo a integrar esta Academia”, afirmou Ayres Britto, lembrando da proximidade do centenário da instituição, que será comemorado em 2017.

Denominando o homenageado de “o viajante do agora”, Cajazeira narrou trechos da trajetória de Ayres Britto, desde a infância em Propriá, interior de Sergipe, numa família de dez irmãos, filhos de um juiz sergipano com uma baiana. “Não se acomodou em repetir o papel desempenhado pelo pai de conselheiro jurídico local e, com ousadia, foi para capital, estudar Direito. A Faculdade de Direito em Aracaju foi uma epifania”, destacou. Tendo acesso a obras de mestres como Tobias Barreto, o jovem bacharel logo tornou-se professor, ofício que exerceu por mais de 30 anos, dedicando-se à cátedra de Direito Constitucional, aliado ao desempenho da advocacia pública e privada. “Sempre com uma visão humanista do Direito, questionador, integrativo e comprometido com o social e com o fraternal”, afirmou em seu discurso o poeta Cajazeira.

Além de ressaltar as produções poéticas, cujas influências vão dos gurus indianos Jiddu Krishanamurti e Osho à carioca Cecília Meirelles, a homenagem também serviu de reconhecimento pela importante contribuição de Ayres Britto durante sua passagem pela mais alta corte do país, entre 2003 e 2012, quando abriu espaços para discussões emergentes da sociedade, como os estudos sobre célula tronco, a união homoafetiva e a defesa da liberdade de expressão. “Além do início da faxina ética do país que ainda não se concluiu”, alertou Cajazeira.  Foi durante a gestão de Ayres Britto na presidência, que o STF julgou um dos mais emblemáticos processos envolvendo corrupção, que ficou conhecido como Mensalão.

“Essa posse é o reconhecimento da contribuição ao país, como professor, jurista e poeta e pelo seu caráter inventivo próprio do fazer poético, que permitiu trazer metáforas para a atividade jurídica. A Academia de Letras da Bahia acolhe Carlos Ayres Britto intelectualmente e afetuosamente”, concluiu a presidente da ALB, Evelina Hoisel.

Carlos Ayres Britto tomará posse na Academia de Letras da Bahia

O jurista e poeta brasileiro Carlos Augusto Ayres de Freitas Britto, que foi ministro do Supremo Tribunal Federal, entre de 2003 e 2012, tendo sido presidente daquela corte, será o mais novo membro correspondente da Academia de Letras da Bahia. A sessão de posse será realizada nesta quinta-feira, 18 de agosto, às 19h, no Palacete Góes Calmon (Avenida Joana Angélica, 198, Nazaré). A saudação será feita pelo acadêmico Luís Antônio Cajazeira Ramos. Ayres Britto é autor de diversas obras jurídicas e de poesia, além de ser membro da Academia Brasileira de Letras Jurídicas e da Academia Sergipana de Letras.

Nascido em Propriá, em Sergipe, em 18 de novembro de 1942, Carlos Ayres Britto é poeta, professor, magistrado e jurista. É bacharel em Direito pela Universidade Federal de Sergipe, mestre e doutor pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Em Sergipe, foi consultor-geral do Estado, procurador-geral de Justiça e procurador do Tribunal de Contas. Em 2003 foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal. Foi presidente do Tribunal Superior Eleitoral, do Conselho Nacional de Justiça e do próprio Supremo Tribunal Federal, em 2012, ano da sua aposentadoria.

Na esfera jurídica, Ayres Britto publicou os livros Jurisprudência administrativa e judicial em matéria de servidor público’, ‘Interpretação e aplicabilidade das normas constitucionais’, ‘O perfil constitucional da licitação’, ‘Teoria da Constituição’ e ‘O humanismo como categoria constitucional’. No campo literário, é autor dos livros de poesia ‘Teletempo’, ‘Um lugar chamado luz’, ‘Uma quarta de farinha’, ‘A pele do ar’ e ‘Varal de borboletras’.

Ayres Britto

Aramis Ribeiro Costa permanece à frente da ALB no biênio 2013-2015

arb Em sessão ordinária, ocorrida no dia 6 de dezembro de 2012, o acadêmico Aramis Ribeiro Costa foi reeleito presidente da Academia de Letras da Bahia.

Aramis cumprirá seu mandato no biênio 2013-2015 com o apoio da diretoria composta pelo Vice-Presidente (João Eurico Matta), 1° Secretário (Evelina Hoisel), 2° Secretário (Gláucia Lemos), 1º Tesoureiro (Paulo Ormindo de Azevedo), 2° Tesoureiro (Luis Antônio Cajazeira Ramos), Diretor da Biblioteca (D. Emanuel D’Able do Amaral), Diretor do Arquivo (Joaci Góes), Diretor da Revista da ALB (Florisvaldo Mattos) e Diretor de Informática (Carlos Ribeiro).

O Conselho Editorial deste biênio é formado pelos acadêmicos Ruy Espinheira Filho, Myriam Fraga e Fernando da Rocha Peres. Fazem parte do Conselho de Contas e Patrimônio os acadêmicos Waldir Freitas Oliveira, Aleilton Fonseca e Paulo Costa Lima.

Barbara Coelho